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Nos últimos anos, com a ampliação das facilidades decorrentes da tecnologia moderna, o sedentarismo e as mudanças significativas no estilo de vida tornaram-se causas para o desenvolvimento de doenças ou riscos à saúde humana. Estes fatores, associados à falta de adequação alimentar e ao estresse, incluem-se entre os principais determinantes da obesidade. Além disso, essa doença crônica não se manifesta de forma isolada, sendo estabelecido que existe uma forte correlação entre obesidade, dislipidemia, doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e hipertensão, resultando no que hoje chamamos de “Síndrome X” ou síndrome plurimetabólica.

Por outro lado, desde o início do século XX, inúmeros estudos foram realizados com o intuito de estabelecer a importância do exercício regular, ou não, no controle da obesidade. No entanto, devido às próprias características do estilo de vida urbano moderno, tornou-se crucial para o controle dessa doença estabelecer outros parâmetros de atividade física. Assim, a partir da década de 90, tem-se tentado estender à sociedade o reconhecimento sobre a importância do exercício não programado ou espontâneo na melhoria da qualidade de vida e no controle e/ou tratamento da obesidade e outras doenças crônicas associadas. Neste sentido, sabe-se que o aumento no nível de atividade física espontânea ou de lazer pode resultar em aumento do gasto energético diário e, conseqüentemente, da taxa metabólica diária. Isto contribui para a redução de massa adiposa.

Considerando que a obesidade não se manifesta em conseqüência de um único fator, a ABESO tem estimulado a criação de equipes multiprofissionais, envolvendo médicos, psicólogos, nutricionistas, professores de educação física e também fisiologistas do esforço. Além disso, outras formas de conscientização para o controle da obesidade vêm sendo geradas, como, o incentivo à atividade física voluntária, incluindo-se, então, formas não sistematizadas de exercício ou esforço físico, como, por exemplo, o programa “Agita São Paulo” (Agita Mundo), coordenado pelo CELAFISCS em São Caetano do Sul, SP. Este tipo de programa, assim como a Pirâmide de Atividade Física da American Dietetics Association, International Food Informations Council Foundations e President’s Council on Physical Fitness and Sports, baseiam-se no estímulo do aumento no nível de atividade física diária e/ou da diminuição no tempo de inatividade. Veja, a seguir, as sugestões distribuídas no modelo da pirâmide, preconizadas por esses institutos de pesquisa.


Adaptado de Park Nicollet Health Source, 1996.
Fonte: Pirâmide CELAFISCS, American Dietetics Association, International Food Informations Council Foundations e President‘s Council on Physical Fitness and Sports

Neste sentido, espera-se que a adoção de um estilo de vida mais ativo possa reduzir as conseqüências do sedentarismo. Quanto aos efeitos do exercício, sabe-se que este pode ser um importante recurso no controle da obesidade, seja este sistematizado ou aquele realizado no final de semana ou de forma espontânea. Na tabela abaixo, encontra-se um resumo das principais adaptações observadas em diferentes pesquisas clínicas ou experimentais realizadas pelo Laboratório de Nutrição e Metabolismo Aplicados ao Exercício, da Universidade Federal de São Carlos ou outros estudos, em resposta ao exercício regular e aquele realizado nos finais de semana, em intensidade moderada:

De acordo com os trabalhos produzidos em nosso laboratório e aqueles consultados na literatura, sugere-se, portanto, que o exercício regular e sistematizado é um importante recurso no controle da obesidade e das doenças correlatas. O aumento no nível de atividade física diária espontânea e de lazer resulta em adaptações importantes que poderão ser cumulativas quando incorporadas em um novo estivo de vida, principalmente quando associadas à ingestão adequada de alimentos.