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Alimentos Pouco Saudáveis São
Maioria na Propaganda
Por Beth Santos
26 de Junho de 2008
Fast-food, guloseimas, sorvetes, refrigerantes, sucos artificiais,
salgadinhos de pacote, biscoitos doces e bolos – ou seja, bebidas e comidas com
alto teor de gorduras, sal e açúcar – representam 72% do total de anúncios de
alimentos veiculados na TV brasileira. Esta foi a principal conclusão da
pesquisa divulgada, dia 26 de junho, por pesquisadoras da Universidade de
Brasília. O trabalho (Pesquisa de Monitoração de Propaganda de Alimentos
Visando à Prática da Alimentação Saudável), que levou um ano para ser
concluído, teve financiamento do Ministério da Saúde e CNPQ.
Foram analisadas 128.525 peças publicitárias, num total de 4.108 horas de
programação, além de 18.689 anúncios em revistas. Publicações infantis, para
adolescentes e mulheres são as que divulgam com maior freqüência a publicidade
de alimentos, especialmente os industrializados.
A coordenadora-geral da Política de Alimentação e Nutrição do Ministério da
Saúde, Ana Beatriz Vasconcellos, comenta que “o público infantil é o mais
vulnerável aos apelos promocionais, não só porque define a compra da família,
mas também porque é o consumidor do futuro”. Segundo ela, “a propaganda
influencia as escolhas alimentares e, por isso mesmo, é preciso estar atento a
ela quando se define planos e estratégias de promoção da alimentação saudável”.
Ana Beatriz Vasconcellos afirma que a alimentação do brasileiro está se
tornando problemática. “Isso é percebido pelo elevado número de doenças
crônicas no país: 60% dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) são gastos
com o tratamento de doenças como hipertensão, diabetes, doenças coronarianas
etc, que têm na alimentação um fator de risco”.
Restrição de Horário
Representantes do governo, da sociedade civil, Ministério Público e
instituições de ensino superior reuniram-se, no mesmo dia 26 de junho em que a
pesquisa foi divulgada, para discutir práticas abusivas da publicidade e o
estabelecimento de estratégias conjuntas para adoção de mecanismos mais
responsáveis de promoção comercial. Cogita-se, entre outras medidas, a
proibição de veiculação de propaganda destes alimentos das 6 às 21 horas.
A reunião pretendeu, ainda, dar visibilidade à proposta de Consulta Pública nº
71 da ANVISA, que dispõe sobre a oferta, propaganda e publicidade de alimentos
com quantidades elevadas de açúcar, gordura saturada, gordura trans e sódio. A
gerente de Monitoramento e Fiscalização de Propaganda da ANVISA, Maria José
Fagundes, esclarece que o objetivo é transformar a proposta numa resolução
definitiva.
Especialistas Comentam
A nutricionista Mônica Beyruti, do Departamento de Nutrição da Associação
Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), comenta
que as medidas que estão sendo tomadas são, sem dúvida, “mais um passo positivo
na luta contra a obesidade que, se prevenida, evita que outros problemas de
saúde a ela vinculados – como diabetes, hipertensão, cardiopatias etc – se
desenvolvam”.
Segundo ela, as medidas “trazem, com certeza, pontos positivos. Porém, o mais
importante ainda é conscientizar a população sobre os malefícios trazidos pela
alimentação desequilibrada. E isto deve ser feito desde cedo, com as crianças”.
Com ela concorda o endocrinologista João Eduardo Salles, membro da ABESO e
coordenador do site da entidade. Segundo ele, a educação alimentar deve começar
principalmente nos hábitos dos pais. “O mais importante seria mudar a maneira
de preparar os alimentos e não comprar aqueles direcionados ao público infantil
com densidade calórica alta, como biscoitos recheados, salgadinhos, chocolates
e doces”. Medidas como a restrição na veiculação de propaganda de alimentos
“certamente são um primeiro passo para o controle da obesidade infantil, mas
não dispensa a educação de pais e familiares”, opina.
A nutricionista Mônica Beyruti acha que não assistir a propagandas de alimentos
reduz o consumo, “mas o que fazemos com os alimentos que trazem brinquedinhos
de brinde?”, questiona. “Se a criança vai ao mercado com a mãe, pede o alimento
por causa do brinquedo. Quer dizer, ela come o alimento para ter o
brinquedinho. Por que as verduras não trazem brinquedinhos também?”. E encerra:
“conscientização é a questão. Proibir não resolve”.
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