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Produtos Usados na Gestação Podem Levar à Obesidade

Produtos Usados na Gestação Podem Levar à Obesidade

Sandra Malafaia
26 de maio de 2008

Compostos químicos, encontrados em vários objetos do dia-a-dia e usados por gestantes, podem fazer com que o bebê se torne um ser humano mais suscetível à obesidade na idade adulta. A conclusão é de pesquisadores norte-americanos, que apresentaram o estudo durante o Primeiro Congresso Europeu sobre Obesidade, realizado em Genebra (Suíça), de 14 a 17 de maio deste ano.

Em testes, realizados com ratos, os estudiosos detectaram ligações entre a exposição a alguns produtos químicos e o excesso de peso. “Se os resultados se verificarem também nos humanos, a perspectiva de ação não deve ser perder peso durante a idade adulta, mas, sim, impedir o aumento de peso evitando o contacto com estas substâncias”, disse o cientista Jerry Heindel, do U.S. National Institute of Environmental Health Sciences.

Na pesquisa foram testados os compostos químicos “bisfenol A”, usado na fabricação de plásticos, e “ácido perfluorooctano”, um impermeabilizante, que entre outras utilizações, é empregado em embalagens de pipocas para microondas.

Uma equipe da Tufts University constatou que os ratos fêmeas, cujas mães foram expostas a bisfenol A, ganharam mais peso em idade adulta, apesar de terem níveis de atividade física e alimentação semelhantes às das ratas do grupo de controle.

Fenômeno parecido ocorreu quando ratas grávidas foram expostas ao ácido perfluorooctano (PFOA). Os seus filhotes nasceram anormalmente pequenos e tornaram-se obesos quando cresceram.

Segundo Bruce Blumberg, biólogo da Universidade da Califórnia, esses dois químicos podem danificar o sistema endócrino dos descendentes, alterando genes e funções metabólicas envolvidas na gestão do peso e tornando-os mais eficazes na acumulação de energia, sob a forma de gordura. Ele também estudou o tributil de estanho (TBT), fungicida usado nas tintas dos navios, em plásticos e na agricultura.

”Um dos maiores problemas que enfrentamos é o fato de não sabermos onde estão todos estes químicos”, disse Suzanne Fenton, bióloga da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), que estudou o ácido perfluorooctano.

Proibição

A comercialização de chupetas e outros produtos para bebês, que contenha o bisfenol A, já foi proibida no Canadá. De acordo com a EPA, o limite de segurança para a ingestão diária desse químico é de 50 microgramas por litro. E, mesmo sabendo que uma criança alimentada com mamadeira pode ingerir, por dia, 13 microgramas por litro, o governo canadense não considera significativa a diferença entre esses dois valores e quer reduzir a exposição dos bebês a essa substância.

Em exames de urina de seres humanos, realizados entre 1988 e 1994, o Centro para Controle e Prevenção de Doenças, de Atlanta, detectou bisfenol A em 93% das análises.

Um relatório preliminar do Departamento de Saúde do governo dos EUA afirma que doses baixas de bisfenol A, no momento do desenvolvimento do corpo, podem provocar mudanças no cérebro, na próstata e nas glândulas mamárias.


Fonte: Site Peso & Medida - Portugal

 

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