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O Ministério da Saúde confirma: o número de obesos no país cresce a cada ano

O Ministério da Saúde confirma: o número de obesos no país cresce a cada ano

O Ministério da Saúde confirma: o número de obesos no país cresce a cada ano

Dados do VIGITEL 2010 publicados ontem mostram que nos últimos anos a obesidade apresenta frequência crescente, passando de 11,4% da população, em 2006, para 15% no levantamento do ano passado. É notório também o percentual de brasileiros com sobrepeso, não necessariamente obesos: 48,1%. Em 2006, 42,7% estavam acima do limite, o que significa um aumento de 5,4 pontos percentuais nos últimos cinco anos. “Se este ritmo continuar’, comenta a Presidente da ABESO, Dra. Rosana Radominski, ‘ em 13 anos 60% da população terá excesso de peso”.

Apesar dos indivíduos do sexo masculino estarem mais acima do peso quando comparado às mulheres (52,1% contra 44,3%), estas apresentam uma prevalência maior de obesidade (14,4% contra 15,5%).

A Presidente da ABESO, Dra. Rosana Radominski, explica que o levantamento do MS “mostra a evolução do comportamento de vários fatores de risco para doenças crônicas, tais como tabagismo, ingestão de álcool, atividade física, padrão de ingestão alimentar e o peso dos brasileiros”.

Excesso de Peso e Baixa Escolaridade
A influência da escolaridade sobre a frequência do excesso de peso e da obesidade é impactante entre as mulheres. Aquelas com até oito anos de escolaridade, que pressupõe menor renda, apresentam praticamente o dobro da frequência de obesidade (20,4% e 10,7%), e excesso de peso (52% e 35%), quando comparadas às que possuem mais de 12 anos de estudo. Entre os indivíduos do sexo masculino a influência da escolaridade é discreta.

A Presidente da ABESO explica que os dados do VIGITEL “apontam vários fatores que contribuem para o aumento dos números em geral: excesso de sedentarismo e de horas na frente da TV, excessiva ingestão de alimentos com alto teor de gordura (carnes gordurosas e leite integral) e redução do consumo de feijão”.

Combate à Obesidade
A endocrinologista lembra que “esses hábitos são mais frequentes nos grupos de baixa renda”. Ela ressalta que “ao longo destes últimos anos houve o aumento de renda da população mais carente, que, porém, não foi acompanhado dos esclarecimentos necessários para a utilização desses recursos”.

A Dra. Rosana enfatiza que “é imperioso que o governo implemente ações no sentido de proporcionar oportunidades para aumentar a atividade física da população, e faça uma campanha para a adoção de uma alimentação mais saudável, envolvendo toda a sociedade. Já estamos atrasados em implementar medidas para o combate à obesidade”.

A responsável científica pelo site da ABESO, Dra. Maria Edna Melo, comenta que “apesar dos números apresentados pelo Ministério da Saúde serem alarmantes e maiores que os observados nos anos anteriores, infelizmente eles apenas confirmam a já esperada tendência de elevação na frequência da obesidade no país. O que implica em maior prevalência também de diabetes melito tipo 2, hipertensão arterial, doença coronariana e tantas outras doenças que se associam à obesidade.  Tais complicações da obesidade aumentarão em muito os gastos públicos com saúde nos próximos anos”, alerta a especialista. 

“Além das medidas de prevenção, com estímulo e, principalmente, viabilização da realização de atividade física e ingestão de alimentos menos calóricos, o tratamento da obesidade não deve ser esquecido nem negligenciado”, afirma a Dra Maria Edna. E explica o motivo: “O controle desta doença impede o desenvolvimento de muitas outras”.

O VIGITEL (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) é um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, por telefone, considerando indivíduos com mais de 18 anos de idade. Os contatos telefônicos são realizados com residentes das capitais brasileiras e do Distrito Federal.

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