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ENTREVISTA: Dr. Henrique Suplicy
9o Congresso de Obesidade une conhecimento e confraternização



Este ano traz uma mudança na área de eventos de obesidade. O Simpósio Internacional de Obesidade (SISO), por decisão do Conselho Deliberativo da ABESO, passou a ser denominado Congresso Brasileiro de Obesidade. A mudança de nome tem justificativa: os últimos SISO fizeram tanto sucesso que o simpósio passou a ter caráter de congresso.

Mestrado em Endocrinologia no IEDE; professor da especialidade na Universidade Federal do Paraná; responsável pelo Serviço de Obesidade do Hospital de Clínicas da UFPR e presidente da Regional do Paraná da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o Dr. Henrique Suplicy vai presidir o 9o Congresso Brasileiro de Obesidade. Lançando mão de toda a sua experiência - acumulada desde sua participação na diretoria da SBEM em 1994 - e seu prestígio junto à ABESO e outras entidades, o Dr. Henrique espera realizar um excelente evento. Nesta entrevista ele fala sobre a organização do encontro e o problema da obesidade no País.


Como está sendo organizado o 9o Congresso Brasileiro de Obesidade?

O 9o Congresso acontecerá de 16 a 19 de agosto de 2001, em Foz do Iguaçu, no Paraná. O Hotel Bourbon, onde o encontro se realizará, tem 311 apartamentos e uma estrutura capaz de comportar 2.500 pessoas em 6 salas de apoio com capacidade para 130 pessoas, uma para 700, outra para 1.400 pessoas e mais salas complementares. Já a área de exposições tem espaço para montagem de até 56 estandes. Próximo ao Hotel Bourbon localiza-se o Hotel Mabu Termas, também categoria 5 estrelas, e vários outras opções de hospedagem para os congressistas. 

Antes de aceitar o encargo de presidir o congresso, conversei com a Dra. Rosana Radominski para obter o seu apoio como membro da Comissão Organizadora. Além da Rosana, fazem parte o Dr. Cesar Luiz Boguszewski, a Dra. Fátima Corrêa Sandmann Afonso e a nutricionista Maria Emilia D.Von der Heyde. A secretaria executiva do congresso ficou a cargo da Idealiza Eventos, com larga experiência na área da Endocrinologia. Este grupo tem se reunido semanalmente com o objetivo e a expectativa de realizar um excelente congresso.


"Devemos nos preocupar com o tratamento, mas principalmente com a prevenção da obesidade"


Que resultados o congresso busca atingir?

Todo congresso tem dois objetivos principais: o científico e o social. O objetivo científico é difundir conhecimento na área da obesidade e colocar o endocrinologista clínico em contato com o pesquisador, conferencista estrangeiro e estudioso do assunto. O objetivo social, tão importante quanto o científico, é encontrar velhos e novos amigos, pessoas que tem um objetivo comum. O 9o Congresso visa estes dois resultados: difundir o conhecimento e promover a confraternização.


Em números, quais são as expectativas do 9o Congresso?

A expectativa da Comissão Organizadora está baseada nos dados do 8o SISO. O Dr Nelson Rassi foi o presidente deste excelente evento científico, realizado em 1999 em Goiânia, com 1400 Congressistas e 80 trabalhos científicos apresentados na sessão de posters. Esperamos igualar estes números.


Quais os principais temas abordados no programa do congresso?

A programação científica será bastante abrangente, com temas sobre genética, biologia molecular, balanço energético, prevenção da obesidade, epidemiologia, obesidade infantil, co-morbidades , síndrome plurimetabólica, tratamento (orientação nutricional, exercícios, medicamentos, perspectivas) e cirurgia bariátrica para obesos mórbidos. 


Como foi escolhido o programa científico do congresso?

