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XII CBOSM
Alto Nível Científico no Congresso da
ABESO
Cerca de 2 mil
participantes, dois convidados estrangeiros de peso, uma programação
cuidadosamente preparada, alto nível nas apresentações e presença
expressiva nos mais variados horários marcaram o XII Congresso Brasileiro
de Obesidade e Síndrome Metabólica realizado em agosto, em São Paulo, SP.

Uma cerimônia de abertura “light, em
harmonia com o tema do congresso”, deu início ao XII CBOSM, segundo a
definição do presidente do evento, Dr. Marcio Mancini. Depois de afirmar
que o XII “deve ser o maior Congresso Brasileiro de Obesidade até hoje
realizado”, ele apresentou os estrangeiros convidados - Drs. Arne Astrup,
da Dinamarca, e Eric Ravussin, dos EUA. Novidades foram destacadas, como o
Prêmio Jovem Investigador e a inserção de Temas Livres entre as palestras
dos Simpósios.
Seguiram-se as rápidas e carinhosas
homenagens ao Dr. Renato Di Dio (um dos fundadores da Abeso, ausente por
motivos de saúde), apresentada pelo Dr. Mancini; e ao Dr. Amélio de
Godoy-Matos, a cargo do Dr. Alfredo Halpern.
Concluído o agradecimento do homenageado e
do presidente do congresso, todos passaram ao hall do Centro de
Convenções, onde um suave conjunto de música instrumental, ao vivo, fez o
pano de fundo para os encontros, as conversas e o coquetel.
A Primeira Conferência
O convidado estrangeiro Dr. Eric Ravussin,
dos EUA, abriu a parte científica do XII CBOSM com sua conferência, na
manhã do dia 17 de agosto. Em plenário praticamente lotado, ele apresentou
suas pesquisas atuais, realizadas no Pennington Biomedical Research Center,
sobre os efeitos da restrição de calorias sobre o envelhecimento em
indivíduos não obesos. Seu trabalho tenta comprovar que comer menos
prolonga a vida, o que já está bem estudado em animais, mas não em seres
humanos. O que concluiu até agora é que as células do corpo apresentam
maior qualidade sob restrição calórica: mais mitocôndrias funcionantes e
menos estresse oxidativo. O metabolismo fica mais quiescente, mas cai um
pouco a libido, segundo ele. As pesquisas prosseguem.
Tratamento da Obesidade
Infanto-Juvenil
Ainda na manhã do dia 17, dentro de
simpósio com este tema, o Dr. Mauro Fisberg lembrou que os hábitos
alimentares infanto-juvenis são, em geral, inadequados e que garantir o
crescimento dentro dos padrões é o desafio. Ele explicou em detalhes as
etapas do tratamento nutricional, mostrando cuidados para evitar o
fracasso total, e falou sobre as novas recomendações/ 2007 da Academia
Americana de Medicina.
Na palestra sobre Atividade Física, o Dr.
Victor Matsudo disse que pesquisas mostram que é cada vez maior o tempo
passado diante da TV pela população brasileira e que o sedentarismo mata:
“o gordinho ativo morre menos que o magro sedentário”, afirmou. O Dr.
Matsudo acredita que com mudanças comportamentais e no estilo de vida é
possível evitar a intervenção farmacológica. Ele citou a experiência da
cidade de Sorocaba, SP, que implantou diversas áreas de lazer e reduziu os
índices de doenças cardíacas e hipertensão.
Falando sobre Tratamento Farmacológico em
Crianças e Adolescentes, a Dra. Lucia Carraro disse que estudos mostram
prevalência da Síndrome Metabólica extremamente alta nesta faixa etária,
independente dos critérios usados. Segundo a especialista, a SM pode ser
prevenida, desde que precocemente. Ela apresentou estudos que consideram a
sibutramina uma droga segura; que apresentaram o orlistat como “de uso
limitado”, pois 1/3 dos participantes foi retirado do grupo de estudo por
efeitos colaterais; e melhora da resistência insulínica com a metformina,
entre outros benefícios observados.
Mecanismos Moleculares
de RI na Obesidade
A segunda conferência do primeiro dia do
XII CBOSM foi apresentada pelo Dr. Mario Saad, da Unicamp, que mostrou “de
maneira tecido-específico” cada um desses mecanismos. Inicialmente, falou
sobre a Resistência à Insulina (RI) no Sistema Nervoso Central, afirmando
que o animal obeso tem RI no hipotálamo e Resistência à Leptina no
SNC.
Além do Sistema Nervoso Central, ele
mostrou a RI no fígado, no músculo, no tecido adiposo e nos vasos. Segundo
o Dr. Saad, “o melhor entendimento destes mecanismos certamente vai fazer
com que possamos desenvolver mais drogas para combater a Resistência à
Insulina, e melhorá-la na obesidade e no diabetes tipo 2”. Ele afirmou que
“a questão principal não é só criar drogas novas. A partir do momento em
que entendermos os mecanismos, poderemos dar novos usos a drogas antigas”.
