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Estudo Faz Relação Entre Gordura Abdominal e Demência

Estudo Faz Relação Entre Gordura Abdominal e Demência

Por Paula Camila Rodrigues
8 de abril de 2008

Uma pesquisa publicada na revista Neurology, da Academia Norte-Americana de Neurologia, concluiu que indivíduos de meia-idade com abdômens aumentados têm maiores riscos de manifestar demência quando mais velhos. Os pesquisadores verificaram que aqueles com os maiores valores de gordura abdominal eram quase três vezes mais suscetíveis a desenvolver demência do que os demais.

O estudo foi realizado com 6.583 pacientes de 40 a 45 anos, todos da Califórnia, EUA. Os participantes foram analisados, em média, 36 anos mais tarde. O resultado foi: 16% tinham diagnóstico positivo para demência, que é caracterizada por perda de memória, de habilidades e problemas de comportamento.

De acordo com essa pesquisa, o fator determinante para o risco de demência foi o tamanho do abdômen: quanto maior a barriga, maior o risco de demência, independentemente de os participantes se apresentarem com peso normal, sobrepeso ou obesidade. Além disso, outras condições de saúde, como diabetes ou problemas cardiovasculares, não interferiram no aumento do risco.

O grupo com sobrepeso e abdômen volumoso teve risco 2,3 vezes maior de desenvolver a doença do que pessoas com peso e cinturas dentro do padrão de normalidade. Entre os obesos com prevalência de gordura abdominal, esse risco foi 3,6 vezes maior. Na pesquisa, as mulheres apresentaram obesidade abdominal com mais freqüência do que os homens. Os grupos em que a incidência esteve mais presente foram: não brancos, fumantes, pessoas com pressão alta, com níveis aumentados de colesterol, diabetes e aqueles com menor escolaridade.

Os autores destacam que este é um estudo observacional. Portanto, é possível que a associação de obesidade abdominal e demência seja, na verdade, determinada por um conjunto complexo de comportamentos relacionados à saúde, cuja conseqüência seria o acúmulo de gordura na barriga. Os pesquisadores ressalvam que são necessários mais estudos para confirmar a relação.

Dr. Adriano Segal, coordenador do Departamento de Psiquiatria da ABESO, diz que é importante observar que a pesquisa não demonstrou uma relação causa-efeito entre os dois grupos de doenças. “Porém, se no futuro for demonstrado que há, efetivamente, esta relação causa-efeito entre aumento da gordura abdominal e aumento de incidência de quadros demenciais, a atual epidemia de obesidade é um anúncio de que haverá um grande aumento da incidência desses quadros, que são notadamente dramáticos, com elevados impactos nas áreas pessoal, familiar e financeira e cujos tratamentos apresentam resultados aquém dos desejados”, explica o médico. Sendo assim, Dr. Adriano considera que será necessário e justificado um vigor ainda maior na luta contra a obesidade e contra a síndrome metabólica.

O estudo “Central obesity and increased risk of dementia more than three decades later” pode ser lido por assinantes da revista Neurology no endereço http://www.neurology.org/cgi/rapidpdf/01.wnl.0000306313.89165.efv1

 

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