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Estudo

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Os últimos resultados do SOS Study, que relaciona os ganhos da cirurgia bariátrica para a drástica diminuição dos riscos para o desenvolvimento do diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e mortalidade global, foi apresentado pela pesquidora suecaKajsa Sjöholm, que faz parte da equipe do primeiro e mais abrangente estudo sobre cirurgia bariátrica, durante a conferênciaque encerrou os trabalhos da 15ª edição do Congresso Brasileiro de Obesidade eSíndrome Metabólica, no início deste mês. Kadsa faz parte do departamento de Medicina Clínica e Molecular da Universidade de Gothemburg

Antes do SOS Study, diversos trabalhos buscavam relacionar a perda de peso com a diminuição de risco para doenças associadas à obesidade. O problema, no entanto, estava emdeterminar a causa da mortalidade e a obesidade do indivíduo. No SOS Study, a técnica da cirurgia bariátrica – que garante a perda de peso – fez com que o estudo pudesse ser acompanhado de forma clínica e sistemática.

Ao longo de 25 anos, os resultados são “notáveis”, segundo Kajsa. “Pacientes operados, comrisco para o desenvolimento de diabetes, demonstraram 80% de redução derisco para a doença. E, ao longo dos anos, esta redução se manteve estável, em 77%”, afirmou.

Outros ganhos foram percebidos pelo estudo que, segundo Kajsa, começou em 1985 e continua até hoje, uma vez que o acompanhamento dos pacientes permanece. Os riscos paradoenças cardiovasculares, por exemplo, foram reduzidos em homens e mulheres. Também o risco de desenvolver câncer, entre as mulheres, mostrou-se reduzido demaneira “considerável”. E, desta vez, pode-se afirmar que a perda de peso estádiretamente relacionada com a queda na mortalidade, uma vez que, ao longo detodo o extenso período de acompanhamento, as pessoas que passaram por cirurgiasbariátricas, realizadas por técnicas diversas, mantiveram a perda de peso.

O SOS Study analisou mais de 4 mil pacientes, sendo que cerca de 2 mil foram submetidos à cirurgia (13% via bypass gástrico, 19% por bandas e 68% por gastroplastia vertical). A outra metade fui submetida apenas a controle de peso, chamado grupo de controle. A idade dos pacientes estudados foi de 37 a 60 anos, com índice de massa corporal maior de 34 em homens e 38 em mulheres. Em comparação ao grupo controle, a cirurgia bariátrica representou uma redução da mortalidadea longo prazo, conforme explicou Sajka.

A pesquisadora ainda defendeu que os critérios para a realização da cirurgia bariátrica precisam ser revistos, uma vez que o estudo mostrou que os índices de insulina e glicose, inicialmente altos nos pacientes estudados, foram reduzidos drasticamente. “O IMC, critério hoje para a realização da cirurgia, não era o fator mais importante nos pacientes estudados, por não serem tão elevados. Neste ponto, o risco para diabetes era inicialmente muito maior”, afirmou.

Texto: Aline Moura, especial para o site da Abeso

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