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Uma Promessa na Luta Contra a Obesidade

Uma Promessa na Luta Contra a Obesidade

Uma Promessa na Luta Contra a Obesidade

Por Beth Santos

Uma boa notícia para os obesos reincidentes – aqueles que já passaram pela cirurgia bariátrica e voltaram a engordar. Sob a aprovação da ANVISA, o Brasil tornou-se o primeiro país da América Latina a colocar em prática uma nova técnica, desenvolvida especialmente para os pacientes que voltaram a engordar. Chama-se Stomaphyx e já é utilizada em larga escala na Europa e nos Estados Unidos. Em nosso país, mais de 20 pessoas já foram operadas.

Realizado via endoscópica, ou seja, sem cortes, a técnica inovadora consiste na realização de 20 pregueamentos internos no elo entre o neoestômago e o intestino. Com isto, diminui o espaço por onde passa a comida. Com a redução do órgão, o paciente recupera a sensação de saciedade de que desfrutava nos primeiros anos após a gastroplastia. Porque come menos, ele perde peso sem os indesejáveis incômodos pós-cirúrgicos.

Este tipo de procedimento está sendo considerado uma tendência mundial, uma vez que seu impacto sobre o paciente é menor: não precisa de internação, a anestesia é leve, a cirurgia leva cerca de meia hora e a recuperação é rápida.

Cautela e Dúvidas
Os especialistas brasileiros, no entanto, ainda estão naturalmente cautelosos. É o caso do presidente da ABESO, Dr. Marcio Mancini, ao comentar que “novos procedimentos são sempre bem-vindos, mas deve-se ter cautela para não utilizar em larga escala aqueles considerados ainda experimentais, ou em fase de teste”. Ele alerta que “a segurança e eficácia a longo prazo deve ser comprovada antes de oferecê-los como tratamento aos pacientes fora de protocolos de estudo”.

Segundo o Dr. Hilton Libanori, membro do Departamento de Cirurgia Bariátrica da ABESO, algumas questões ainda precisam ser respondidas,  apesar das vantagens do método. “Há relação entre o diâmetro da gastroenteroanastomose e recuperação do peso? Essa questão está em aberto. Aparentemente a dilatação da anastomose ocorre igualmente nos pacientes que têm recuperação do peso e naqueles que se mantém magros; portanto a relação de causa e efeito não está bem estabelecida. Dessa forma, é possível que a recuperação de peso esteja mais associada a fenômenos mais comportamentais que anatômicos”.

Outra questão colocada pelo especialista da ABESO: “A sutura realizada pelo dispositivo se mantém com o tempo? A sutura utilizada é um tipo de âncora de polipropileno que justapõe a serosa do estômago. Com o tempo, é possível que uma das extremidades da sutura se desgarre e, caso não se forme uma cicatriz, o tecido voltaria à posição prévia”. Segundo Dr. Libanori, “isso será respondido com estudos de médio e longo prazos, que ainda não foram concluídos”. Ele conclui afirmando que “de qualquer maneira, sendo comprovada a eficácia e efetividade do método, será mais uma técnica incorporada ao arsenal terapêutico, permitindo a intervenção sobre o pequeno estômago e sobre a anastomose de forma pouco invasiva, ou seja, por via endoscópica”. 

 

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