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Pesquisa Mostra Mudança na Alimentação dos Paulistanos

Pesquisa Mostra Mudança na Alimentação dos Paulistanos

Por Paula Camila Rodrigues
20 de março de 2008

Um estudo feito pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) mostrou mudanças nos hábitos alimentares da população paulistana. Segundo a pesquisa, que analisou os alimentos presentes nos domicílios da capital, nas últimas três décadas do século XX houve uma queda no consumo de alimentos como cereais e derivados, além de frutas e hortaliças. Ao mesmo tempo, foi constatado um aumento da compra de alimentos de baixo teor nutricional, como biscoitos e refrigerantes.

Rafael Moreira Claro, doutorando da Faculdade de Saúde Pública da USP e um dos autores do estudo, disse que se pode fazer uma associação entre o padrão de alimentação e as doenças de determinada população. “O que se viu, desde a última metade do século 20, foi uma gradativa substituição dos problemas associados ao consumo insuficiente de alimentos, como a desnutrição, por aqueles associados ao consumo excessivo e desbalanceado, como a obesidade e as doenças cardiovasculares”, explicou.

A pesquisa permitiu confirmar algumas tendências alimentares, como a substituição do consumo de manteiga por margarina e aumento da disponibilidade de alimentos processados: aumento de 500% para doces, 300% para refrigerantes e de 400% para biscoitos, alimentos muito menos comuns nos mercados na década de 70.

O estudo também verificou um aumento na disponibilidade de alimentos de origem animal, como carnes e leite. “Apesar de a tendência apresentar características positivas devido ao aumento no consumo de proteínas e de cálcio, tais alimentos também constituem fontes de gordura animal e de colesterol, nutrientes danosos à saúde quando consumidos em quantidade excessiva”, analisou o pesquisador.
Para Rafael, a análise da mudança dos hábitos alimentares da população permite um melhor entendimento do assunto, para a adoção de políticas públicas mais eficazes. Segundo ele, ações individualizadas para combater as doenças geradas pela obesidade parecem surtir pequeno efeito. Já a imposição de taxas a alimentos não saudáveis, ou isenções fiscais que barateiem alimentos saudáveis, são algumas das opções estudadas.

Fonte: Agência FAPESP

 

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