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No
dia 20 de maio, a ABESO teve a satisfação de promover um Fórum de
Discussões sobre Propostas de Ações de Combate à Obesidade no Brasil.
Diferentemente do que foi divulgado na Revista ABESO Número 6, o fórum
não teve a parceria do ILSI.
Várias propostas foram discutidas e será elaborado um documento na forma
de um pacote de sugestões que podem ser implementadas.
A representatividade do fórum foi inquestionável. O Secretário de
Estado da Saúde de São Paulo, Dr. José da Silva Guedes, foi
representado pelo Dr. Carlos Alberto Machado, com importantes
intervenções devido a sua experiência nas ações do Ministério da
Saúde em relação a detecção e controle de doenças
crônico-degenerativas (Coordenador do Plano Nacional de Reorganização
da Atenção à Hipertensão e ao Diabetes Mellitus).1
Além da diretoria da ABESO, estavam
presentes vários delegados da ABESO, entre eles o Dr. Walmir F. Coutinho
(Presidente do Conselho Deliberativo, do Rio de Janeiro), o Dr. Henrique
Suplicy (Departamento de Tratamento Medicamentoso, de Curitiba), a Dra.
Jucinéia de Oliveira (represen-tando o Dr. Amélio Godoy Matos, que não
pôde estar presente, do Rio de Janeiro), a nutricionista Dra. Ana Maria
Lottenberg (Departamento de Nutrição), a Dra. Ana R. Dâmaso
(Departamento de Educação Física, de São Carlos), o Dr. Giuseppe
Repetto e o Dr. Nataniel Viuniski (Departamento de Obesidade Infantil,
ambos do Rio Grande do Sul), o Dr. Arthur B. Garrido Jr. (Departamento de
Cirurgia Bariátrica) e o Dr. Carlos Bayard (também do Rio Grande do
Sul). Outras sociedades, professores e representantes de órgãos ligados
à saúde participaram também das discussões.
Foi valiosa a presença do Prof. Carlos Augusto Monteiro (do Departamento
de Epidemiologia da ABESO e da Faculdade de Saúde Pública da USP),
devido a sua extensa experiência nos inquéritos nacionais sobre
obesidade, e dos nutricionistas Renata Bertazi Levi Costa e Wolney Lisboa
Conde.
O Dr. José Nery Praxedes (Sociedade Brasileira de Nefrologia), a
nutricionista Maria Idati Eiró Gonçalves (Presidente do Conselho
Regional de Nutricionistas 3ª Região), o Dr. Mauro Fisberg (UNIFESP) e a
Dra. Silvia Cozzolino (Presidente da SBAN) estavam ainda presentes, bem
como representantes da Sociedade Brasileira de Cardiologia/FUNCOR, da
Sociedade Brasileira de Hipertensão (Dr. Armênio Costa, de Salvador), da
Fundação Interamericana do Coração (Dr. Sérgio Timerman) e do
Departamento de Aterosclerose da SBP (Dra. Tânia Martinez, Presidente do
Departamento).
O fórum contou com apoio institucional da Roche, que ofereceu as
facilidades de anfiteatro, equipamentos e refeições aos participantes,
permitindo que o evento fosse realizado na data previamente acordada. As
discussões, porém, foram realizadas com total liberdade entre os
participantes, sem a presença de nenhum funcionário da empresa.
Entre os tópicos que geraram mais discussões, destacam-se, como ações
coletivas promotoras de informação à população, as ações em
andamento nas unidades básicas de saúde, como a sugestão de
elaboração de advertências a serem inseridas em rótulos de alimentos
classificados como não saudáveis , a exemplo de advertências
semelhantes aplicadas a bebidas alcoólicas e cigarros.
Medidas de caráter legislativo, como a proibição de brindes em
alimentos dirigidos à criança e a regulamentação de alimentos em
cantinas escolares, tiveram ampla aceitação. Muito embora possam ser
alvo de crítica, pelo caráter impositivo da medida, a própria
discussão da propriedade dessas ações implementa a difusão de
informações e debates sobre uma alimentação infantil mais saudável e
sobre as técnicas de persuasão e promoção de marcas que valem-se de
apelos emocionais sobre os pequenos consumidores . O que considerar
alimento não saudável será tema de discussões posteriores, que serão
realizadas na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.
O exemplo de criação das ruas da saúde , pela Prefeitura do Rio de
Janeiro, e iniciativas de empresas privadas que tragam melhorias no
espaço urbano, com estratégias que estimulem a atividade física, devem
ser favorecidos.
Em relação ao tratamento da obesidade em unidades básicas de saúde,
discutiu-se a propriedade de iniciar o tratamento, após a capacitação
da rede básica, dos pacientes com obesidade portadores de hipertensão e
diabetes. Em relação à cirurgia bariátrica, discutiu-se estabelecer a
fila única , de modo a diminuir a espera pela cirurgia, que em alguns
centros chega a 10 anos!
Como disse a Dra. Gro Harlem Brundtland, Diretora-Geral da Organização
Mundial de Saúde, em recente discurso durante a 55a Assembléia Mundial
da Saúde, em Genebra no dia 13 de maio, o que precisamos é mais
controle... ...Precisamos construir novas alianças e novas iniciativas
para lidar com os riscos à saúde que ameaçam as necessidades essenciais
para uma vida saudável .
Dr. Marcio C. Mancini
Presidente da ABESO
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