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Obesidade
e hipertensão arterial estão intimamente relacionados, sendo a prevalência
de hipertensão cerca de 50% maior nos
indivíduos obesos. Além disso, o ganho de peso pode causar elevação da
pressão arterial e, ao contrário, a redução de peso pode diminuir a
pressão arterial de pacientes hipertensos. No entanto, os mecanismos
fisiopatológicos que favorecem o desenvolvimento de hipertensão na obesidade
são complexos e multifatoriais. Dentre estas alterações destacam-se
alterações hemodinâmicas sistêmicas e renais, resistência à insulina com
hiperinsulinemia compensatória, ativação do sistema nervoso simpático e do
sistema renina-angiotensina e efeitos da leptina plasmática.
As alterações hemodinâmicas
da obesidade caracterizam-se por aumento do volume intravascular e do débito
cardíaco, com manutenção de valores normais de resistência vascular
periférica. Estas alterações, associadas com hipertensão, levam ao
desenvolvimento da forma excêntricaconcêntrica de hipertrofia ventricular
esquerda, predispondo o paciente obeso ao maior risco de arritmia cardíaca e
de insuficiência cardíaca congestiva.
Outra importante alteração
verificada na obesidade é a resistência à insulina, com considerável
interesse na possibilidade de que ela possa ser o principal fator responsável
pela hipertensão da obesidade. A hiperinsulinemia poderia desencadear
mecanismos que aumentam a retenção renal de sódio, ativam o sistema nervoso
simpático e aumentam a reatividade vascular. Todavia, apesar destas
constatações, vários estudos não conseguiram demonstrar associação entre
hiperinsulinemia e hipertensão. Assim, considera-se hoje que o aumento da
insulina plasmática não é, isolada-mente, o mecanismo responsável pela
hipertensão na obesidade. Também os sistema nervoso simpático e
renina-angiotensina estão com sua atividade aumentada na obesidade e exercem
forte influência sobre a elevação da pressão arterial.
Quanto à leptina, seus níveis
plasmáticos estão aumentados na obesidade, acarretando múltiplas ações que
são potencialmente relevantes não somente para o controle do apetite e da
massa corporal, mas também para a regulação do sistema cardiovascular. A
leptina aumenta a atividade simpática e causa alterações na excreção renal
de sódio, favorecendo a elevação da pressão arterial. Por outro lado, ela
tem outras ações como aumento da sensibilidade à insulina e estimulação da
formação de óxido nítrico, que tenderiam para uma redução da pressão
arterial. Assim, a real importância da leptina sobre a regulação da pressão
arterial ainda não está estabelecido.
A redução de peso e a sua
manutenção é o método mais efetivo em diminuir a pressão arterial em
obesos. Tem sido observado que quanto maior a perda de peso maior é a
redução da pressão arterial e que, na ocorrência de reganho de peso os
pacientes podem voltar a apresentar níveis pressóricos mais elevados. É
importante destacar que qualquer grau de perda de peso, mesmo se não
sustentado por um período de tempo prolongado, pode conferir benefício ao
paciente hipertenso obeso. Em adição aos efeitos da restrição calórica,
dietas ricas em frutas e vegetais e em alimentos hipogordurosos com baixos
níveis de gordura saturada também devem ser estimuladas por favorecer a
diminuição da pressão arterial, assim como a atividade física aeróbica,
que deve ser recomendada ao paciente hipertenso obeso.
O tratamento farmacológico
muitas vezes se faz necessário caso os métodos acima falharem no controle da
pressão arterial, na presença de baixa aderência ao regime dietético e nos
pacientes de maior risco cardiovascular. Na escolha do anti-hipertensivo devem
ser levadas em consideração as alterações metabólicas, endócrinas e
hemodinâmicas próprias da obesidade. A intervenção terapêutica no paciente
hipertenso obeso tem como objetivo não somente um controle adequado da
pressão arterial, mas também a utilização de fármacos cujos mecanismos de
ação gerem aumento da excreção renal de sódio, menor atividade do sistema
nervoso simpático e do sistema renina-angiotensina e que tenham atuação
mínima sobre os distúrbios metabólicos próprios da obesidade.
Os diuréticos e bloqueadores
beta-adrenérgicos são comprovadamente efetivos em reduzir a pressão arterial
em obesos, porém eles podem desencadear complicações metabólicas como
diminuição da sensibilidade à insulina e piora da dislipidemia, condições
que já são comumente encontradas nestes indivíduos. Os grupos
farmacológicos considerados mais apropriados para o tratamento da hipertensão
da obesidade, por serem não somente efetivos em reduzir a pressão arterial,
mas também por apresentarem pouca interferência do ponto de vista
metabólico, são os inibidores da enzima conversora da angiotensina II,
an-tagonistas dos canais de cálcio, antagonistas dos receptores da
angiotensina II e os agonistas dos receptores imidazolínicos. Estes grupos de
drogas têm efeitos neutros ou mesmo podem causar diminuição de atividade do
sistema nervoso simpático e do sistema renina-angiotensina, além de
favorecerem aumento da sensibilidade à insulina.

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