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O nosso objetivo nessa publicação é fazer uma revisão crítica da evolução técnica do balão intragástrico, ressaltando as melhoras tecnológicas no decorrer desse
período e a eficácia e segurança atualmente obtidas. Além disso, pretendemos apresentar um critério adequado de
triagem dos pacientes, incluindo o seu acompanhamento após o procedimento, bem como a estruturação de uma equipe interdisciplinar com orientação de endocrinologista, nutricionista, psiquiatra, psicólogo, estímulo a atividades físicas, mudança comportamental e de hábito de vida.
O balão intragástrico de silicone (SIB) foi desenvolvi-o pelo Dr. Fred C. Gau em conjunto com a INAMED Development Company
(IDC), em 1986. Em janeiro de 1996 o SIB IDE foi transferido da IDC para a
BioEnterics Corporation (BEC), e o SIB foi redenominado como BioEnterics Intragastric Balloon
(BIB) .
O BIB tem como objetivo o tratamento da obesidade para pacientes com 40% acima de seu peso ideal (definido pela Metropolitan Life
Insurance, 1983, Weight and Frame Tables), pacientes que tiveram maus resultados com o tratamento clínico da obesidade, mesmo com um programa de controle multidisciplinar supervisionado e pacientes superobesos com alto risco cirúrgico como preparo pré-operatório.
O BIB foi projetado para determinar uma sensação de saciedade precoce, diminuindo a capacidade do reserva-tório gástrico, e, com isso, o consumo de alimentos,
facilitando a adaptação de uma dieta hipocalórica associada à mudança na rotina de vida, incluindo exercícios físicos.
Pacientes que usam o BIB estão capacitados a uma alimentação normal, especialmente líquidos e dietas
programadas. Devido às características pessoais de cada paciente, o BIB foi projetado para ter o seu volume ajustado de forma individual dentro do estômago (Figura 1),
permitindo uma otimização da perda de peso.
Histórico do desenvolvimento do BIB
O conceito do balão foi desenvolvido pela observação dos efeitos causados naturalmente pelo bezoar (formação de grandes bolos alimentares impedindo o esvaziamento gástrico -Figura 2) na perda de peso. A presença do bezoar determina emagrecimento e a sua remoção permite a recuperação do peso inicial. O SIB (depois BIB) foi desenvolvido
incorporando o aspecto positivo da perda de peso determinado pelo bezoar, com adaptação da sua fisiologia e anatomia.
O BIB foi desenhado para ser colocado de forma fechada no estômago, sendo posteriormente expandido pela injeção de solução fisiológica, atuando como um bezoar artificial.
Após a expansão, o BIB adquire forma esférica. Uma válvula de autocontrole permite a retirada do cateter ex-terno com o fechamento da válvula.
O BIB foi desenhado para flutuar livremente dentro do estômago. A sua forma permite um ajuste volumétrico adequado para cada paciente durante a sua colocação.
Passos técnicos da colocação do BIB
1. Preparo do paciente para endoscopia: decúbito dorsal ou lateral esquerdo, Xilocaína spray na orofaringe, sedação endovenosa ou anestesia geral.
2. Exame endoscópico do esôfago, estômago e duodeno, com aspiração do conteúdo gástrico.
3. Remoção do aparelho de endoscopia.
4. Não havendo contra-indicação: introdução do BIB, pela orofaringe, através do esôfago, até atingir o estômago (Fuguras 3 e 4).
5. Reinserção do endoscópio mantendo o balão in situ, observando os seguintes passos: o BIB ultrapassou o esfíncter inferior do esôfago e está bem locado na cavidade gástrica (Figura 5).
6. Remoção do fio-guia da sonda de inserção.
7. Conectar a seringa de 50 ml no cateter de duas vias (Figura 6).
8. Insuflar o balão com solução fisiológica e azul de metileno diluído (Figura 7).
9. Recomenda-se um volume mínimo insuflado de 400 ml (Figura 8).
10. Aspirar 50 ml de ar, criando vácuo e invertendo o fluxo da válvula do BIB, impedindo o escape da solução fisiológica. Fechar a
torneira de três vias e desconectar a seringa.
11. A válvula do balão será selada com o vácuo criado.
12. Retirar com manobra suave a sonda de inserção do BIB (Figura 9). 13. Observar o balão flutuando livremente na cavidade gástrica
(Figuras 10 e 11).
14. Todas as manobras descritas nos itens de 5 a 12 devem ser realizadas com visualização endoscópica direta.
 
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