O programa científico está sendo estruturado pela Comissão Organizadora, com o auxílio da Comissão Científica, presidida pelo Dr Alfredo Halpern. O critério utilizado é o de nos colocarmos no lugar do congressista, para entendermos os seus anseios e podermos supri-los.


"A prevalência da obesidade vem aumentando
no mundo todo, não somente em crianças
mas em todas as faixas etárias"


O tema "Transtornos Alimentares" tem sido muito debatido ultimamente. Como vê sua relação com o crescimento da obesidade?

Este tema é extremamente importante e vai ser motivo de um simpósio pré-congresso no dia 16, das 14 às 18 horas. Pela proximidade de Foz do Iguaçu com Argentina e Paraguai, o Dr Walmir Coutinho sugeriu a realização de um Simpósio de Integração entre os países do cone-sul. O tema "Transtornos Alimentares" foi escolhido para o simpósio que será liderado pelo Dr. Julio Montero (Presidente da FLASO), juntamente com seus colegas argentinos.


O Brasil é um país de peso nas pesquisas de obesidade?

Infelizmente, não. Acredito que há duas razões para isto. A primeira, bastante óbvia, é a dificuldade que existe no Brasil para pesquisa científica em qualquer área . A segunda é que a obesidade, até pouco tempo atrás, era considerada pelos Endocrinologistas como "sub-ciência". Havia no País apenas um grupo muito pequeno de endocrinologistas que acreditavam na obesidade e que trabalhavam no sentido de promovê-la cientificamente. A descoberta da leptina foi um marco para que a obesidade passasse a ser encarada com a seriedade científica que merece.


Em termos de tratamento, quais as perspectivas para os próximos anos ?

Vários fármacos com ação anorexígena e termogênica estão sendo pesquisados. Entre eles a leptina, topiramato, wellbutrin, neuropeptídeos, UCPs e agonistas do receptor beta 3. 


A obesidade precoce está aumentando. Como o senhor explica o número de crianças obesas?

A prevalência da obesidade vem aumentando no mundo todo, não somente em crianças, mas em todas as faixas etárias. Este fato preocupante também tem sido observado no Brasil. Levantamentos efetuados em 1975 e 1997 revelam que a prevalência da obesidade no País aumentou de 8 para 13% em mulheres, de 3 para 7% em homens e de 3 para 15% em crianças. A diferença no aumento foi maior em crianças por duas razões: a diminuição da atividade física, as crianças estão trocando as brincadeiras ao ar livre por televisão, computadores e vídeo-games; e uma alimentação saudável por alimentos industrializados, promovidos pela mídia, muito palatáveis e altamente calóricos. Devemos nos preocupar com o tratamento, mas principalmente com a prevenção.


A genética continua sendo o fator mais significativo para a obesidade?

O fator genético, sem dúvida, é extremamente importante na gênese da obesidade. Costumamos dizer, brincando, que é gordo quem pode (tem genética) e não quem quer. Mas os gens não mudaram significativamente nas duas ultimas décadas e, no entanto, a prevalência da obesidade aumentou muito. Na realidade, a obesidade é uma condição multideterminada em cuja etiologia, além da genética, estão os fatores ingestão de alimentos e diminuição da atividade física. 


O senhor considera alto e preocupante o preconceito que existe contra o obeso?

Além dos sofrimentos físicos próprios da obesidade, os gordos também são vítimas de uma pressão psicológica, por vezes velada. Ser gordo é pertencer a uma categoria social à parte, é ser tratado de modo especial, é ter que vestir roupas compradas em lojas especializadas, é ter apelidos depreciativos, é ser inferior, é ser sexualmente desinteressante. O sentimento de inferioridade dos gordos é reforçado pelas atitudes irônicas, maldosas e agressivas das pessoas que os cercam e que com eles convivem.

Para obter mais informações sobre o Congresso Brasileiro de Obesidade de 2001 entre em contato com a Idealiza Eventos, pelo telefone (41) 342 7175 ou e-mail: suplicy@onda.com.br .