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Idosos São os mais Sedentários entre Paulistas

Idosos São os mais Sedentários entre Paulistas

Por Beth Santos

Estudo da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, em parceria com o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS, responsável pelo Programa Agita São Paulo) revela que os idosos são os que menos praticam atividades físicas entre os paulistas. Quase 29% dos pesquisados não atendem aos parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS), que recomendam no mínimo 30 minutos de atividade física, cinco dias por semana. Entre a população em geral, este índice é de 19,4%.

Do total de idosos ouvidos, 8,4% são totalmente sedentários; 10,3% são irregularmente ativos, ou seja, erram no tempo e número de dias em que praticam alguma atividade física; 10,2% foram avaliados como “irregularmente ativos parciais”, isto é, erram na quantidade de dias ou no tempo recomendado para os exercícios.

Outras Faixas Etárias
A faixa de 30 a 39 anos é a segunda com maior prevalência de sedentarismo ou prática de atividade física insatisfatória, sendo 21,2% dos entrevistados. O índice é de 18,3% entre as pessoas de 19 a 29 anos e de 18,2% dos 40 aos 49 anos. Dos 14 aos 18 anos o índice de sedentários e irregularmente ativos é de 11,4%.

Realizada em 2008, a pesquisa foi feita com base em 2.600 entrevistas com homens e mulheres, na capital e outras 13 regiões do estado de São Paulo.

Resistência à Atividade Física
Responsável pelo Departamento de Atividade Física e Exercício da ABESO, o Dr. Carlos Alberto Werutsky comenta que o estudo confirma a alta prevalência de pessoas sedentárias – ou seja, que não cumprem o mínimo de 150 minutos/semana de atividade física não programada.

Segundo o especialista, programas de incentivo à atividade física como o Agita São Paulo, Agita Brasil e outros, regionais (como em Florianópolis/SC e Vitória/ES), “embora muito bem conduzidos, não são suficientes para mudar a estatística do número de sedentários”. Ele lembra que nos EUA existem, pelo menos, seis programas semelhantes ao Agita São Paulo. Nos últimos 10 anos, no entanto, a prevalência do sedentarismo continua apresentando números semelhantes aos do Brasil.

“O fato” continua Dr. Werutsky, “é que existe uma enorme resistência das pessoas a se movimentarem mais. Essa “barreira” para adotar um estilo de vida fisicamente ativo vem merecendo estudos investigatórios de muitos cientistas”. A indisposição aos exercícios seria genética ou ambiental? Ainda não se encontrou a resposta.

O especialista afirma que “a população sabe dos benefícios da atividade física regular” e não desconhece, por exemplo, o fato de que os idosos perdem massa muscular aceleradamente, “podendo se tornar dependentes para as atividades diárias, muitas vezes com a conseqüente depressão”. No outro extremo, entre as crianças “cresce o número de obesas e portadoras de diabetes tipo 2 (diabetes do adulto), ou seja, doenças crônico-degenerativas em idade precoce provocadas pelo sedentarismo e alimentação inadequada”. O Dr. Werutsky comenta que o pior é que “estudos mostram que exatamente aqueles adultos portadores de diabetes, hipertensão e obesidade são os mais resistentes em adotar um estilo de vida fisicamente ativo”.

Concluindo, ele comenta que “além dos programas públicos de incentivo à prática da atividade física regular e das informações veiculadas na mídia sobre seus benefícios, cada profissional de saúde deveria reservar pelo menos 3 minutos de cada consulta para falar sobre as “barreiras” do seu cliente, e ajudá-lo a fazer pequenas mudanças no estilo de vida”. O que, ele afirma, “é melhor do que nenhuma”.

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