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Cirurgias de Obesidade: Normas do CFM

Cirurgias de Obesidade: Normas do CFM

Cirurgias de Obesidade: Normas do CFM
Por Beth Santos

Uma nova Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada no Diário Oficial da União, estabelece normas sobre as técnicas de cirurgia de obesidade. Entre elas, aprova a gastrectomia vertical e ainda considera experimental a interposição ileal. O documento também estabelece quais pacientes podem ser submetidos a essas cirurgias.

A recém aprovada técnica da gastrectomia vertical elimina 80% do estômago. O resultado, segundo o divulgado, é que o paciente sente menos fome, come menos e os nutrientes costumam ser absorvidos normalmente.

Para utilizar a técnica da interposição ileal, o cirurgião não pode cobrar e os pacientes precisam ser inscritos em protocolo de pesquisa registrado na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

A Posição da ABESO
A respeito da Resolução do CFM, recém publicada, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica divulgou o seguinte parecer:

Parecer da ABESO Sobre as Cirurgias Bariátricas
A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) é uma entidade voltada para o estudo de doenças crônicas e de alta prevalência: a obesidade e a síndrome metabólica. É do nosso interesse pesquisas que esclareçam cada vez mais as bases fisiopatológicas e novas propostas terapêuticas para seu melhor controle, e até erradicação destas doenças. Entretanto, a ABESO é uma entidade oficial que também tem a obrigação de esclarecer a população em relação a falsas informações, propagandas enganosas e tratamentos alternativos que possam colocar vidas em risco.

Mantemos uma luta constante contra produtos, medicamentos, aplicações  e técnicas cirúrgicas que surgem  no mercado com propostas milagrosas de um emagrecimento rápido e sem muito esforço na mudança do estilo de vida e hábitos alimentares. Esses novos tratamentos ganham rapidamente uma intensa divulgação na imprensa leiga, sem nenhum embasamento científico, orientação médica adequada ou aprovação de órgãos competentes.

As opções terapêuticas para a obesidade são escassas. Um novo tratamento, seja ele clinico ou cirúrgico, é sempre bem recebido. No entanto, há necessidade de que tais procedimentos sejam regulamentados, após serem submetidos a protocolos de pesquisa que avaliam sua eficácia e segurança em longo prazo, referendados por órgãos reguladores, nacionais e internacionais. 

As cirurgias bariátricas atualmente aprovadas são aquelas que visam primariamente a redução do peso e secundariamente influenciam nas complicações da obesidade,  com melhora do diabetes mellitus,  da hipertensão arterial, das dislipidemias etc.

As cirurgias que visam fundamentalmente o controle do diabetes mellitus ainda não foram aprovadas pelos órgãos competentes. Não existem evidências publicadas de sua eficácia e segurança a longo prazo. Portanto, até o momento, só devem ser realizadas de forma experimental, com aprovação dos Comitês de Ética e também dos órgãos reguladores.  A técnica da interposição ileal se enquadra neste grupo.

Dra. Claudia Cozer
Diretora da ABESO e médica responsável pelo Departamento de
Cirurgia Bariátrica da entidade.                     

 

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