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A Obesidade no Congresso da
SBD Cerca de 4
mil pessoas participaram do XVI Congresso da Sociedade Brasileira de
Diabetes (Diabetes 2007), no último mês de outubro, no The Royal Palm
Plaza, em Campinas, SP. Sob a presidência do Dr. Bruno Geloneze, o evento
contou com a presença de diversos especialistas nacionais e 22
estrangeiros, que discutiram todas as áreas estreitamente ligadas ao
diabetes, entre elas a obesidade.
Um
dos destaques do Diabetes 2007 foi a palestra do Dr. Walter Pories (EUA),
primeiro cirurgião do mundo a observar a reversão do diabetes tipo 2 em
pacientes com obesidade mórbida, submetidos à cirurgia bariátrica. Antes
de falar sobre “Resultados de Estudos Clínicos: Responsabilidades e
Direitos dos Investigadores”, ele demonstrou a evolução da obesidade nos
Estados Unidos, que já se tornou uma epidemia, incluindo mais de 8 milhões
de norte-americanos com obesidade mórbida.
Em seguida, levantou a discussão em torno do
ponto de vista da maioria dos médicos sobre o diabetes e sua forma
particular de ver a doença. Para o Dr. Pories, o diabetes pode ter uma
relação com o trato digestivo, uma vez que todas as cirurgias que promovem
sua resolução nos portadores de obesidade mórbida são promotoras de alguma
modificação neste segmento.
Um Velho Desafio
A obesidade também foi tema da palestra do Dr.
Ney Cavalcanti, vice-presidente da SBD. Dentro do Simpósio sobre
“Terapêutica Clínica e Doenças Associadas”, o especialista falou sobre
“Tratamento da Obesidade no Diabetes, um Velho Desafio para os Clínicos”.
De acordo com o Dr. Ney, as questões
que envolvem as duas patologias são bastante discutidas, mas difíceis de
serem resolvidas. O médico lembrou que uma das soluções para conter o
avanço do diabetes tipo 2 é diminuir a epidemia da obesidade. No entanto,
“a humanidade está ficando cada vez mais gorda e idolatrando a magreza”,
comentou. Quanto à terapêutica
associada a dietas e atividade física, ele salientou que muitos pacientes
perdem peso com exercícios, mas voltam a engordar novamente por
abandonarem a prática. Entre os recursos terapêuticos contra o diabetes
tipo 2, o Dr. Ney considera que a cirurgia bariátrica é capaz de
apresentar resultados rápidos e persistentes, além de diminuir a
mortalidade das pessoas com diabetes e obesidade.
O Melhor Remédio
Por outro lado, o Dr. Osmário
Salles, especialista de Salvador (BA), abriu a conferência do Dr. Michael
Riddell (Canadá), intitulada “Exercícios Físicos para o Diabetes Tipos 1 e
2”, com a frase: “Não existe nenhum remédio na medicina que suplante meia
hora de exercício por dia”. Ao
encontro dessa afirmativa, o Dr. Riddell ressaltou que 30 minutos diários
de exercícios aumenta, em dez anos, a expectativa de vida de quem tem
diabetes tipo 1, acrescentando que a prática da atividade física eleva a
auto-estima e a autoconfiança dos pacientes, embora possa apresentar
riscos, além dos benefícios, e nem sempre melhore os níveis glicêmicos.
Lembrando a importância de se reduzir a
circunferência abdominal para prevenir o diabetes, o Dr. Riddell frisou,
ainda, a necessidade de alimentação adequada e que a atividade física faz
parte de um tratamento multidisciplinar, devendo ser realizada sob a
supervisão de um especialista. “Um eletro precisa ser feito para
sedentários com risco cardiovascular, por exemplo”, disse.
Para encerrar sua palestra, o especialista
canadense afirmou que a pessoa que conseguisse produzir
uma pílula com o mesmo efeito da atividade física, fica ria milionária! “O
exercício é contagiante! Por isso, fiquem perto de quem gosta de se
exercitar”, aconselhou.
Sinais Precoces
A Dra. Silva Arslanian (EUA) falou sobre os
“Sinais Precoces da Doença Cardiovascular no Jovem com Obesidade e DM2”.
Após explicar o que é Síndrome Metabólica, ela lançou o seguinte
questionamento: “Resistência insulínica ou obesidade – qual seria a força
impulsora das doenças cardiovasculares?”
A médica norte-americana salientou que, de
acordo com alguns estudos, a Síndrome dos Ovários Policísticos, o diabetes
tipo 2 e a obesidade em adolescentes são indicadores de resistência à
insulina. Outro dado mostrado nas pesquisas foi o de que a obesidade na
infância pode ser um indício de Síndrome Metabólica, quando esse paciente
for adulto. Pela possibilidade de
levar a doenças cardiovasculares, resistência insulínica, diabetes tipo 2,
dislipidemia, esteatose hepática e hipertensão, conclui-se a força
impulsora da obesidade.
E em meio a
tantas recomendações sobre atividade física, a organização do Diabetes
2007, presidido pelo Dr. Bruno Geloneze, programou a atividade “Prescreva
Saúde, Prescreva Exercícios”, como parte da campanha “E Você?”, iniciada
pela SBEM e abraçada pela SBD, ABESO e SOBEMOM.
Nos segundo e terceiros dias do congresso, os
participantes puderam escolher entre aulas de cycling indoor, ballness,
Fast (treinamento funcional) e Mat Pilates.
Vila Brasil
Uma das inovações
do Diabetes 2007 foi o projeto Vila Brasil – uma área do congresso
destinada à exposição de pôsteres, mostrando trabalhos desenvolvidos por
associações de pacientes, entidades governamentais e não governamentais em
prol da luta contra o diabetes. Diabesidade, genética,
transplantes, hipo e hiperglicemia, eventos macrovasculares, educação em
diabetes, pé diabético e outras complicações, transtornos alimentares,
premiação de trabalhos, entre outros, também fizeram parte da programação
científica do evento, que proporcionou bons debates e aquisição de novos
conhecimentos aos participantes.
 
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