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As doenças cardiovasculares (DC) são as responsáveis pelo maior número de óbitos no Brasil. Em 2000, segundo dados do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM), corresponderam a mais de 27% do total de óbitos, ou seja, neste ano 255.585 pessoas morreram por DC. Essas doenças foram responsáveis também por 15,2% das internações realizadas no SUS, na faixa etária entre 30 e 69 anos, sendo que, do total de casos, 17,7% foram relacionadas ao acidente vascular encefálico (AVE) e ao infarto agudo do miocárdio (IAM). A Hipertensão Arterial é um dos principais fatores de risco para as DC.

Em face aos dados , fica evidente a necessidade de desenvolver-se uma estratégia visando reduzir a morbimortalidade cardiovascular em nosso País. É isso o que está sendo feito no momento com a implantação do Plano de Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial e ao Diabetes Mellitus pelo Ministério da Saúde e Secre-tarias Estaduais e Municipais de Saúde em parceria com os Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS), Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS), Organização Panamericana de Saúde (OPAS), Sociedades Brasileiras de Cardiologia, Nefrologia, Hipertensão, Diabetes, Federações Nacionais de Portadores de Hipertensão e Diabetes.

O que é Plano de Reorganização:

O Plano é uma estratégia que visa aumentar a prevenção, o diagnóstico, o tratamento e o controle da hipertensão arterial e do diabetes mellitus através da reorganização da Rede Básica dos Serviços de Saúde/SUS (aproximada-mente 40 mil unidades), dando-lhes resolutividade e qualidade no atendimento.

Objetivo:

Reduzir o número de internações, a procura por pronto atendimento, os gastos com tratamento de complicações, as aposentadorias precoces e a mortalidade cardiovascular, com a conseqüente melhoria da qualidade de vida da população.

Está sendo implantado através das seguintes ações:

  • Capacitação de multiplicadores para a atualização, em hipertensão arterial e diabetes mellitus e demais fatores de risco para doenças cardiovasculares, dos profissionais que atuam na rede básica do SUS.

  • Campanhas de detecção de casos suspeitos de HA e DM, visando o diagnóstico precoce e o intenso incentivo à adoção de hábitos saudáveis de vida.

  • Confirmação diagnóstica dos casos suspeitos e início da terapêutica.
  • Cadastramento e vinculação às Unidades Básicas de Saúde dos portadores de HA e DM para o tratamento e acompanhamento.

Situação da implantação do Plano:

  • Foram capacitados inicialmente 13.859 profissionais de saúde como multiplicadores em hipertensão arterial e diabetes mellitus, sendo que este processo continua em andamento. Em abril de 2002, após a assinatura de Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Saúde e as Sociedades Brasileiras de Cardiologia, Hipertensão, Nefrologia e Diabetes, terá inicio uma nova etapa de capacitação visando os municípios com população igual ou superior a 100.000 habitantes. A meta é capacitar aproximadamente 14.800 profissionais/multiplicadores (dois por Unidade Básica de Saúde).

  • Campanhas: A Campanha de Detecção de Casos Suspeitos de Diabetes que ocorreu nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) em todo o Brasil, no período de 6 de março a 7 de abril de 2001, realizou mais de 20 milhões de glicemias capilares e identificou quase 3 milhões de suspeitos, sendo que aproximadamente 1 milhão são portadores de diabetes e hipertensão, portanto de grande risco. No período de 5 de novembro de 2001 a 31 de janeiro 2002 aconteceu a etapa de Detecção de Casos Suspeitos de Hipertensão Arterial e Promoção de Hábitos Saudáveis de Vida, que teve como público-alvo a população com idade igual ou superior a 40 anos usuária do SUS. Os dados parciais até dia 17/04/2002 mostram que, dos 3.161 municípios que informaram seus dados da campanha à Coordenação Nacional, foi verificada a pressão arterial de 9.685.570 indivíduos, sendo que, destes, 3.498.884 (36%) foram diagnosticados como suspeitos de hipertensão arterial, faltando ainda 2.255 municípios informarem seus números.

  • Promoção à Saúde: O sedentarismo está presente em mais de 70% da população brasileira e do mundo. Estudos apontam que o sedentarismo mata mais que a obesidade, a hipertensão, o tabagismo, a diabetes e o colesterol alto. A falta de atividade física e alimentação não balanceada são responsáveis por 54% do risco de morte por infarto e 50% do risco de morte por derrame cerebral, sendo essas as principais causas de morte na população mundial. Além de levar à morte, o sedentarismo custa caro: sabe-se que, não só nos países ricos, como também nos países do terceiro mundo, 70% dos gastos com saúde são para cobrir custos das doenças originadas pelo sedentarismo como o diabetes, obesidade, hipercolesterolemia, hipertensão arterial, infarto, osteoporose, depressão, entre outras. O custo com o trata-mento médico devido à inatividade física pode variar entre 2,4% e 9% do total dos custos médicos do setor de saúde.

