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Organismo Também Produz Gordura
Boa
Por Paula Camila Rodrigues
03 de Setembro de 2008
A palavra gordura é sempre
associada a malefícios para o corpo e para a saúde. No entanto, além da gordura
branca, que acumula energia no corpo, o organismo produz a gordura marrom. Esta
ajuda na queima de calorias, pois tem a capacidade de gerar calor corporal.
Além da indesejada gordura branca,
cuja função é acumular energia no corpo, o organismo também produz a gordura
marrom, que auxilia a queima de calorias ao gerar calor corporal. Duas equipes
de pesquisas identificaram alguns fatores que regulam a formação da gordura
marrom.
Ambas as pesquisas foram publicadas
na revista Nature. Segundo os pesquisadores, as descobertas poderão ajudar a
desenvolver novas formas de tratamento contra a obesidade
O grupo coordenado por Yu-Hua Tseng,
do Centro de Diabetes Joslin, da Escola de Medicina Harvard, mostrou que a
proteína morfogenética óssea 7 (BMP7, na sigla em inglês) pode promover a
formação de gordura marrom. Essa substância é conhecida por seu papel no
crescimento dos ossos.
A pesquisa da equipe de Bruce
Spiegelman, do Instituto do Câncer Dana-Farber, nos EUA, concluiu que o gene
PRDM16 regula a transformação de células em músculos ou gordura marrom. A
ausência desse gene leva a célula a se tornar músculo e o seu excesso faz com
que ela se torne gordura marrom. Já a gordura branca se forma a partir de um
outro tipo celular.
Na pesquisa realizada por Tseng, os
cientistas identificaram, nos testes em camundongos, que a proteína BMP7 leva
células que dão origem às de gordura marrom maduras. “Enquanto as células de
gordura branca correspondem à forma ‘convencional’ de gordura, cuja função é
armazenar energia, a gordura marrom tem o papel de queimar calorias ao gerar
calor corporal. Essas células de gordura marrom desaparecem, em sua maioria, do
corpo de humanos adultos, mas suas precursoras permanecem no corpo”, explicou
Tseng.
Em 2005, uma pesquisa desse grupo
encontrou genes que controlam a criação de células precursoras de gordura
marrom. Outro trabalho mais recente identificou grupos de células de gordura
marrom espalhados entre fibras musculares de camundongos.
A pesquisa mais recente identificou
a BMP7 como a proteína capaz de induzir a formação e função das células de
gordura marrom. Quando colocada em camundongos, usando um adenovírus como
vetor, os estudiosos puderam notar um aumento do desenvolvimento desse tipo de
gordura. Em outra experiência, os camundongos que desenvolveram mais gordura
marrom ganharam menos peso do que os outros.
Segundo os pesquisadores, esse
trabalho promoveu avanço em uma questão fundamental, que é saber o que controla
o desenvolvimento dos depósitos de gordura. Concluiu-se que vários componentes
da família de proteínas BMP, que regulam a formação de órgãos durante o
desenvolvimento embrionário, determinam a formação das gorduras marrom e
branca.
Já a pesquisa feita por Spiegelman
confirmou que o PRDM16 é o regulador-mestre do desenvolvimento de gordura
marrom. “Isso levará a prosseguir com a pesquisa para descobrir se drogas que
estimulam o PRDM16 em camundongos – e potencialmente em humanos – podem
converter gordura branca em gordura marrom, a fim de tratar a obesidade”, disse
o cientista.
De acordo com Spiegelman, outra
alternativa seria o transplante de células de gordura marrom em pessoas com
sobrepeso, com a finalidade de desencadear o processo de queima de calorias. O
estudioso diz que há uma evidência convincente de que o PRDM16 pode transformar
outras células em gordura marrom.
Ambas as pesquisas podem ser lidas
pelos assinantes da Nature em
www.nature.com
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