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Incentivo à Alimentação Saudável

Incentivo à Alimentação Saudável

Incentivo à Alimentação Saudável

Por Beth Santos

 

Estudo publicado na Revista de Saúde Pública reitera que “o estabelecimento de hábitos alimentares saudáveis deve ser estimulado precocemente na vida do indivíduo”. Embora se saiba que esses hábitos “podem mudar substancialmente durante o crescimento”, incentivar uma alimentação saudável entre crianças “pode permitir que este padrão se perpetue ao longo da vida”, afirma o artigo “Manutenção dos padrões alimentares da infância à adolescência”.

A pesquisa foi realizada por Samanta Winck Madruga, do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas, e colegas, da UFP e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

As autoras do trabalho afirmam que “diversos estudos mostram baixa continuidade de padrões alimentares ao longo da vida (...). A continuidade de tais hábitos pode ser entendida como um comportamento positivo ou negativo, dependendo do hábito alimentar”. Ou seja, ocorre a variação negativa nos padrões “quando há mudança de um padrão alimentar considerado saudável para outro de menor qualidade nutricional”.

Padrões Futuros

O artigo afirma ainda que hábitos alimentares alcançados na adolescência costumam permanecer na fase adulta, contudo “o percentual de indivíduos que mantêm seu padrão alimentar positivo ou negativo ao longo da infância (zero a nove anos) e adolescência (dez a 19 anos) é variável de acordo com o grupo populacional”. 

A revisão de estudos, embora não extensa, deixa claro uma mudança na alimentação a partir da adolescência que não acontece durante a infância. Isto é, “o comportamento alimentar durante a infância pode sofrer alterações ao longo do crescimento”. A conclusão é que o hábito alimentar infantil é muito importante, já que é a primeira fase e pode, consequentemente, determinar padrões futuros.

Alimentação Balanceada

A nutricionista Mariana Del Bosco, membro do Departamento de Nutrição da ABESO, comenta que, “segundo o estudo, na infância os hábitos tendem a ser mais estáveis e assim mantêm-se até o início da adolescência, período em que há uma maior variabilidade nos padrões”.

Segundo a especialista, “muito já se discutiu acerca da importância da formação do hábito alimentar na primeira infância. Sabemos que o bom hábito familiar, o bom exemplo dos cuidadores e a oferta variada de alimentos são atitudes importantes para que os alimentos saudáveis sejam incorporados no repertório alimentar da criança”.

Ela afirma que “nesse artigo de revisão, os autores detectaram que, nesse período, a tendência é manter o padrão. Sendo assim,  o argumento de que ‘é de pequenino que se desentorta o pepino’ ganha mais força e pode ser um grande aliado no combate à epidemia da obesidade”.

Endossando essa ideia’, prossegue, ‘vale lembrar que muitos artigos de revisão, em que se avalia o impacto de programas de intervenção no tratamento de obesidade infantil, demonstraram que, algum tempo após a saída do programa, a criança tende a retomar os hábitos antigos e tende a ganhar novamente o peso perdido”.

Esses dados, segundo a nutricionista Mariana Del Bosco,“ reforçam a importância de cuidados muito prévios como, boa alimentação da gestante, com adequado ganho de peso (nem mais, nem menos), aleitamento materno até os seis meses de idade e introdução adequada dos alimentos até os 2 anos de idade. E, é claro, durante toda infância atentar-se para que a alimentação seja adequadamente equilibrada, balanceada e fracionada”, conclui.

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