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Fármacos Antiobesidade Ganham mais um Debate

Fármacos Antiobesidade Ganham mais um Debate

Fármacos Antiobesidade Ganham mais um Debate

Representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) se reuniram, no fim da tarde de ontem, para mais um debate sobre a posição da Anvisa a favor da retirada dos medicamentos antiobesidade do mercado brasileiro. O simpósio ocorreu na Academia Nacional de Medicina (ANM), no centro do Rio de Janeiro.

Lembrando que foi um dos fundadores da Anvisa, o endocrinologista Luiz Cesar Póvoa, membro da ANM, abriu os debates, ressaltando ser um erro a utilização de receituário B2 (azul) para a sibutramina, uma vez que o medicamento não promove dependência. Em seguida, ele passou a palavra à representante da Anvisa, Maria Eugênia Cury, gerente do Núcleo de Gestão do Sistema Nacional de Notificação e Investigação em Vigilância Sanitária.

A Dra. Maria Eugênia teceu comentários a respeito da posição da Anvisa e da polêmica em torno da possível retirada da sibutramina do mercado brasileiro, fazendo um rápido histórico das discussões sobre o assunto.

Representando a SBEM, o Dr. Ricardo Meirelles falou sobre o preconceito contra o medicamento para obesidade. Isso porque, da mesma forma que se recomenda atividade física e dieta saudável para quem tem diabetes ou hipertensão, também são prescritos medicamentos para os que não conseguem o controle apenas com a mudança de hábitos. “E por que para a obesidade, não?”, indagou ele, acrescentando que a perda de 5 a 10% de peso com o uso da sibutramina já faz uma grande diferença.

“A nossa preocupação é que a obesidade é um problema extremamente grave e prevalente. Pelas próprias estatísticas do Ministério da Saúde, ela está atingindo 15% da população brasileira e, o sobrepeso, 48%. Eu não conheço nenhuma outra doença que tenha prevalência tão alta, principalmente pelos riscos que acarreta”, disse o Dr. Ricardo.

O representante da SBEM salientou que a Anvisa tomou uma posição, em relação à sibutramina, sem ouvir os médicos que trabalham com obesidade e baseada no Estudo SCOUT, cuja idade média das pessoas era de 60 anos – situação que já possibilita ao paciente possuir doença cardiovascular prévia.

Único Estudo

Por sua vez, o Dr. Amélio Godoy-Matos - representando a ABESO e também a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) - também defendeu a permanência da sibutramina no mercado brasileiro. O especialista apresentou, detalhadamente, diversos estudos científicos que reforçam sua posição em relação à polêmica.

Ele criticou a Agência Europeia de Medicamentos (EMEA) ao suspender o medicamento baseada em um único estudo, que, por mais bem intencionado que tenha sido, foi mal elaborado. “Os senhores prescreveriam sibutramina para quem tem 88 anos, com história de enfarto ou AVC? Pois o SCOUT incluiu isso”, frisou o Dr. Amélio.

Enfatizando ainda mais a pergunta do Dr. Amélio, o Dr. Ricardo argumentou que a decisão da EMEA foi baseada num erro de interpretação do Estudo SCOUT, que extrapolou para a população saudável. “É o mesmo que pegar um paciente com dengue que usou aspirina e resolver retirar a aspirina do mercado para todos”.

Além disso, o Dr. Ricardo lembrou que menos de 1% dos pacientes deixa de tomar a sibutramina por efeitos adversos. “Os obesos serão prejudicados se esse medicamento sair do mercado. Não há evidência de síndrome de abstinência com a interrupção da sibutramina. A Anvisa está nos escutando com ouvidos moucos!”, declarou.

Em seguida, a Dra. Maria Eugênia afirmou que o parecer da Anvisa foi feito a partir de sua equipe técnica e que isso não deve ser realizado em conjunto com os especialistas. No entanto, disse que a Agência está à disposição para o debate e que todos esses elementos serão levados em conta na decisão final.

O simpósio também contou com a explanação de vários acadêmicos e, ao final do debate, os doutores Amélio e Ricardo fizeram as seguintes declarações ao site da ABESO:

Dr. Amélio Godoy-Matos:

“Nós colocamos todas as evidências a favor da manutenção do remédio no mercado. Mas não acredito que eles vão dar um parecer favorável à manutenção da sibutramina, porque estão absolutamente preconceituosos. Espero que eles estejam nos ouvindo e não apenas nos escutando”.

Dr. Ricardo Meirelles: 

“Mais uma vez ficou claro que a Anvisa tem uma posição preconcebida com relação à proibição dos medicamentos, estando surda às argumentações embasadas em trabalhos científicos. Em todas as reuniões em que houve manifestação do público, a imensa maioria ficou a favor da SBEM e contra a suspensão dos remédios. No caso do rimonabanto, nós não nos manifestamos porque havia evidências científicas suficientes que indicavam a retirada daquele medicamento do mercado. Esse não é o caso da sibutramina. Espero que essa discussão de hoje tenha sido suficiente para lançar alguma luz”.

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