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Perguntas Frequentes » Departamento de Psiquiatria e Transtornos Alimentares

1 - Sou nutricionista e trabalho com obesidade e cirurgia bariátrica. Gostaria de saber uma referência bibliográfica para que eu possa entender mais sobre transtornos alimentares x obesidade . Pelo que tenho lido, na nomenclatura existem algumas diferenças , ou estou errada ? O termo " beliscador" existe ? Existe uma outra nomenclatura ? É o mesmo que nibling ? E craving ?

Sua mensagem foi encaminhada ao Dr. Adriano Segal, coordenador do
Departamento de Psiquiatria da ABESO, que enviou a seguinte resposta:


Nibbling é o mesmo que beliscador mas não é um transtorno alimentar.
Craving significa um intenso desejo por alguma coisa (álcool, comidas específicas, etc).
Quanto às referências:

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. - Diagnostic and statistical manual of mental disorders. (DSM-4).
Washington, DC., American Psychiatric Press, 1994.

YANOVSKI, S.Z. – Obesity and eating disorders. In: BRAY, G.A.; BOUCHARD, C.; JAMES, W.P.T. eds., -
Handbook of obesity. New York, Marcel Dekker, 1998. p.115-128.

WILLIAMSON, D.A.; O’NEIL, P.M. - Behavioral and psychological correlates of obesity. In: BRAY, G.A.; BOUCHARD, C.; JAMES, W.P.T. eds., - Handbook of obesity. New York, Marcel Dekker, 1998. p.129-142.

ELDREDGE, K.L.; AGRAS, W.S. - Weight and shape overconcern and emotional eating in binge eating disorder. Int.J.Eat.Disord. v.19, n.1, p.73-82, 1996.

JOHNSON, W.G.; TORGRUD, L.J. – Assessment and treatment of binge eating disorder. In:
Thompson, J.K. ed., - Body Image, Eating Disorders, and Obesity Washington, DC., American Psychological Association, p.321-343, 1996.

2 - Venho tentando emagrecer a muito tempo.
Minha médica (clínica geral) me falou para tentar um tratamento psicológico junto com a dieta que poderia fazer diferença.
Ajuda este tipo de tratamento no processo de emagrecimento?
Eu gostaria de indicações de psicólogos especializados pois não conheço nenhum.

Sua mensagem foi encaminhada ao Dr. Adriano Segal, coordenador do Departamento de Psiquiatria da ABESO, que enviou a seguinte resposta:

De fato, o melhor tratamento para a obesidade inclui uma forma específica de tratamento psicológico chamada de terapia cognitivo comportamental, que, associada ao tratamento farmacológico, à atividade física e ao acompanhamento nutricional, é bastante eficaz. Esta terapia pode ser feita por psicólogos(as) ou psiquiatras especializados.
Em alguns casos, onde transtornos psiquiátricos estão presentes, um acompanhamento psiquiátrico é mandatório, notadamente em pessoas que apresentam episódios de descontrole alimentar.
No site da ABESO você poderá encontrar profissionais gabaritados a ajudá-la, próximos à sua residência.


3 - Até o início de 2001 estava fazendo uso de inibidores de apetite tipo
inibex e dualid. Não estava mais perdendo peso, mas havia conseguido
estabilidade. Estava fazendo uso desses medicamentos há mais de um ano
ininterruptamente. À partir d fevereiro de 2001 comecei a ter crises de depressão onde não queria mais saber de nada, sentia pânico noturno e outros sintomas relativos ao quadro de depressão. Procurei um psiquiatra e o mesmo me receitou fluoxetina. Desde aquela época percebi melhora no quadro depressivo. Porém, como não mais tomei inibidor (inibex) tive um ganho de peso considerável( + > de 12 kg). O psiquiatra me proibiu de tomar inibidores . Segundo ele, o uso desses medicamentos podem agravar ou até mesmo causar o quadro depressivo. Estive semana passada em um endocrinologista que disse que poderia fazer
uso dos 2 medicamentos pois ele considera a obesidade um quadro tão ou mais grave que o da depressão. Hoje, estou em um quadro de obesidade mórbida e gostaria de saber quais danos poderiam causar o uso dos medicamentos ao mesmo tempo.

Sua mensagem foi encaminhada ao Dr. Adriano Segal, coordenador do
Departamento de Psiquiatria da ABESO, que enviou a seguinte resposta:

Em primeiro lugar, obrigado pela excelente pergunta.
Concordo com seu psiquiatra e adicionaria que a interação entre a fluoxetina
e as medicações citadas não é adequadamente estudada e, portanto,
potencialmente
insegura e arriscada.
Contudo, concordo também, mas parcialmente, com seu endocrinologista : a
obesidade, especialmente a obesidade mórbida, é um quadro extremamente
grave.
O melhor tratamento para esta forma de obesidade é o tratamento cirúrgico,
bastante difundido na mídia.
Assim, julgo que você não deveria fazer uso de moderadores de apetite como
os citados e deveria discutir a possibilidade de tratamentos cirúrgicos
com seu endocrinologista.

4 - No momento estou com uma paciente portadora de obesidade mórbida, bulimia episódica e depressão, A mesma faz terapia há 10 anos. Diz que após esse período consegue entender as raízes de seus problemas emocionais, mas ainda tem episódios de bulimia. Faz uso de anti-depressivos. Gostaria se saber sua opinião, pelo menos em em tese, quanto a cirurgia de obesidade nesses pacientes.

