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Cirurgia Bariátrica I – O Dr. Bruno Geloneze trata do assunto em alentado artigo de revisão (em parceria com Dr. José Carlos Pareja) e em seu editorial.

Cirurgia Bariátrica II - Entrevistas dos Drs J.C. Pareja e Cid Pitombo, dois dos maiores especialistas brasileiros, formam painel esclarecedor sobre o assunto.

A Obesidade Continua Vencendo a Medicina*

Dr. Ney Cavalcanti

Apesar da grande maioria dos portadores de excesso de peso vir a tentar, ou já ter tentado, se livrar desse problema, a obesidade continua aumentando de maneira assustadora.

Dezenas de bilhões de dólares são gastos todos os anos nas pesquisas e nas tentativas terapêuticas, dietéticas e medicamentosas dessa doença.

A globalização, por outro lado, democratizou a obesidade. Este talvez seja o maior problema de saúde pública – devido às complicações que acarreta como diabetes, hipertensão, cardiopatia etc. – de um grande número de países, ricos e pobres.

A Medicina, que ainda não conhece as causas reais da doença, transmitiu para a sociedade, durante muito tempo, a falsa idéia de que o excesso decorria de falha no caráter. Comilão, preguiçoso, sem força de vontade, com problemas emocionais graves seriam as causas do excesso de peso.

Enorme Injustiça

Esses problemas, quando existem, têm igual freqüência entre os obesos e
os de peso normal. Ressalte-se que os sintomas emocionais, quando presentes,
são quase sempre conseqüências da discriminação que sofrem, e não a causa da
doença. O fato de se afirmar que todo gordinho é simpático talvez seja uma tentativa de agradar os outros para ser menos discriminado.

Uma pesquisa recente, realizada por uma universidade americana, revela a profundidade do problema. Para não ter excesso de peso, 5% daria um ano de vida, 15% a 30% tinha preferência a perder o companheiro, ser alcoólatra ou depressivo. E mais surpreendentemente, 5% perderia um braço e 4% ficaria cego.

Todo mundo é contra o excesso de peso; por que cada vez mais as pessoas engordam? A resposta definitiva ainda é desconhecida e possivelmente valerá o prêmio Nobel de
Medicina. As mudanças que a civilização nos trouxe são, provavelmente, as causas ou as maiores contribuições para o seu grande aumento. Novos hábitos introduzidos pela industrialização, a propaganda de alimentos mais calóricos e o estilo de vida, cada vez com menos atividade física, são alguns deles.

Como as terapêuticas atuais ainda não são capazes de resolver a maioria dos casos, por ser muito difícil a mudança de hábitos dos adultos, o grande caminho parece ser o da prevenção. Também esta estratégia não tem tido êxito. Nos Estados Unidos, a obesidade nos últimos anos duplicou nas crianças de 6 a 11 anos e triplicou entre 12 e 19 anos.

Uma das causas que tem contribuído para isso parece ser a propaganda de alimentos não nutritivos e muito calóricos na TV para as crianças.

Todas as mulheres que estão com sobrepeso aos 18 anos têm uma grande chance de morrerem mais cedo, como descreve o trabalho publicado na prestigiada
revista científica Annals of Internal Medicine, no seu número de 18 de Julho do corrente ano.

Nesta pesquisa, foram seguidas mais de 100 mil enfermeiras que estavam com sobrepeso aos 18 anos e que teriam uma sobrevida provável entre 36 e 56 anos. Elas também fumavam, bebiam e faziam menos exercícios. Neste estudo, as que eram obesas tinham uma probabilidade duas vezes maior de morrerem mais precocemente. As causas de morte foram: câncer, doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, entre outras.

De acordo com recente levantamento, 25 milhões de crianças e adolescentes estão obesos nos Estados Unidos e as tentativas de criação de leis, para a sua regulamentação, têm sido bloqueadas pela indústria de alimentos. Afinal, só o McDonald’s fatura 24,4 bilhões de dólares/ano.

Assim, o maior culpado pelo excesso de peso não é o paciente, mas sim a sociedade e a Medicina.

Referência:

Annals of Internal Medicine July 18, 2006; 145(2): 91-97
Artigo reproduzido do site da Sociedade Brasileira de Diabetes:
*http://www.diabetes.org.br/diabeteshoje/index.php?id=164