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Polêmica em Pesquisa sobre Obesidade

Polêmica em Pesquisa sobre Obesidade

Polêmica em Pesquisa sobre Obesidade
Por Beth Santos

Um trabalho de pesquisa que buscou verificar a relação entre duas condições - má alimentação e sedentarismo - ao ganho de peso chegou a resultados inesperados: não encontrou ligação entre estes fatores. O trabalho teve como foco um grupo de adolescentes do interior paulista e foi realizado na Faculdade de Saúde Pública da USP.

A nutricionista Carla Cristina Enes, autora da pesquisa, comenta que era esperado “que os adolescentes sedentários que consumissem maior quantidade de doces e refrigerantes apresentassem maior ganho de peso. Enquanto os mais ativos fisicamente, que consumissem mais frutas, legumes e verduras, ganhassem menos peso”. Não foi o que aconteceu.

No levantamento de dados, entre 2004 e 2005, foram entrevistados 256 jovens (de 10 a 16 anos), de ambos os sexos, todos alunos de escolas estaduais em Piracicaba, SP. A nutricionista Carla Enes aplicou questionários em busca de informações sobre consumo alimentar, prática de atividade física, frequência de atividades recreativas com baixo consumo de energia (computador, TV, videogames) etc. Os adolescentes passaram também por uma avaliação antropométrica (peso e altura) e verificação do estado nutricional do grupo.

Segundo a pesquisadora, “o consumo de bebidas artificiais adoçadas, como refrigerantes, sucos artificiais etc também não apresentou associação com o ganho de peso”. Os dados coletados revelaram aumento, em 12 meses, no uso de computador e no consumo de bebidas artificiais. Houve também redução do consumo de gorduras, sucos naturais com açúcar e alimentos com elevado teor lipídico – pipoca, pizza, salgadinhos etc. “O consumo de frutas, verduras e legumes aumentou apenas entre as meninas”, informou Carla Enes.

A nutricionista revelou que o consumo de alimentos com elevado teor lipídico e de sucos naturais adoçados “associou-se positivamente ao aumento de massa corporal (IMC). Quanto maior o consumo desses grupos de alimentos, maior foi o ganho do IMC no intervalo de um ano”. Ela chama a atenção para a importância sobre hábitos alimentares e atividade física por causa da complexidade de fatores que causam a obesidade. Como explica, “a doença é fruto da exposição acumulativa a diferentes fatores de risco durante as primeiras fases da vida, e sua prevenção ainda na adolescência é fundamental para controlar outras doenças crônicas e conduzir à melhoria da qualidade de vida da população”.

Afirmação Perigosa
Ao avaliar a divulgação da pesquisa, o responsável pelo Departamento de Atividade Física da ABESO, Dr. Carlos Alberto Werutsky, comenta que dizer que “sedentarismo não causa obesidade é uma afirmação perigosa”. Ele afirma que “para associar grau de atividade física com emagrecimento (perda de gordura corporal e não perda de peso) seria necessário avaliar a taxa metabólica de repouso (mais adequadamente avaliada por calorimetria indireta), que é de 70-80% do gasto de energia das 24 horas em repouso absoluto, isto é, predominantemente da massa muscular”.

O especialista explica que “quem tem mais massa muscular dispende mais energia, mesmo em repouso (sedentarismo)”. Ele ressalta que “outro aspecto importante é que atividade física espontânea praticada por pessoas entre 10-16 anos geralmente é mais intensa, de curta duração e repetida, isto é, “queima” mais glicogênio muscular (carboidrato) do que gordura. Portanto, o sedentarismo ou a hipoatividade física ainda está associado ao risco de desenvolver excesso de peso, obesidade e diabetes, principalmente entre crianças e adolescentes”.

Fonte: Agência USP

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