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Desigualdade de renda pode contribuir para a obesidade

Desigualdade de renda pode contribuir para a obesidade

Uma nova pesquisa da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, analisou como a renda nacional e a desigualdade social afetam o peso de crianças e adolescentes. O estudo, realizado com mais de 280 mil crianças e adolescentes de 36 diferentes países, incluindo Nova Zelândia, Austrália e Reino Unido, descobriu que, embora os índices de desnutrição sejam bastante afetados pelos diferentes níveis de renda, a obesidade parece não sofrer grandes variações.

O estudo Obesity, underweight and BMI distribution characteristics of children by gross national income and income inequality: results from an international survey, publicado esta semana em Obesity Science and Practice, foi liderado pela Dra. Rinki Murphy, professora adjunta da Escola de Medicina da Universidade de Auckland, e contou com a participação da Universidade de Otago e Instituto de Pesquisa Médica da Nova Zelândia.

Foram analisados dados de altura e peso de mais de 77 mil crianças, com idades entre 6 e 7 anos, de 19 países, e 205 mil adolescentes, com idades entre 13 e 14 anos, de 36 países diferentes.

Crianças de países com baixa renda tiveram proporções significativamente maiores de baixo peso em comparação com crianças de países mais ricos, mas os índices de obesidade não foram muito discordantes.

As maiores diferenças foram observadas nos meninos com idades entre 6 e 7 anos e nas meninas adolescentes. No entanto, estas diferenças foram pequenas e estatisticamente não significativas.

 

Desnutrição e obesidade

A baixa nutrição pode explicar o maior número de crianças abaixo do peso nos países com renda menor. De acordo com os resultados do estudo, crianças e adolescentes de países de renda inferior têm mais crianças com peso abaixo do normal: 6% contra apenas 3% nos países mais ricos.

No caso da obesidade, estudos anteriores realizados em adultos detectaram que o aumento da desigualdade de renda pode estar associado ao aumento da prevalência em homens e mulheres, bem como na maior ingestão calórica e no estilo de vida mais sedentário. O alto desenvolvimento econômico e a desigualdade de renda, assim, têm sido associados a aumentos no IMC médio das pessoas.

Embora estas desigualdades de renda dentro das sociedades tenham impacto na distribuição da obesidade em idades mais avançadas, entre os mais jovens os resultados foram diferentes. Nestas faixas etárias, os indivíduos parecem ser afetados de forma semelhante com relação à obesidade.

Segundo os pesquisadores, a obesidade é fruto do aumento da disponibilidade de alimentos ricos em calorias e da diminuição da realização de atividade física, comuns a todos os países, independentemente da renda de sua população, pois são igualmente comuns tanto em países de renda mais alta e mais baixa, podendo afetar jovens com alto ou baixo poder aquisitivo.

Potenciais associações do ambiente macroeconômico com a dispersão na distribuição do IMC infantil podem ser uma consideração importante para o desenvolvimento de políticas destinadas a reduzir as desigualdades na saúde e para determinar se as intervenções precisam ser direcionadas àqueles nas extremidades superiores ou inferiores da população.

O estudo, aqui!

 

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