Segundo Dr. Saad, a médio prazo será possível testá-las para tratamento da
RI.
Bases Fisiopatológicas
da RI
No simpósio da tarde do dia 17 de agosto, o
Dr. Eric Ravussin apresentou a palestra
“O papel do tamanho dos adipócitos na RI”. O pesquisador acredita que,
quando o indivíduo tem dificuldade em ativar programas que levem à
diferenciação adipocítica, ao invés de fabricar muitos e pequenos
adipócitos, produz poucos e grandes. Nessa situação, o adipócito não
consegue absorver todo o ácido graxo proveniente da dieta. “Uma parte
acaba sendo incorporada no fígado e no músculo, o que potencializa a RI”,
afirmou.
O Dr. Licio Veloso, da Unicamp, disse
durante a palestra “Resistência Hipotalâmica à Insulina” que o grupo de
pesquisa do qual participa está tentando caracterizar os mecanismos
através dos quais a insulina e a leptina agem inadequadamente no
hipotálamo.
“Eles têm papel importante no hipotálamo: controlam e coordenam o
acoplamento entre a fome e o gasto de energia. Assim, “se ele deixa de
responder adequadamente aos dois hormônios, perde esta coordenação”. A
tendência é o ganho de peso. Ele apresentou informações para responder a
duas questões, entre várias outras: porque as pessoas perdem a resposta à
insulina e à leptina?; e como o ácido graxo presente na dieta pode
predispor à RI?
Na seqüência, o Dr. Josivan Lima, da UFRN,
falou sobre dislipidemia pós-prandial e resistência à insulina. Ele
comentou que cerca de 20 a 30% dos que têm eventos cardiovasculares
apresentam lipídios normais. “É que as dosagens são feitas em jejum e o
problema surge após a alimentação”, disse. O pesquisador mostrou que se
poderia dosar o triglicerídeo após a alimentação. “Nossos trabalhos
mostram que o triglicerídeo pós-prandial é um fator de risco
independente”, informou. Ele acrescentou que dois trabalhos importantes
publicados recentemente no JAMA, com mais de 20 mil pacientes estudados,
mostraram que, quanto maior o triglicerídeo pós- jejum – independente do
horário da refeição - , maior o risco para infarto, doença isquêmica do
coração e morte.
Livro e Jantar
No intervalo da tarde, uma rápida parada
para autógrafos no lançamento do livro dos Drs. Adriano Segal e Marcio
Mancini, no estande da ABESO: “Tudo que Você Precisa Saber Antes de
Reduzir seu Estômago – Guia completo da cirurgia da obesidade”, Editora
Brasiliense. No dia seguinte, pela manhã, repetiuse a sessão de
autógrafos.
À noite, o Dr. Mancini, presidente do XII
CBOSM, recebeu palestrantes e acompanhantes para o tradicional Jantar do
Presidente, no elegante restaurante do Jockey Clube de São Paulo. Mais de
100 convidados estiveram presentes.
Dr. Astrup: a
Importância do Tipo de Dieta
O segundo dia do XII CBOSM começou com uma
das apresentações mais esperadas: a conferência do Dr. Arne Astrup, da
Universidade de Copenhagen, Dinamarca.
Sobre tipos de dieta, afirmou que tudo leva
a crer que as pobres em gordura tendem mais a manter o peso; refrigerantes
e bebidas doces têm baixo poder sacietógeno, acrescem o valor calórico
diário, podendo contribuir para obesidade; as gorduras trans estão
associadas a riscos cardiovasculares, diabetes e maior tendência a
engordar, sendo totalmente abolidas na Dinamarca; sob o ponto de vista de
engordar menos, o cálculo do índice glicêmico não seria relevante; leite e
outros alimentos ricos em cálcio estariam associados à perda ou ao ganho
menor de peso; sobre o chocolate amargo, surpreendeu ao afirmar que estudo
comprovou que, após c o n s u m o do tipo amargo, sente-se menos fome nas
24 horas seguintes. Para concluir, consumo de frutas, verduras e grãos
ainda deve ser estimulado.
Diabetes e Obesidade
Dentro do simpósio com este tema, o Dr.
Bruno Geloneze, da Unicamp, apresentou palestra sobre Incretinas na
Diabesidade em que afirmou que cerca de 70% da secreção de insulina, após
a ingestão de glicose, é mediada pelas incretinas. “Elas estimulam esta
secreção, em concentração fisiológica, estimulando sua produção de maneira
glicose-dependente”, disse. Ao descrever o mecanismo das incretinas na
manutenção da glicemia, lançou a questão: o diabetes pode ser uma doença
intestinal? A resposta, ao final, foi positiva. O especialista afirmou que
“a leptina é um hormônio que tenta nos defender da obesidade”, enquanto o
GLP1 tem efeito anorexigênico. Portanto, a interação entre os dois pode
ser um mecanismo de defesa ou limitação da obesidade”. O que seria,
segundo ele, um “conceito polêmico, uma hipótese a ser questionada”.