Sua mensagem foi encaminhada ao Dr. Adriano Segal, coordenador do Departamento de Psiquiatria da ABESO, que enviou a seguinte resposta:

Agradeço pela sua pergunta, muito importante nos dias atuais.
O campo das contra-indicações psiquiátricas para a cirurgia anti-obesidade
é ainda bastante incerto e polêmico. Cada grupo segue suas próprias normas.
Com o passar dos anos, a avaliação psicológica deixou de ser incluída nos
critérios de seleção de pacientes para este procedimento
Isto não significa que não haja complicações psiquiátricas no pós-operatório
mas, na nossa experiência, igualmente responsivas aos tratamentos padronizados
para cada uma delas.
Assim, em nosso grupo, nós não contra-indicamos a cirurgia em bases psicológicas/psiquiátricas
desde que o paciente esteja amplamente informado sobre os procedimentos
e suas conseqüências (positivas e negativas) e esteja plenamente capacitado
a escolher o procedimento.
Desta forma, não contra-indicaria a cirurgia em sua paciente pelo fato dela
apresentar estes quadros psiquiátricos. Procuraria uma equipe de transtornos
alimentares para tratar da compulsão alimentar, dado que psicoterapias tradicionais
não são eficazes nestes quadros. Além disso, não seria necessária a remissão
do quadro alimentar nem do depressivo para este procedimento, desde que
houvesse suporte familiar e técnico adequados.

5 - Obesidade pode ser considerada como uma doença mental?

Sua mensagem foi encaminhada ao Dr. Adriano Segal, coordenador do Departamento de Psiquiatria da ABESO, que enviou a seguinte resposta:

A Obesidade não é considerada uma doença mental. Na verdade, a Obesidade é uma doença multifatorial, onde aspectos hereditários, metabólicos, ambientais, comportamentais e psicológicos interagem de um modo ainda não totalmente compreendido. Ela pode, isto sim, acarretar inúmeras complicações psicológicas e psiquiátricas.
Contudo, aproveitarei sua pergunta para tentar ajudar a desfazer alguns mitos presentes tanto na população leiga como na população de saúde: não há características de personalidade, características psicológicas, características intelectuais ou outras neste campo que estejam presentes em todas as pessoas com obesidade como uma espécie de sinal da doença.
A obesidade não é resultado de conflitos psicológicos inconscientes.
A perda de peso, adequadamente obtida, não leva ao aparecimento ou à piora de sintomas psiquiátricos ou psicológicos. Ao contrário, estes melhoram.
Existem algumas patologias psiquiátricas que podem levar à obesidade mas isto é a exceção, não a regra. Um especialista em sua cidade poderá te explicar com mais detalhes.

6 - Vou descrever meu quadro clínico:

Rigorosa dieta alimentar com início em nov. de 1998. e perda acumulada
de 31.3 kg até início de 2000. Na época paciente apresentava vários
sintomas relacionados com a síndrome do ovário policístico, tais como :
hiperinsulinemia, hirsutismo, amenorréia, sinais de alopécia,...
Tratamento com Glucoformin 1500 mg/dia até início de 2001 onde níveis de
insulina já se mantinham dentro do esperado por alguns meses.

De 2000 pra cá, não houve mais nenhuma perda acentuada de peso mesmo com
a inclusão de sibutramina - 10 mg/dia no tratamento. Na mesma época
iniciei análise. Não percebi melhoras! Este ano , em abril, removi um
mioma e pólipo, embora não tenha sido mais detectado qq cisto nos
ovários.
Atualmente, tenho tido consecutivamente momentos de total compulsão
alimentar. Na sessão de análise desta semana , meu psicanalista
confirmou estarmos diante de um caso de bulima nervosa. Confesso perder
o controle, ter elevada ingestão calórica e logo depois entrar em
depressão/culpa, tendo no máximo 800 cal de ingestão diária.

Existe algum grupo de apoio dentro da Abeso para me ajudar ou indicar o
que fazer?

Existe algum tipo específico de tratamento que possa me auxiliar aqui no Rio de Janeiro ?

Sua mensagem foi encaminhada ao Dr. Adriano Segal, coordenador do Departamento de Psiquiatria da ABESO, que enviou a seguinte resposta:

A Bulimia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado por episódios de ingestão alimentar descontrolada (ingerir uma GRANDE ou IMENSA quantidade de alimentos num intervalo curto de tempo), seguidos de comportamentos inadequados voltados para a perda de peso, tais como vômitos provocados, uso excessivo de laxantes, uso não prescrito de diuréticos e jejuns prolongados, entre outros. Além disso, a auto-avaliação é centrada apenas na imagem ou forma corporal e no peso. Está presente também um grande medo de ganhar peso.
Uma freqüência de dois episódios por semana nos últimos três meses é também necessária para a realização do diagnóstico.
Assim, pelo pouco que você descreveu, é possível que você apresente este transtorno alimentar mas só numa consulta especializada você poderá saber com certeza.
Na imensa maioria das vezes, uma história de dietas rigorosas está presente antes do início do quadro.
Para os corretos diagnóstico e tratamento (sempre em equipe multidisciplinar), sugiro que você procure um hospital universitário em sua cidade e, lá, no setor de Psiquiatria, procure pelo grupo que trata de Transtornos Alimentares.
O serviço coordenado pelo ex-presidente da ABESO, Dr. Walmir Coutinho, é uma excelente opção aí no Rio de Janeiro.

 

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