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Um Ano Sem Emagrecedores: Obesidade se Agrava no País

Um Ano Sem Emagrecedores: Obesidade se Agrava no País

Um Ano Sem Emagrecedores: Obesidade se Agrava no País
Por Sandra Malafaia

Hoje, 4 de outubro, faz um ano que a diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) resolveu retirar do mercado brasileiro os emagrecedores femproporex,anfepramona e mazindol. O fato gerou muita polêmica, especialmente com os endocrinologistas, em sua maioria contrários à medida. E agora, como estão os obesos sem esses medicamentos?

A Anvisa só não proibiu a sibutramina, um anorexígeno que não possui anfetamina em sua fórmula e não se mostrou eficaz para todos os que sofrem de obesidade.

Assim, com os quilos a mais obtidos desde o veto da Agência, doenças que se desencadeiam ou se agravam com a obesidade, voltaram a aumentar mais ainda a sua incidência. É o caso do diabetes e da hipertensão.

Epidemia

Além disso, a própria obesidade – doença crônica que está virando epidemia no mundo todo – avança cada vez mais no Brasil em pacientes que não conseguem emagrecer apenas com a combinação de dieta e exercícios físicos. Dados disponíveis sobre a sibutramina, por exemplo, mostram que ela é receitada a uma parcela pequena dos obesos.  

Fazendo um balanço deste último ano sem os anorexígenos catecolaminérgicos e com a restrição do uso da sibutramina,
a Dra. Rosana Radominski, presidente da ABESO, afirma ser lamentávelque o governo e profissionais da área de saúde, incluindo vários endocrinologistas, considerem a obesidade como um mal relacionado à falta de força de vontade. 

Órfãos

“A obesidade é doença que deve ser tratada cronicamente. É fato que a prevenção é absolutamente necessária, mas é desumano deixar órfãos aqueles que já têm a doença. A maioria dos pacientes que utilizavam os medicamentos, agora proibidos (catecolaminérgicos) ou restritos (sibutramina), voltou a engordar”, ressalta a Dra. Rosana.  

Ela explica que, quando se deixa de tomar um medicamento para determinada doença, há uma descompensação, fazendo com que a pressão arterial e a glicemia subam, assim como o ácido úrico. 

“Por que seria diferente para a obesidade? Como  ignorar os fatores fisiológicos que causam a sua recidiva? É isso: a ignorância a respeito das causas da obesidade faz com que os padecedores deste mal sejam considerados preguiçosos e desmotivados e aqueles que tentam tratá-los, malfeitores. Ficamos sem os medicamentos que beneficiavam parte dos doentes, e engessados para prescrever um excelente remédio, a sibutramina”, comenta. 

Ação Pública

Após a proibição da Anvisa, o Ministério Público Federal de Goiás abriu um inquérito, cuja ação judicial foi ajuizada no dia 2 de agosto deste ano, tendo a Agência 60 dias para contestar.

Na ação pública alegou-se que os medicamentos já estavam no mercado há décadas, e que faziam parte de uma rotina dos pacientes.

A Comissão de Seguridade Social e Família agendou, para o próximo dia 9 de outubro, na Câmara dos Deputados, uma audiência pública, com o objetivo de discutir a decisão final da Anvisa.  A presidente da ABESO estará presente.

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