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:: Revista da ABESO » Edição nº 46 - Ano X - Nº 46 - Agosto/2010 » AN: Diagnóstico e Tratamento « Voltar
 

 

Claudia Cozer – Doutora em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; membro da Diretoria da ABESO.
Fernanda Pisciolaro – Nutricionista do Ambulatório de Transtorno Alimentar (Ambulim) do Hospital das Clínicas da FMUSP; membro do Departamento de Psiquiatria e Transtornos Alimentares da ABESO.

A Anorexia Nervosa (AN) é o transtorno alimentar que se caracteriza pela busca intensa da magreza, com perda de peso acompanhada de distúrbios da imagem corporal e medo mórbido de que haja algum ganho de peso. O quadro clínico surge, em geral, após uma dieta e a restrição alimentar autoimposta aumenta gradativamente, gerando importantes alterações nas atitudes alimentares.

A AN é muito mais frequente em adolescentes do sexo feminino do que masculino e pode aparecer na idade adulta. Quanto mais tardio o aparecimento, melhor é sua evolução. Tem uma incidência de 0,5-1% na população geral.

Entre as anoréxicas, a maioria não acha que está doente nem aceita se tratar. Assim, o indivíduo com AN raramente tem a iniciativa de buscar ajuda e dificilmente sua família procura uma terapia familiar por livre e espontânea vontade. Geralmente, são profissionais da área da saúde e educacional que encaminham essas famílias, mas que, quase sempre, ao receberem indicação terapêutica, tendem a tomar atitudes contraditórias: ou elas se  veem como fonte da doença e/ou do problema do paciente em questão, ou tentam manter o foco no problema da paciente, negando possuir participação no processo da doença e, por consequência, no seu.

 Alguns comportamentos, características e sinais são comuns em pacientes com NA. Os profissionais e a família devem ficar atentos a eles. (Quadro1)

Embora com frequência se mostrem assustados e reticentes em colaborar, a participação dos membros da família é fundamental, tanto na fase inicial, de detecção do problema e busca de ajuda, como durante o tratamento, sendo necessário motivá-los para isso. O desgaste para a família e acompanhantes é grande. É necessário um suporte, pois os familiares podem apresentar uma série de incapacidades que se sedimentaram frente ao adoecimento psíquico do indivíduo com AN e, muitas vezes, existem dificuldades em expressar sentimentos e em vivenciar comportamentos afetivos. Concomitantemente, a psicodinâmica da família interfere na doença, tornando assim muito difícil cuidar da paciente sem inserir o contexto familiar. A motivação para o tratamento deve ser apoiada em dois fatores: na ajuda que eles podem fornecer para a recuperação da filha e na possibilidade de aprendizagem de conceitos que os auxilie a se organizar no enfrentamento do problema.

A participação da família garante, ou pelo menos favorece, a continuidade do tratamento. Nesse, seriam discutidas tanto questões relacionadas à doença e às relações familiares quanto questões relacionadas ao próprio tratamento. Deve-se abrir para a família um espaço para os questionamentos, centrados na conscientização da doença,  de seus riscos, de seu tratamento e da necessidade e importância da equipe multidisciplinar no atendimento integrado. Essa orientação familiar tem como objetivo principal educar a respeito da doença, tirar as ideias de culpa que os pais trazem e orientar para o retorno ao padrão alimentar natural do lar, procurando assim a melhora na qualidade de vida  dessas famílias e fazendo com que as pessoas que dela fazem parte possam buscar e encontrar novas formas de convivência e inter-relacionamento.

 

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