Conferência: Tratamento
Cirúrgico
O Dr. Arthur Belarmino Garrido-Junior, do
HC da FMUSP, apresentou os três métodos cirúrgicos da obesidade, lembrando
que o mais utilizado, no Brasil e no mundo, é o bypass gástrico. Segundo
ele, a cirurgia da obesidade é hoje uma realidade “e já se esboçam
tratamentos cirúrgicos para pessoas menos obesas, que já apresentem
problemas metabólicos graves, principalmente o diabetes tipo 2”. O
especialista acha que “tudo indica que estas cirurgias vão se firmar como
novos recursos importantes no tratamento de doenças metabólicas em pessoas
não tão obesas”.
Também no dia 18, a Dra Luciana Bahia, da
UERJ, apresentou a palestra “Citocinas, Disfunção Endotelial e Resistência
à Insulina”. Ela comentou que várias adipocinas podem prejudicar a função
vascular, prejudicando as ações da insulina. Estudos conseguiram
demonstrar, segundo ela, que sensibilizadores de insulina, como metformina
e rosiglitazona, podem não só melhorar estas alterações metabólicas, como
também a função vascular em obesos jovens com SM, e em pessoas com DM2.
“No entendimento da relação entre SM, DM2 e doença cardiovascular, é
fundamental o entendimento da função do endotélio e o papel das
substâncias secretadas pelo tecido adiposo e pelo vaso”, concluiu.
Eleita Diretoria ABESO
2008/2009
Na tarde do dia 18, os associados da ABESO
se reuniram em Assembléia Geral Ordinária, em que aprovaram as contas da
gestão 2006/ 2007; ouviram relato sobre as conquistas do período; elegeram
a nova diretoria 2008/2009 e foram informados sobre o próximo congresso.
A
diretoria eleita para o próximo biênio é encabeçada pelos Drs. Marcio
Mancini, presidente, e Bruno Geloneze, vice-presidente; João Eduardo Nunes
Salles, 1° secretário; Josivan Gomes de Lima, 2° secretário; Mario Carra,
tesoureiro. No Conselho Fiscal estão Adriano Segal, Claudia Cozer e Mônica
Beyruti, tendo como suplentes Mônica Cabral e Perseu Seixas. Os diretores
pela SBEM são Fátima S. Afonso, Josivan Lima e Zuleika Halpern. Foram
apresentados três sócios honorários, categoria recém criada: Renato Di Dio,
Alfredo Halpern e Eric Ravussin.
Os associados foram comunicados de que
Salvador, Bahia, será a sede do XIII CBOSM, a ser presidido pela Dra.
Leila Araújo, em 2009. Nos anos pares haverá sempre um Simpósio de
Síndrome Metabólica, sendo o próximo nos dias 30 e 31 de maio de 2008, em
Curitiba, PR.
A Festa
Na noite de sábado, aconteceu a tão
esperada Festa de Confraternização, reunindo centenas de convidados no
Espaço Gardens, para uma noite de muita música, dança, animação. Os
participantes foram recebidos com flashes dos fotógrafos contratados,
dando a todos tratamento de celebridade. Na saída, as fotos eram
entregues. Durante toda a festa a pista de dança permaneceu lotada, indo
até as 2 da madrugada.
Manhã de Encerramento
Apesar da festa na noite anterior, a
platéia estava cheia, às 8 horas, na conferência “Tratamento Farmacológico
da Obesidade – Atualização”, pelo Dr. Henrique Suplicy (foto abaixo, à
esquerda), da UFPR, atual presidente da ABESO. Ele abordou passado,
presente e futuro dos tratamentos, incluindo os alternativos, em
apresentação clara e informativa.
Entre os pontos que ressaltou, estão: a
utilização das formulações magistrais no tratamento da obesidade – há anos
proibidas pela ANVISA, mas que continuam sendo praticadas, usando diversos
artifícios para burlar a lei – e a questão dos alternativos. “Fala-se muito que os fitoterápicos são
inofensivos, mas vemos que têm efeitos colaterais, e não fazem perder
peso”, comentou. Dr. Suplicy informou que em maio de 2008 entrará em vigor
Resolução da ANVISA que obrigará todas as farmácias do país a comunicar
online a venda de medicamentos controlados.
Após três simpósios com palestras
concorridas, chegou ao fim o XII CBOSM, em cerimônia comandada pelo seu
presidente, Marcio Mancini (foto acima, à direita) que agradeceu às
comissões, patrocinadores, expositores, à empresa organizadora e demais
colaboradores. Para encerrar, foram anunciadas as ganhadoras nas duas
áreas previstas no Prêmio Jovem Investigador, da ABESO: Cristiane M. de
Moraes (área clínica) e Ananda Lages Rodrigues (área básica). Cada uma
recebeu um cheque de 3 mil reais. Os Drs. Alfredo Halpern e Henrique
Suplicy, respectivamente, fizeram a entrega das premiações.
 
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