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Denunciada “Parceria” Entre Médicos e Farmácias

Denunciada “Parceria” Entre Médicos e Farmácias

Denunciada “Parceria” Entre Médicos e Farmácias
Por Beth Santos

Graves denúncias de que médicos recebem comissão de farmácias de manipulação, de 25% a 45% sobre o valor das receitas encaminhadas, foi ao ar no domingo, dia 18/04, no programa Fantástico, da Rede Globo. Durante dois meses o repórter se passou por médico Endocrinologista e fez contatos com estabelecimentos de Curitiba, Rio de Janeiro e Salvador.

A reportagem do programa gravou uma série de conversas com farmacêuticos e funcionários das farmácias, em que fica claro a prática proibida pelos códigos de ética: oferecer comissões aos profissionais, para que eles encaminhem o cliente.

A prática, conhecida por “parceria”, foi confirmada por vários farmacêuticos e representantes comerciais dos estabelecimentos nas três cidades. Com riqueza de detalhes – percentuais das comissões, número de fórmulas encaminhadas por determinados profissionais, total dos “repasses” etc - o repórter apurou também que alguns profissionais chegam a aceitar móveis, modernos aparelhos de TV etc para equipar seus consultórios.

Prescrições Exageradas
O critério utilizado para fechar a “parceria” costuma ser a alta movimentação de prescrições dos médicos. Assim, os profissionais que prescrevem poucas receitas e baixos valores são preteridos por aqueles que prescrevem muitos medicamentos, totalizando valores mais altos.


Na Bahia, um profissional que age de maneira ética, fora desse esquema, comentou que o paciente deve desconfiar de que, se o médico recebe comissão, sua tendência será prescrever exageradamente, para ganhar mais.

Para burlar a fiscalização da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proíbe a combinação das substâncias anfepramona e femproporex num mesmo medicamento, médicos prescrevem e farmacêuticos aviam a receita fracionada. Ou seja, cada uma delas é prescrita em separado, às vezes em nome de irmão, pai, mãe, qualquer outra pessoa. A associação das substâncias pode provocar alucinações, crises de convulsão ou levar, se o uso é prolongado, à dependência química.

O Conselho Federal de Farmácia esclareceu na reportagem que o código de ética da categoria profissional deixa claro que as práticas denunciadas podem levar até a um ano de suspensão dos direitos profissionais ou mesmo à cassação de direitos.

Posição da ABESO
Segundo a Dra. Rosana Radominski, presidente da ABESO, “a Associação é totalmente contra a formulação de medicamentos usados para emagrecer, parcerias com farmácias, ou o uso de nome de terceiros para fazer uso de associações proibidas pela ANVISA”. Ela afirma achar “importante alertar a população sobre práticas não éticas da medicina. No entanto, não são os endocrinologistas (como pode parecer na reportagem) que fazem este tipo de prescrição e, sim, outros médicos inescrupulosos que, sem terem o conhecimento da doença e nem do efeito do uso inadequado dos medicamentos, “usam” do paciente para ganhar dinheiro”.

 

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