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Estudos Mostram Novas Facetas da Obesidade

Estudos Mostram Novas Facetas da Obesidade

Estudos Mostram Novas Facetas da Obesidade

A prevalência da obesidade em crianças e adolescentes – um dos principais desafios da saúde pública atualmente – foi tema de quatro dissertações de mestrado na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). As pesquisas apresentaram novas descobertas e tiveram orientação do professor Antonio de Azevedo Barros Filho, do Departamento de Pediatria da FCM.

Características do Sono, Distúrbios do Sono e Qualidade de Vida em Adolescentes Obesos”, de Giovina Fosco Turco; “Balanço Energético em Adolescentes Eutróficos e com Diferentes Graus de Excesso de Peso”, de Hellen Rose Camargo; “Comportamento Antropométrico de Adolescentes Durante o Ano Letivo e Período de Férias”, de Fábio Cássio Ferreira Nobre; e “Obesidade na Infância e na Adolescência e a Percepção das Mães: um Estudo Qualitativo”, de Ana Paula Paes de Melo de Camargo, foram os quatro estudos apresentados, que vêm lançar novas luzes para a melhor compreensão do problema.

Os trabalhos contaram com uma grande fonte de pesquisas  clínicas – o Ambulatório de Obesidade na Criança e no Adolescente. Criado há seis anos, no Hospital de Clínicas da Universidade, o Ambulatório já atende a 200 usuários com acompanhamento multiprofissional.

Especialista em crescimento e desenvolvimento físico da criança e do adolescente, o Dr. Antonio de Azevedo Barros Filho se assombra com o aumento da obesidade entre os jovens, que já é considerada epidêmica pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Supera o Tabagismo

Além disso, segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, a obesidade está superando o tabagismo como principal fator de mortalidade. As causas orgânicas ou genéticas (obesidade endógena) que evoluem para o excesso de peso representam cerca de 5%, mas a grande maioria dos casos (aproximadamente 95%) é classificada como obesidade exógena, motivada por fatores ambientais, principalmente alimentação inadequada e sedentarismo, contribuindo para a sua expansão em níveis alarmantes.

Estatística

No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada três crianças de 5 a 9 anos estava acima do peso recomendado pela OMS em 2010. Obesos representaram 16,6% entre meninos e 11,8% das meninas naquela idade. Jovens de 10 a 19 anos com excesso de peso passaram de 3,7% (na década de 1970) para 21,7% e entre as meninas na mesma faixa etária o crescimento do excesso de peso saltou de 7,6% para 19,4%.

Na opinião do Dr. Antonio de Azevedo Barros Filho, as intervenções medicamentosas são insuficientes para controlar a progressão da obesidade, pois ela não será freada sem mudanças comportamentais.

Para ele, é muito importante a adoção de estratégias para a prevenção, uma vez que o ganho excessivo de peso é condição que, quanto mais cedo se instala, mais difícil é de ser combatida.

Os quatro novos estudos são mais uma contribuição para se lidar com o problema da obesidade por parte de educadores, profissionais de saúde, famílias e também dos próprios jovens.

Leia abaixo um breve resumo do resultado desses estudos:

Características do Sono, Distúrbios do Sono e Qualidade de Vida em Adolescentes Obesos – Ao avaliar a qualidade de vida e a do sono em adolescentes obesos e eutróficos (com peso ideal), Giovina Fosco Turco observou a prevalência de perturbações e, consequentemente, pior qualidade do sono entre os integrantes do grupo obeso. Como reflexo das noites mal dormidas, esses jovens acabam vitimados por uma qualidade de vida inferior.

Balanço Energético em Adolescentes Eutróficos e com Diferentes Graus de Excesso de Peso – Dados encontrados pela pesquisa de Hellen Rose Camargo podem contribuir para o desenvolvimento de formas eficazes de prevenção da obesidade. De acordo com a pesquisadora, modificações relativamente simples na rotina alimentar e de atividades físicas dos adolescentes (a substituição de produtos industrializados e a adição de 30 minutos diários de caminhada) seriam suficientes para prevenir o ganho excessivo de peso.

Comportamento Antropométrico de Adolescentes Durante o Ano Letivo e Período de Férias O professor de Educação Física, Fábio Cássio Ferreira Nobre, avaliou a interferência do período de férias e período letivo no ganho de peso em cerca de 600 jovens na faixa etária de 11 a 15 anos, alunos de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental de escolas estaduais de Campinas. Os resultados demonstraram que a prevalência de sobrepeso e obesidade já atinge três em cada 10 adolescentes do município. O período de férias é colaborador importante no ganho ponderal e o aumento é evidenciado igualmente em ambos os sexos, durante o período denominado pubescência (10 a 14 anos).

Obesidade na Infância e na Adolescência e a Percepção das Mães: um Estudo Qualitativo –
A psicóloga Ana Paula Paes de Melo de Camargo entrevistou um grupo de oito mães de crianças e adolescentes com obesidade exógena em tratamento no Ambulatório de Obesidade na Infância e na Adolescência da Unicamp. O trabalho permitiu à pesquisadora aferir que a percepção materna inadequada influencia negativamente a relação não só da mãe com a criança, mas também desta com seus cuidadores primários (avós, tios, irmãos), causando um impacto pernicioso nos hábitos cotidianos, como a inapropriada ingestão de alimentos super calóricos e a baixa frequência de atividades físicas.

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