Com este preocupante panorama e considerando que a mudança para um estilo de vida ativo reduz em 40% o risco de morte por doenças cardiovasculares, foi lançado oficial-mente pela Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo o Programa Agita São Paulo, coordenado pelo Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul CELAFISCS, com o objetivo de aumentar o nível de conhecimento sobre os benefícios da atividade física para a saúde e promovendo, assim, uma maior adesão à prática dessa atividade na população.

Seguindo o modelo do Agita São Paulo, o Ministério da Saúde criou uma estratégia nacional com o Programa Agita Brasil, que vem estimulando a criação de programas semelhantes em todos os estados brasileiros.

Em função do sucesso do modelo do Programa (reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um modelo de promoção da saúde), foi decidido durante a 54a Assembléia Mundial da Saúde que o tema do Dia Mundial da Saúde de 2002 seria a promoção da atividade física e a nutrição saudável, e que para tanto, o slogan da campanha deveria ser Agita Mundo , inspirado no Agita São Paulo e Agita Brasil. No dia 7 de abril Dia Mundial da Saúde aconteceu uma grande mobilização mundial, e a cidade São Paulo foi o foco das ações desse evento, cujo objetivo foi mobilizar a população de forma global, em uma grande caminhada para sensibilizar e incentivar a adoção de um estilo de vida ativo e de hábitos nutricionais saudáveis como forma de manter a saúde.

Em função de a prevalência da Obesidade estar aumentando em todas as regiões do País e de existir uma relação entre o aumento do IMC e o aumento do risco de morte por doenças cardiovasculares, a manutenção do peso ideal, IMC abaixo de 25 kg/m2, deve ser uma meta a ser perseguida.

  • Confirmação: Neste momento está acontecendo a con-firmação diagnóstica dos suspeitos de diabetes e hiper-tensão com a vinculação dos confirmados às UBS.

  • Assistência Farmacêutica: O Ministério da Saúde edi-tou a portaria nº 371/GM, publicada no Diário Oficial da União de 06/03/2002, página 88, criando o Programa Nacional de Assistência Farmacêutica para Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus, pelo qual são garantidos pelo Ministério da Saúde, após o cadastramento de hipertensos e/ou diabéticos pelos municípios, os seguintes medicamentos: glibenclamida 5mg, metformina 850mg , insulina para os diabéticos e hidroclortiazida 25mg, propranolol 40mg e captopril 25mg para os hipertensos.

Cadastramento:

Para a última etapa, que é o cadastramento e vinculação dos portadores de HA e DM às UBS e a reorganização da rede de atendimento, foi editada pelo Ministério da Saúde a portaria conjunta Secretaria Executiva e Secretaria de Políti-cas nº 002, publicada no Diário Oficial da União de 06/03/ 2002, Seção 1, pagina 91, criando o SISHIPERDIA, um ca-

dastro nacional de diabéticos e/ou hipertensos (veja o site www.saude.gov.br/sps/areastecnicas/cnhd), o que possibilitará aos gestores federais, estaduais e municipais planejarem recursos necessários para o atendimento desta clientela, pois o banco de dados, a partir deste cadastramento, permitirá sabermos quantos são, como estão sendo acompanhados e tratados e estratificá-los de acordo com o risco individual.

Acompanhamento:

Coordenação Nacional do Plano de Reorganização:

Criada em maio de 2001 pela Secretaria de Políticas de Saúde/MS, tem como responsabilidade a gerência de todas as ações de implantação do Plano de Reorganização desenvolvidas em nível nacional, além da assessoria contínua aos estados e municípios, desenvolvidas por um grupo de oito consultores, que visitam periodicamente os estados.

Comitês:

Com o objetivo de dar suporte técnico e acompanhar a implantação do Plano, foi criado um Comitê Nacional com representação do Ministério da Saúde, Sociedades Brasilei-ras de Cardiologia, Nefrologia, Hipertensão, Diabetes, Federações Nacionais de Portadores de Hipertensão e Diabetes, CONASS e CONASEMS e Comitês Estaduais com a mesma representatividade, conforme a realidade de cada estado. Esses Comitês têm como finalidade o assessoramento e acompanhamento da implantação do Plano de Reorganização a nível nacional e nos seus respectivos estados.

Avaliação de Impacto:

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Departamento de Medicina Social da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia estão desenvolvendo estudos para avaliar o impacto das estratégias desenvolvidas pelo Plano.

Podemos afirmar que nosso País, vive um momento histórico, pois a reorganização da rede básica de saúde, porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS), local que presta atendimento a 75% da população brasileira, está sendo priorizada. O objetivo é dar-lhe resolutividade e qualidade, o que levará a um aumento na prevenção, diagnóstico, tratamento e controle da hipertensão arterial, diabetes, obesidade e demais fatores de risco para doenças cardiovasculares com conseqüente redução da morbimortalidade cardiovascular no Brasil.