O que é a ABESO, Histórico, Estatuto ...
Diretoria da ABESO
Consultar a Lista de Associados
Como se Associar
Revista ABESO
Eventos / Cursos
Obesidade em Notícia
Receitas Light
Dicas
Perguntas mais Freqüentes (FAQ´S)
Dúvidas sobre Obesidade? Esclareça-as com especialistas em cada área.
Calcule o Seu IMC
Artigos
Downloads
Links (Sites de Interesse)
Entre em contato

Artigo de Revisão – Tratamento Medicamentoso das Comorbidades Metabólicas do Obeso.

Opinião – Artigo comenta reportagem preconceituosa com população obesa.


Com cerca de 15 mil participantes e mais de mil palestras e temas-livres apresentados, o 68th Scientific Session abriu, inegavelmente, um espaço expressivo às discussões sobre obesidade e temas relacionados – alimentação saudável, IMC, atividade física, cirurgia bariátrica etc. Além disso, obesidade e diabetes foram assuntos sempre interligados, especialmente quando se abordava o DM2. Veja alguns destaques do evento.

Anualmente, o congresso da American Diabetes Association reúne um enorme público para discutir os avanços científicos e resultados de pesquisas sobre diabetes. Este ano, o evento, realizado em São Francisco, Califórnia, teve a participação de cerca de 15 mil profissionais de saúde e uma delegação brasileira com mais de 500 especialistas. Membros da diretoria da ABESO acompanharam as atividades que, muitas vezes, começavam às cinco e meia da manhã e terminavam às 10 da noite. Estiveram presentes o Dr. João Eduardo Salles, coordenador do site da ABESO; Dr. Josivan Lima e Dr. Bruno Geloneze, respectivamente editor e co-editor da revista da entidade.

Falar de diabetes é falar também de obesidade e, por isso, na programação científica do ADA 2008 foram incluídas diversas mesas com o tema. As palestras abordaram,entre outros assuntos, a síndrome metabólica e o tratamento em crianças; atividade física e como a sua prática pode interferir no tratamento da obesidade e do diabetes; resultados de pesquisas sobre como os genes da obesidade e diabetes tipo 2 poderiam estar interligados; IMC, circunferência da cintura e os riscos cardiovasculares; e hormônios e a obesidade.

Hormônios e Obesidade

Uma das mesas de debates que chamou a atenção dos especialistas abordou a questão hormonal e sua ligação com a obesidade. A especialista americana, Dra. Zofia Zukowska, mostrou a existência de forte relação do estresse com o hormônio neuropeptideo Y. A lógica demonstrada foi que, quanto mais estresse, maior a secreção de adrenalina, que ao ser metabolizada, se transforma em outro hormônio ativo, responsável pelo estoque de gordura. Ou seja, além de elevar o ganho de peso e aumentar a fome, o estresse também provoca o crescimento da célula gordurosa.

Na palestra “Human Obesity Genes”, o Dr. Peter Arner mencionou um processo semelhante. Segundo ele, pesquisas científicas demonstram que o estresse também aumenta a quantidade de glicorticóide, provocando fome e estimulando a produção de insulina, que induz a mais apetite. O Dr. João Eduardo, da ABESO, assistiu a apresentação, e lembrou que os especialistas comprovaram que viver em um ambiente estressante é favorecer o aumento de peso e, possivelmente, a obesidade, e que a prática da atividade física é sempre uma ótima escolha.

Novo Gene

O especialista sueco, Dr. Stephen R. Bloom, falou sobre a descoberta de um novo gene da obesidade, mostrando que os indivíduos que tem esse desenho genético queimam gordura com mais facilidade. Ele demonstrou que, em alguns casos, os tratamentos não alcançam o efeito desejado.

Outro destaque foi um trabalho, ainda em desenvolvimento, mostrando que a quantidade de gordura permanece a mesma durante toda a vida. O indivíduo a adquire na juventude e assim se mantêm.

Ainda durante a apresentação, o Dr. Stephen causou enorme burburinho na platéia ao mostrar a foto de um paciente, após uma cirurgia bariátrica, com enorme excesso de pele. O Dr. João Eduardo comentou, logo após a atividade, que é muito importante que este fato seja observado pelos especialistas. Ele esclareceu que a retirada da pele é extremamente perigosa, pois pode ocorrer perda de tecido gorduroso, favorecendo a embolia. “A solução é a realização de diversas cirurgias plásticas, que reduzem gradativamente a quantidade de pele”, disse o especialista brasileiro.

O Mapa da Língua

Fugindo de alguns formatos, uma das palestras mostrou resultados de uma pesquisa sobre os receptores encontrados na língua do ser humano. O estudo foi feito pelo Dr. Charles Zuker, que identificou mudanças no comportamento alimentar, influenciadas por áreas específicas da língua. Além dos sentidos já conhecidos, as sensações de doce, salgado, amargo e azedo podem estar associadas, segundo o especialista, a fatos bons e ruins vividos pelo ser humano. O mapa da língua poderia indicar um determinado tipo de dieta. Segundo os resultados apresentados, o doce mede o teor calórico dos alimentos; o sal é fundamental para observar o equilíbrio eletrolítico; e o amargo e azedo detectam e previnem a ingestão de substâncias químicas nocivas e alimentos estragados.

Para o Dr. Zuker, a investigação mostrou que estas células podem desencadear comportamentos específicos ligados à alimentação.

Alertas à População

O ADA 2008 teve ampla divulgação pelos órgãos de imprensa. Além disto, algumas ações feitas, inclusive por empresas, chamaram a atenção da população para o problema da obesidade. Uma delas reuniu pessoas com pesos diferentes, circulando no Moscone Center (Centro de Convenções) e no trajeto entre os hotéis próximos, onde também eram realizadas atividades. Elas vestiam camisetas, estampadas com as porcentagens de risco, de cada um, para o desenvolvimento do diabetes. Quanto mais gordo, maior o risco. A mensagem na camiseta era (com variações): “59% risk of developing type 2 diabetes in 5 years”. O impacto foi grande, inclusive entre os moradores de São Francisco, que circulavam no centro da cidade, nos arredores do centro de convenções.

Dando o Exemplo

Fora do debate da programação científica, alguns fatos pitorescos podem ser registrados. O Dr. João Eduardo, coordenador do site da ABESO, observou que as escadas rolantes do Moscone Center ficavam permanentemente lotadas, enquanto as outras, quase sempre vazias. A possibilidade de fazer algum exercício, intercalado com horas de permanência nas diversas salas, poderia ter sido melhor aproveitada.

Para incentivar os profissionais de saúde, a ADA organizou uma corrida, chamada 5K@ADA, onde estavam inscritos 1.500 congressistas, dos quais 720 participaram.

Destaque Brasileiro

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e seu Departamento de Diabetes (SBD) realizaram, no primeiro dia do congresso, um simpósio dentro do evento. Na programação, estavam incluídos temas como epidemiologia, doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, monitorização glicêmica, controvérsias sobre A1c, entre outros.

Não resta dúvida de que os números, a organização e a programação do congresso da ADA são impressionantes, assim como os resultados obtidos. A imprensa americana estava presente em massa, além de profissionais de outros países. No total, havia cerca de 100 jornalistas trabalhando. O espaço obtido na mídia foi impressionante. Porém, nos corredores foi possível ouvir que a divulgação é mais uma alternativa, pois os especialistas americanos estariam quase desistindo de tentar reduzir a obesidade da população dos Estados Unidos.

* A jornalista Cristina Dissat viajou a convite da AC Farmacêutica.