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Editorial

A Palavra do Presidente:
A Obesidade e o Endocrinologista
Quando iniciamos a nossa carreira de Médico Endocrinologista, há mais de 30 anos, a maioria dos pacientes que procurava o nosso consultório tinha excesso de peso e achava que isso acontecia devido a um distúrbio “das glândulas”, especificamente da glândula Tireóide, pois havia uma crença muito difundida que associava uma hipofunção da tireóide ao acúmulo de gordura no corpo. Este fato era reforçado por um exame feito por um complexo aparelho que media o consumo de oxigênio num sistema fechado, em jejum e em repouso, chamado de “Metabolismo Basal”. Os pacientes que tinham um baixo consumo de oxigênio tinham uma taxa metabólica basal mais baixa quando comparados ao padrão de normalidade fornecido pelas tabelas de
Dubois, que relacionavam esse consumo à idade, ao sexo, ao peso e à altura de indivíduos considerados normais; o padrão ia de + 10 a -10 % do consumo de oxigênio da normalidade. Os valores acima desse padrão eram relacionados com o excesso de funcionamento da tireóide e os valores abaixo dele eram relacionados com a diminuição do funcionamento da tireóide. Infelizmente os obesos, na sua maioria, tinham valores baixos; este fato é hoje bem explicado graças ao método da câmara metabólica nos estudos de calorimetria, no qual se verifica que, para cumprir as mesmas tarefas, os obesos gastam menos calorias do que indivíduos normais e, com isso, “queimam” menos oxigênio. Portanto, além da suposição popular que dizia que a obesidade era uma doença das glândulas, o gordo tinha um comprovante laboratorial de que o distúrbio era glandular, atribuível à Tireóide, logo, tinha que procurar um Endocrinologista para ser tratado.
Hoje cada vez mais constatamos que a obesidade é uma enfermidade complexa, com inúmeras comorbidades e que o Endocrinologista é o seu especialista, não pelos fatos históricos relatados acima, mas por dados muito bem documentados e baseados em evidências científicas que comprovam que o tecido adiposo não é apenas um depósito de graxa, energética inerte de limitada serventia, mas que é um tecido metabolicamente muito ativo, capaz de produzir uma grande quantidade de hormônios de variadas ações em diversos sistemas capazes de causar, contribuir ou agravar uma série de enfermidades crônicas degenerativas que são as maiores causas da mortalidade do homem adulto do nosso século como, por exemplo, a Hipertensão Arterial Sistêmica, assunto de dois artigos do presente volume escritos pelo Cardiologista Diovanni Berlese e pela Endocrinologista Aline M.
Swarowsky.
Dr. Giuseppe Repetto
Presidente da ABESO
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