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Obesidade e Doenças Pulmonares

Obesidade e Doenças Pulmonares

Obesidade e Doenças Pulmonares
15 de agosto de 2009

Na manhã de sábado, 15/08, a maioria dos congressistas do XIII CBOSM assistiu à Conferência 4, ministrada pelo Doutor em Endocrinologia e Metabologia pela Faculdade de Medicina da USP e Presidente da ABESO, Dr. Marcio Mancini. O tema era “Pulmão: mais uma vítima da obesidade?”
   
Dr. Mancini iniciou a conferência afirmando que, no Hospital das Clínicas (HC), SP, onde trabalha, existe uma epidemia de quadros clínicos relacionados a problemas pulmonares em pacientes obesos: “os residentes do HC, quando passam no estágio do grupo de obesidade, parecem às vezes estar mais num estágio de pneumologia do que de endocrinologia”, afirmou.

   
Sua conferência, de modo geral, buscou ilustrar possíveis relações entre a obesidade e seus efeitos sobre as funções respiratórias. Sobre isso, Dr. Mancini explicou que a redução da complacência da parede e da força dos músculos respiratórios causada pela obesidade leva a um desequilíbrio entre o requerimento dos músculos e a capacidade de gerar tensão muscular, com consequente percepção do esforço respiratório aumentado (dispneia). Isto leva ao aumento do trabalho respiratório e da fadiga - gerando, portanto, um círculo vicioso de perpetuação da obesidade. A dispnéia no obeso pode, segundo o especialista, mascarar doenças cardíacas ou pulmonares ocultas.


Doenças Associadas

   
Em seguida, citou algumas doenças pulmonares associadas à obesidade, entre elas, a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), ilustrando o diagnóstico (sonolência diurna excessiva, dificuldade de concentração etc.), sua definição e possíveis consequências e complicações da doença (hipertensão, doença coronariana, insuficiência cardíaca, acidentes etc.). Seguiu explicando condições e métodos para diagnosticar um paciente com chances de ter SAOS, através de preditores clínicos (Escala de Sonolência Epworth, a Circunferência Cervical Ajustada no Paciente, Teste do Sono etc.), para então expor uma classificação de SAOS, bem como possíveis tratamentos, dos quais destacou a perda de peso, a higiene do sono, a restrição ao café, os dispositivos orais, tratamento cirúrgico, entre outros.

   
A Síndrome da Hipoventilação da Obesidade também é muito comum em pacientes com SAOS. A esse respeito, Dr. Mancini ilustrou com um caso clínico da doença em um paciente obeso com 28 anos, que teve todos os parâmetros da doença normalizados após perda de peso. Explicou ainda como diagnosticar a Síndrome.

   
Outra doença associada à obesidade é a asma. Sobre isso, ele citou alguns fatores de ligação entre elas (a disfunção pulmonar relacionada à obesidade, o sedentarismo e fatores dietéticos, e o refluxo gastroesofágico), além de alguns fatores que associam a genética da obesidade à da asma. Dr. Mancini expôs ainda o caso de um paciente, no qual o aumento de peso provocou o agravamento do quadro de asma, que também se  normalizou após perda de peso.

   
A Síndrome de Shrinking Lung (ou do Pulmão Encolhido) é uma complicação rara do lúpus eritematoso sistêmico e também uma doença associada à obesidade. O conferencista expôs o caso de uma paciente portadora da Síndrome, além de outros casos de pacientes obesos com quadro de tromboembolismo pulmonar de repetição e de insuficiência cardíaca. Sobre isso, Dr. Mancini ilustrou alguns estudos ecocardiográficos das funções sistólicas e diastólicas em pacientes, que mostram que os obesos são prejudicados.


Influenza A e Obesidade

   
Para finalizar, Dr. Marcio Mancini abordou possíveis relações entre a Influenza A (H1N1) e a obesidade. O conferencista explicou que em pacientes que se submeteram à cirurgia bariátrica, algumas citocinas (que estimulam os linfócitos NK) aumentam. Como conseqüência, os obesos têm menor capacidade de destruir bactérias, vírus e células estranhas.

Além disso, em um estudo experimental realizado com camundongos, a metade dos animais obesos morreu quando foi submetida ao vírus Influenza. Nos humanos, Mancini explicou que o CDC liberou uma documentação de pacientes internados em Michigan por Influenza A (H1N1), que mostra que a metade dos obesos e dos obesos mórbidos com doenças associadas morreu ou precisava de ventilação assistida. Mas o mais chocante foi que, de 14 pacientes internados com suspeita da gripe, 10 foram confirmados e, destes, 9 apresentavam obesidade, e 7 apresentavam obesidade mórbida. De acordo com esses dados, Dr. Mancini concluiu que aparentemente a Influenza A é mais comum em pacientes obesos do que não obesos, embora isso necessite de uma amostragem mais significativa.

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