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Identificada Evidência Entre Genética e Obesidade

Identificada Evidência Entre Genética e Obesidade

18 de abril de 2007.
Por Flavia Garcia Reis

Cientistas britânicos reforçaram a idéia de que algumas pessoas podem ter dificuldades de emagrecer por causa de características genéticas. O recente estudo, realizado com base em dados de 40 mil pessoas, é de pesquisadores da Peninsula Medical School, de Oxford. O trabalho teve apoio de uma das maiores entidades mundiais de financiamento de pesquisa, a The Wellcome Trust.

A pesquisa revelou que pacientes com duas cópias do gene FTO são 70% mais propensos a se tornarem obesos, em comparação aos sem cópia do FTO. Já as pessoas com apenas uma cópia do gene apresentaram 30% de chances de serem obesas.

O gene FTO foi descoberto quando cientistas pesquisavam as diferenças genéticas entre pessoas com diabetes tipo 2 e pessoas sem diabetes. Segundo informações divulgadas, a equipe ainda não sabe as funções do FTO, nem como suas variantes influenciam no peso, mas a descoberta de sua influência no desenvolvimento da obesidade “fornece uma nova ferramenta para a compreensão de como algumas pessoas parecem ganhar peso mais facilmente que outras”.

Estudos com este propósito são realizados desde o início da década de 90. Em 1994, o gene leptina foi clonado e desencadeou uma revolução na biologia da obesidade. Desde então, aumenta gradativamente o conhecimento científico em torno dos componentes biológicos controladores do peso. Especialistas partem do princípio de que o indivíduo é geneticamente programado e isso torna possível saber seus níveis de tolerância à atividade física, ingestão alimentar, programas de perda de peso, etc.

Outro estudo, realizado com 9 mil crianças da Grã-Betanha, afirma que a obesidade infantil é causada por oito fatores: peso ao nascer, obesidade dos pais, ver televisão por mais de 8 horas aos três anos, dormir menos de 10,5 horas aos três anos, tamanho no início da vida, ganho rápido de peso no primeiro ano de vida, crescimento rápido até os dois anos e desenvolvimento de gordura corporal nos anos do período pré-escolar. Estes fatores foram identificados por cientistas das universidades de Glasgow e Bristol, em 2005.

Um apanhado com diversas pesquisas mostra que a herança poligênica determinante da obesidade é altamente provável. Os dados apresentados - em artigo publicado pelos doutores Durval Damiani, Daniel Damiani e Renata Giudice de Oliveira - mostram o risco da obesidade na seguinte proporção: quando nenhum dos pais é obeso: 9%; quando um dos dois é obeso: 50%; quando ambos são obesos: 80%. O artigo “Aspectos Genéticos da Obesidade” foi publicado em 2003 e pode ser acessado aqui.

 

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