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Pesquisa Rio/SP: 50% dos Participantes não se Casariam com Obesos

Pesquisa Rio/SP: 50% dos Participantes não se Casariam com Obesos

Pesquisa Rio/SP: 50% dos Participantes não se Casariam com Obesos
Por Beth Santos

Levantamento do Hospital do Coração (Hcor/SP) sobre o perfil do obeso realizada no Rio e São Paulo mostrou que 81% dos entrevistados afirmam que a obesidade interfere na ascensão profissional e 78% acham que interfere no casamento. A pesquisa revelou que 50% dos paulistanos e cariocas participantes não se casariam com uma pessoa obesa.

Realizada em abril em parceria com o Instituto de Metabolismo e Nutrição (IMeN), o levantamento, ainda não publicado, avaliou a opinião de 600 pessoas de 18 a 60 anos, analisando dados como sexo, faixa etária, classe social, estado civil e nível de instrução. O nível de instrução dos participantes variou entre ensino médio completo (279 pessoas), superior completo (119 pessoas) e ensino fundamental completo (107 pessoas). Desse total 284 pessoas são casadas e 238 são solteiras.

Ainda sobre a questão que envolve o casamento, 54% dos homens e 46% das mulheres afirmaram não ter interesse em construir uma relação com pessoas acima do peso. No quesito classe social, 66% da classe A, 44% da classe B e 51% da classe C não assumiriam a união. Entre os que afirmaram que o excesso de peso prejudica o sucesso profissional, 83% são da classe C, 80% são da classe B e 60% da A.

Ao serem perguntados sobre alimentos que contribuem para o excesso de peso, 33% citaram as frituras, 27% apontaram massas, pães e bolos e 23%, açúcar. Sobre a busca de tratamento da obesidade, 40% dos participantes disseram que procurariam uma nutricionista, 31%, um médico e 24% buscariam informações em veículos de comunicação. Quanto ao método para perder peso, 58% apontaram exercícios físicos, enquanto 41% mencionaram dietas, medicação e cirurgias.

Preconceito
“Dados semelhantes às conclusões deste estudo já foram mostrados há vários anos atrás, nos EUA e na Europa”, comenta a presidente da ABESO, endocrinologista Rosana Radominski. “Mas agora temos dados brasileiros, confirmando o que vemos na prática clínica diária. Além das complicações relacionadas à obesidade, temos que lidar também com o preconceito em relação aos obesos”. Segundo a especialista, os que mais sofrem com isto são as mulheres, os grandes obesos e os adolescentes (sejam meninos ou meninas).

“Os obesos são vistos como feios, preguiçosos e gulosos.  Essas atitudes negativas atrapalham o tratamento e até a avaliação do sucesso da terapêutica para perda de peso. Para o controle de grande parte das complicações associadas à obesidade, redução de 5 a 10% do peso já é suficiente (com exceção dos grandes obesos). No entanto dificilmente os pacientes (e muitas vezes o médico) se satisfazem com estes resultados, para os quais, o melhor resultado é a volta ao peso "ideal".

O coordenador do estudo, nutrólogo Daniel Magnoni - responsável pelo Serviço de Nutrologia e Nutrição Clínica do HCor - comenta que as informações levantadas revelam o grau de preconceito enfrentado pela população obesa do país em diversas situações, como no trabalho (onde é a terceira causa de negativa no processo de contratação), na vida amorosa etc.

Opção
Segundo ele, o preconceito muitas vezes se escora em motivos de saúde, já que a obesidade aumenta a propensão a desenvolver doenças como hipertensão e diabetes. Sob o ponto de vista do empregador, isto aumentaria os períodos de licença, dias de falta ao trabalho e despesas com tratamentos médicos.

A endocrinologista Rosana Radominski diz que “quando a obesidade acarreta doenças, gera custos aos sistemas de saúde e à saúde da pessoa. Quando isto acontece, a intervenção médica torna-se necessária, com dietas, recomendação de atividade física e, quando necessário, tratamento medicamentoso”. De acordo com a especialista, quando o paciente apresenta excesso de peso sem complicações de saúde, tem direito à opção de continuar gordo.

A especialista comenta que, reduzindo o peso em cerca de 5% a 10%, o paciente reduz significativamente os riscos de complicações, “o que não se mostra suficiente para melhorar seu bem-estar psicológico ou evitar os preconceitos”.

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