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Palavra do Presidente
Excesso
de Informação Médica para a População Leiga
Até recentemente os pacientes obtinham de seus
médicos o conhecimento de assuntos relacionados à medicina. Atualmente este
conhecimento é obtido na internet, em websites, TVs a cabo, programas médicos,
revistas e jornais, que têm ânsia pela última novidade. O número de páginas
nas revistas leigas com assuntos médicos quadruplicou nos últimos 20 anos.
Antes de receber as revistas científicas que assinamos, já tomamos
conhecimento de seus artigos pela imprensa leiga, que os publica geralmente de
forma sensacionalista.
Vou comentar um segmento destas notícias, a
alimentação, que diz respeito à ABESO, mas que pode ser extrapolado para
qualquer outro setor da medicina.
Peixes - Fazem bem devido ao ômega 3, mas em 2001
surgiram preocupações com o mercúrio que os peixes contêm e, em 2004, os
peixes foram inocentados...
Ovos - Na década de 80 eram contra-indicados, pois
contribuíam para a doença cardiovascular.
Na década de 90 surgem estudos com conclusões
desencontradas, alguns dizendo que a ingestão de ovos não aumenta o
colesterol...
Leite - Dietas ricas em laticínios são indicadas
para prevenção de osteoporose. Em 1997 a Universidade de Harvard publicou um
estudo que mostra que mulheres que bebem mais leite não sofrem menos fraturas
...
Café - Os especialistas acreditavam que o café
poderia causar hipertensão e doença coronariana.
Estudos de 1990 refutam esta relação. Em 2002 um
estudo do Johns Hopkins revelou que pessoas que bebem café têm pressão
arterial mais alta do que as que não bebem, mas que o café não é o fator
determinante da hipertensão...
Vinho tinto - No início da década de 90,
descobriu-se que o vinho contém substâncias benéficas ao coração. Mas em 1996
um estudo de Harvard revelou que não só o vinho tinto, mas qualquer bebida
alcoólica seria benéfica ao coração. Agora os especialistas dizem que uma a
duas taças ao dia podem
ser benéficas, mas devemos ter cuidado com o alcoolismo....
Gorduras - Todas eram maléficas, agora algumas são
boas. Alguns alimentos fat free são altamente calóricos. A margarina era
melhor que a manteiga, que contém gordura saturada, mas atualmente a margarina
virou veneno, pois tem gordura trans...
Se para nós, médicos, é difícil interpretar estes
fatos, imaginem para a população leiga que se depara com estas informações
díspares todos os dias.
O grande desafio nas pesquisas com alimentos é
que, além das variáveis genéticas e de estilo de vida de cada indivíduo,
ninguém consegue comer apenas um tipo de alimento.
Os cientistas devem reportar seus achados da forma
mais palatável possível, mas tendo consciência de que a realidade é bem mais
complexa. Todos procuram uma solução imediata, tentando colocar as suas
conclusões como definitivas, mas ciência leva tempo.
E como fica a população que muda seu estilo de
vida de acordo com a última pesquisa? Podemos dizer: tome a última pesquisa
com um pouco de sal ou de açúcar, mas cuidado, pois isto pode não ser
saudável.
Um grande abraço,
Henrique Suplicy
Presidente da ABESO 206/2007
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