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Tese de Doutorado – Pesquisadora Claudia Cezar apresenta trabalho acadêmico em que avaliou estado nutricional de escolares do Município de São Paulo. A professora Silvia Cozzolino também faz seu comentário.

Grupo sobre Obesidade – Criado recentemente, o Grupo de Especialidades para o Tratamento de Obesidade quer interagir com órgãos governamentais e imprensa.

O professor e pesquisador carioca Gilberto Kac, principal autor da pesquisa “Prevalência de Morbidades Psiquiátricas Menores em Mulheres Selecionadas em um Centro de Saúde no Rio de Janeiro”, escreveu comentário sobre seu trabalho e deu entrevista à reportagem da Revista ABESO. Veja a seguir.

“O artigo que está sendo comentado faz parte de um conjunto de trabalhos que publiquei nos últimos sete anos. Todos eles derivam do primeiro projeto de pesquisa que desenvolvi no Instituto de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Esse projeto se constituiu em uma coorte com quatrocentos e setenta e nove mulheres acompanhadas por nove meses pósparto, entre maio de 1999 e abril de 2001, no Município do Rio de Janeiro. Os primeiros dados analisados foram objeto de minha Tese de Doutorado, defendida na Faculdade de Saúde Publica da Universidade de São Paulo, em dezembro de 2002. Nos últimos quatro anos, duas outras teses e uma dissertação foram defendidas com base nessa pesquisa. O projeto original tinha como objetivo estudar diversos aspectos determinantes da saúde e nutrição de mulheres no pós-parto, pois havia identificado, à época, que esse grupo era negligenciado no acompanhamento médico e nutricional. O artigo, recentemente publicado em Cadernos de Saúde Pública, descreve um dos interesses da pesquisa: estudar a relação entre saúde mental e estado nutricional. Nesse estudo investigamos a relação entre transtornos mentais comuns (TMC) e estado nutricional. Utilizamos um instrumento conhecido como GHQ (General Health Questionnaire), desenvolvido para o rastreamento de TMC na clínica geral e atenção primária.  Os itens do GHQ cobrem sentimentos de tensão, depressão, incapacidade de lidar com situações habituais, ansiedade e falta de confiança. Observamos elevadas prevalências de TMC, sobretudo em mulheres mais pobres e com menos escolaridade. A relação inversa entre transtorno mental e classe econômica é um dos resultados mais consistentes dos estudos epidemiológicos populacionais e de atenção primária no Brasil. O que nos chamou atenção foi a relação entre obesidade no pós-parto e TMC, que ainda não foi suficientemente estudada e merece ser aprofundada em estudos futuros”.

Gilberto Kac

Pesquisador e professor do Instituto de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro; pesquisador do CNPq.

Transtornos Mentais e Classe Econômica

O pesquisador Gilberto Kac, do Rio de Janeiro, explica que o tema central de seu trabalho – morbidades psiquiátricas menores – são transtornos muito comuns e de difícil caracterização. “A maioria dos indivíduos com estas morbidades apresenta queixas como tristeza, ansiedade, fadiga, diminuição da concentração, preocupação somática, irritabilidade e insônia.

O interesse do professor Gilberto Kac pelo assunto vem do fato “de considerar a manutenção de uma boa saúde mental um dos aspectos cruciais na sociedade moderna”. Ele acrescenta que se deve “levar em conta a importância de aspectos da saúde mental e sua relação com a nutrição, mais especificamente o estadonutricional”.

Sobre o que o levou a relacionar as morbidades psiquiátricas menores com o estado nutricional em mulheres em idade reprodutiva, o pesquisador disse que foi seu interesse pela epidemiologia nutricional da saúde materno-infantil e que, até poucos anos atrás, “eram escassos os estudos epidemiológicos com mulheres no pós-parto”. Segundo ele, recentemente este interesse se ampliou, “a ponto de na coorte observacional de gestantes que está atualmente em curso, estarmos estudando depressão e ansiedade na gestação, além de depressão pós-parto”.

Os Números

A prevalência de morbidades psiquiátricas menores no estudo, de acordo com Gilberto Kac, foi de 54,2%. “As maiores prevalências de MPM foram observadas em mulheres pertencentes a famílias com o mais baixo quartil de renda (65,4%); com escolaridade <4 anos (65,8%); solteiras (62,5%); com três ou mais filhos (62,9%); e com gordura corporal medida pela bioimpedância >= 30% (61,8%)”. Estes valores, segundo o pesquisador, são altos quando comparados a outros estudos com amostras de indivíduos brasileiros. Como exemplo, o realizado em Olinda, PE, “onde se observou prevalência global de 35% para adultos de ambos os sexos com 15 anos ou mais. Ou mesmo na amostra de adultos investigada pelo Estudo Pró-Saúde, realizado em amostra de funcionários da UERJ, que verificou prevalências de 34,5% e 22,3% para mulheres e homens, respectivamente”.

Prevalências

O professor Gilberto Kac ressalta que as prevalências observadas são comparáveis, em termos de magnitude, “sobretudo às de estudos realizados em unidades de saúde”. Os resultados também são semelhantes, “em relação à magnitude do risco”, com os observados por Ludemir & Melo-Filho, baseado em amostra domiciliar aleatória com 621 adultos, que utilizou o GHQ (General Health Questionnaire) 20. Segundo os autores deste estudo, a maior prevalência de MPM ocorreu entre indivíduos analfabetos (49,7%) e com renda per capita menor que 0,25 salários mínimos (55,7%). Para o pesquisador Gilberto, “a relação inversa entre transtorno mental e classe econômica é um dos resultados mais consistentes dos estudos epidemiológicos populacionais e de atenção primária no Brasil”. Segundo ele, a relação entre maior risco de morbidades psiquiátricas menores e condições desfavoráveis, como baixa escolaridade e renda, “já está relativamente bem documentada”. Por outro lado, lembra Gilberto Kac, “a maior propensão em apresentar morbidades psiquiátricas menores em mulheres obesas ainda não foi suficientemente estudada, mas uma
hipótese consiste no maior potencial de consumo energético, devido ao componente GHQ associado à ansiedade”, finaliza.