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Pesquisas Mostram Causas, Não Soluções

Pesquisas Mostram Causas, Não Soluções

Pesquisas Mostram Causas, Não Soluções

Por Beth Santos

O alerta é do professor Boyd Swinburn, da Universidade Deakin, da Austrália, divulgado pela instituição de ensino: a maioria das atuais pesquisas sobre obesidade não tem ajudado a encontrar saídas para este imenso desafio. “Os financiamentos das pesquisas seriam melhor aplicados se fossem dirigidos para a busca de possíveis soluções, em vez de continuar a detectar o que está causando o aumento da obesidade”, afirma o especialista. Ele é diretor do Centro para Prevenção da Obesidade da Universidade Deakin, que trabalha em colaboração com a OMS. 

Segundo o professor, embora pareça estranho, “saber as causas e os mecanismos do ganho de peso nem sempre ajuda na identificação das soluções”. O professor Swinburn comenta que, para cada paciente, “as causas do ganho de peso ao longo do tempo incluem ambientes obesogênicos, predisposição genética e aumento da idade”. Nenhuma delas, no entanto, “pode ser influenciada pelo profissional de saúde que tenta ajudar a pessoa a perder peso”, explica.

O professor australiano diz que a questão fundamental é que “precisamos reorientar as pesquisas rumo à avaliação de potenciais soluções, em vez de identificar cada vez melhor a fonte do problema”. Segundo o especialista, o enfoque mais promissor para a população envolve a identificação do conjunto adequado de regras e políticas que levarão a mudanças ambientais e comportamentais sustentáveis”.

Regras

O professor Boyd Swinburn afirma que as soluções para lidar com a obesidade que produzem os melhores resultados parecem ser aquelas baseadas em regras. “Para os indivíduos com excesso de peso, assim que aderem a um conjunto de regras de dietas que resultem em menor ingestão de calorias, não parece importar quais alimentos são incluídos ou excluídos. É por isso que vários tipos de dietas que não se relacionam com as causas do ganho de peso podem produzir a perda de peso”, explica o cientista.

Com relação à população, regras também parecem fazer mais sentido, segundo Swinburn. Educação, guias de conduta, autorregulamentação da indústria e anúncios governamentais na TV “parecem não ter muita influência e é necessário adotar políticas mais fortes”.

Regulação dos Mecanismos

O presidente da ABESO, Dr. Marcio Mancini, comenta que “o maior conhecimento na área de regulação dos mecanismos que estão envolvidos no que costumo chamar de ‘diálogo entre o tecido adiposo e o cérebro’ foi adquirido nos últimos 15 anos, e é básico para que futuramente encontremos soluções farmacológicas ou não para o tratamento da obesidade”. Segundo ele, “esses mecanismos têm permitido explicar (ou tentar explicar) o motivo pelo qual algumas abordagens (mesmo as cirúrgicas) funcionam na redução do peso e na melhora metabólica”.

O Dr. Mancini explica que “muitas propostas de medicamentos tiveram sua origem nos conhecimentos adquiridos nas pesquisas, o que não inviabiliza que se façam ajustes no meio ambiente que está causando o aumento de peso, incluindo aumento de atividade física e ofertas alimentares mais saudáveis, área na qual o professor Boyd Swinburn é especialista”.

 

 

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