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Inibidores de apetite: Anvisa Realiza Último Debate Antes da Decisão final

Inibidores de apetite: Anvisa Realiza Último Debate Antes da Decisão final

Inibidores de apetite: Anvisa Realiza Último Debate Antes da Decisão final, Prevista Para Julho/Agosto

Com uma falha técnica que impediu sua transmissão pela internet, o Painel Internacional sobre Inibidores de Apetite reuniu, durante todo o dia de hoje (14 de junho), na sede da Anvisa, em Brasília, profissionais de saúde e especialistas para discutir a eficácia e segurança dos medicamentos usados no tratamento da obesidade.

Embora a Anvisa tenha anunciado que o evento poderia ser acompanhado pela web, a assessoria de imprensa da entidade informou no final da manhã que um vírus atingiu a rede da agência, impedido a transmissão online.

O próximo passo será a análise dos dados apresentados no painel e dos riscos de segurança da sibutramina pelo grupo técnico, cujo trabalho pode levar até 15 dias. A decisão final da Anvisa de retirar ou não os inibidores de apetite do mercado brasileiro deve ser anunciada entre o final de julho e início de agosto.

Ao final do painel, o Dr. Walmir Coutinho, eleito para a presidência da IASO e integrante e do estudo SCOUT, revelou que está apreensivo, assim como os endocrinologistas da ABESO, com uma possível proibição dos inibidores de apetite.

- Ficou uma impressão de que eles (da Anvisa) já têm uma posição pré-concebida. Estamos apreensivos por causa de uma possível decisão pela retirada dos medicamentos do mercado, colocando em risco a saúde de milhares e até milhões de brasileiros – alertou.

Sibutramina

A sibutramina foi o principal tema da manhã. Ao abrir o painel, às 8:30h, o diretor da Anvisa, Dirceu Barbano, lembrou que o Brasil consome metade da quantidade da substância vendida em todo o mundo. Diante de tais dados, ele questionou a eficácia do fármaco, visto o crescimento dos índices nacionais de obesidade.

O Dr. Ricardo Meirelles, da SBEM, foi o primeiro médico endocrinologista a intervir, com uma apresentação dos parâmetros científicos dos pontos discordantes da nota técnica da Anvisa que defende o banimento dos medicamentos. Ele defendeu o uso da sibutramina e apresentou dados sobre sua eficácia: perda de 5 a 10% do peso que reduz riscos cardiovasculares e a redução de 16% do risco de desenvolver diabetes para cada quilo perdido.

SCOUT

Participante do estudo SCOUT, o cardiologista dinamarquês Christian Torp-Pedersen falou sobre os resultados de segurança da sibutramina e apresentou os dados e conclusões do trabalho. Ele defendeu o uso da subtância para alguns grupos de pacientes.

- Os médicos precisam avaliar cuidadosamente todas as alternativas terapêuticas e utilizar primeiro as mais seguras, mas há casos para os quais os benefícios da sibutramina são inquestionáveis, como, por exemplo, no caso de pacientes com problemas nas articulações, com dificuldade para fazer exercícios diariamente – analisou.

Debatedor convidado, o Dr. Walmir Coutinho, eleito para a presidência da IASO, citou a possibilidade de aumento do risco do uso “off label” de outros medicamentos.

A presidente da ABESO, Dra. Rosana Radominski, destacou os problemas e complicações dos pacientes obesos, e afirmou que a perda de peso provocada pela sibutramina também propicia a redução do risco de outras doenças, como gota e até mesmo câncer.

- Os pacientes morrem de câncer, gota, não sofrem apenas de problemas cardiovascular. A sibutramina é eficaz. Eles perdem mais de quatro quilos em relação ao placebo. É importante para redução da morbilidade – ressaltou.

Anfetamínicos

Na parte da tarde, as discussões giraram em torno dos derivados de anfetamínicos – anfepramona, femproponex e mazindol.

O Dr. Henrique Suplicy, ex-presidente da ABESO; o Dr. Wanderley Bernardo, da Associação Médica Brasileira; o Dr. Álvaro Atallah, do Centro Cochrane; e a Dra. Cintia Cercato, representando a ABESO e a SBEM, foram alguns dos especialistas a intervir.

O Dr. Suplicy discordou da nota técnica da Anvisa ao exibir dados de um estudo que comprova a perda significativa de peso em pacientes que utilizaram os medicamentos, enquanto a Dra. Cintia afirmou que “não dá para imaginar o tratamento de obesos sem fármacos que  agem no sistema nervoso central em decorrência da fisiopatologia da obesidade”.

Para Alvaro Atallah, do Centro Cochrane, os dados sobre a segurança dos inibidores são pobres. O Dr. Wanderley Bernardo, da Associação Médica Brasileira, apresentou o tema "Medicina baseada em evidências", e defendeu como fundamental a opinião do médico que trata o paciente no dia-a-dia.

Para especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Dr. Francisco Paumgartten) e do Hospital das Clínicas de Porto Alegre (Dr. Flavio Danni Fuchs), não existem “evidências dos benefícios na utilização dos anorexígenos anfetamínicos no controle da obesidade”.

Considerações finais

A última parte do debate foi tomada pelas considerações finais dos debatedores, a exemplo do Dr. Walmir Coutinho, ex-presidente da ABESO, o qual lembrou que, "até hoje, o FDA mantém a dietilpropiona”, e de Maria Eugência Cury, da Anvisa, que frisou a questão de segurança - "Nós estamos falando de segurança. O grau de risco é superado pelos benefícios?", indagou.

Todos os medicamentos têm prós e contras, destacou o representante do Conselho Federal de Medicina, o nutrólogo Dr. Valter Makoto, em sua fala final:

- As regras caem por necessidade terapêutica de atendimento ao paciente. A Anvisa deve ponderar antes de tomar a decisão de retirar os medicamentos do mercado, o que pode inclusive aumentar os gastos públicos  – completou.

O Twitter da ABESO acompanhou o Painel durante todo o dia, retransmitindo as informações divulgadas pelo Conselho Regional de Farmácia do estado de São Paulo.

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