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E
D I T O R I A L
Citei
anteriormente que a prevenção da obesidade depende basicamente de informação.
Na esfera da obesidade, a doença crônico-degenerativa mais prevalente na
população brasileira, os indivíduos afetados (e mesmo aqueles sem excesso de
peso mas que se preocupam com a manutenção de um peso saudável) estão,
todavia, sujeitos a uma oferta enorme de informações errôneas. Não saberia
dizer se o número de informações corretas é maior ou menor que o do que
poderíamos chamar de desinformação. Freqüentemente a imprensa leiga publica
dietas esdrúxulas, desvirtuadas, que induzem a erro de apreciação e fomentam
o fracasso nas tentativas de emagrecimento. Levar informações corretas à
população não só encoraja a adoção de hábitos mais saudáveis, como também
pode aumentar o número de pessoas com obesidade que procurará formas
recomendadas de tratamento, logrando êxito na aquisição de um peso mais saudável.
Já citei também que informações sobre formas legítimas de tratamento e
sobre produtos úteis, bem como informações sobre produtos sem eficiência e
sem fundamentação devem ser divulgadas. São oferecidos ao consumidor um número
cada vez maior de produtos com propriedades nuticionais particulares, relativas
ao seu valor energético e/ou a seu conteúdo de proteínas, carboidratos,
gorduras, fibras alimentares, vitaminas e/ou minerais. Esses produtos utilizam
termos relacionados ao conteúdo de nutrientes e ao valor energético que,
embora sejam devidamente regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA), podem levar à interpretação errônea do consumidor em
relação à sua utilidade em programas dietéticos que visam a perda de peso.
São exemplos de termos empregados: baixo,
light, diet,
low, free, rich, alto teor, very low,
fonte de, sem adição de, etc. A ABESO entende que a maioria dos consumidores
desconhece que esses produtos contemplam necessidades específicas de situações
especiais. Termos como diet podem ser
usados em contextos que em nada se referem à perda de peso.
A
ABESO teve participação ativa como órgão consultado pelo Ministério da Saúde
e pela ANVISA na elaboração da legislação de rotulagem dos alimentos.
Qualquer informação adicional ao consumidor tem enorme potencial na prevenção
da obesidade e no auxílio à escolha de alimentos adequados ao tratamento do
sobrepeso.
Foi
aprovada em Assembléia Geral de Sócios da ABESO, realizada em 18 de agosto de
2001, durante o 9o Congresso Brasileiro de Obesidade, a criação de
um selo que auxilia o consumidor a identificar produtos cuja composição
atenda não só à regulamentação vigente, mas também destinem-se à prevenção
de fatores de risco cardiovasculares e em especial à prevenção e à utilização
no tratamento da obesidade.
A
Diretoria da ABESO está estudando os critérios e normas para a obtenção de
direito à utilização do Selo de Aferição de Qualidade da ABESO em produtos
e alimentos oferecidos à população, que terão sua adequação analisada
para o uso de pessoas obesas ou com preocupação na prevenção do
desenvolvimento de sobrepeso e/ou dos fatores de risco cardiovasculares.
Provavelmente esse selo contará com a parceria da SBEM e da SBD, e nossa
diretoria espera lançá-lo no início de 2002.
Na
área médica, a informação chegará por meio da edição do Consenso
Latino-Americano de Obesidade atualizado, uma iniciativa do Dr. Walmir
Coutinho, que foi o coordenador do I Consenso em 1998. Pretendemos editá-lo e
disponibilizá-lo no novo site da ABESO, também no início de 2002.
Além
disso, a ABESO participará ativamente de vários eventos que ocorrerão em
2002. Consultem a agenda de eventos nesta revista e conheçam melhor o Simpósio
Ibero-Americano (em espanhol ou português), que será realizado durante o 9o
ICO e a 1a Jornada Paulista de Diabesidade.
A
ABESO, bem como as sociedades que integram a FEBRASEM, oferece a partir de
agora aos seus sócios que não integram a SBEM, descontos na assinatura anual
dos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia.
A preocupação com a ética continua. Cada estado brasileiro conta com,
pelo menos, um representante da ABESO, que colabora com a diretoria na aceitação
ou exclusão de associados que, comprovadamente, atuem em desacordo com as
normas da boa prática médica e da ética profissional. Essas decisões nunca
são tomadas arbitrariamente, mas analisadas
cuidadosamente por, pelo menos, seis membros conselheiros e/ou da diretoria.
Finalmente,
o site da ABESO transformou-se em portal. Leia mais sobre o novo portal nesta
revista, visitem-nos (www.abeso.org.br)
e colaborem enviando materiais que serão analisados e, eventualmente,
divulgados.
Dr.
Marcio Mancini
Presidente
da ABESO
 
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