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CBOSM2013

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Um paciente com diabetes, na maioria do tempo, está sozinho. Por isso, deve entender a sua doença e saber tomar decisões acertadas para manter a saúde. A educação, neste sentido, é primordial na abordagem clínica. Mas mais do que isso, é preciso falar a língua da população que se pretende atingir para que as informações de saúde sejam efetivamente compreendidas.

Esta foi a lição deixada por Enrique Caballero, um dos convidados internacionais do XV Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica. O médico é pesquisador do Joslin Diabetes Center, ligado à Universidade Harvard, e um estudioso do doença na população latino-americana.
No Joslin, Caballero e sua equipe desenvolveram um programa que muda os paradigmas de abordagem, em busca de maior adesão e engajamento dos pacientes no tratamento. “Primeiro de tudo, passamos a considerar que o paciente não é um indivíduo e nada mais. Ele está inserido num contexto que envolve família, amigos, comunidade. Necessitávamos de um programa clínico que desse atenção ao que está ao redor”, contou.

Diversas iniciativas fazem parte do projeto, como a criação de consultas médicas em grupo. “São seis, oito, dez pacientes que se reúnem com o médico e com a equipe multidisciplinar, ao mesmo tempo. Todos têm que estar de acordo em compartilhar informações, mas isso certamente não é um problema para nós latinos”, brincou o mexicano que vive nos Estados Unidos. O resultado dessas consultas em grupo, segundo ele, têm sido positivos. “Os pacientes se conhecem, aprendem uns com os outros”.

Outra iniciativa são as audionovelas, desenvolvidas a partir da história fictícia de uma paciente chamada Rosa, portadora de diabetes e que passa por problemas cotidianos com família, trabalho, amigos, ao mesmo tempo em que convive com a doença. “Os pacientes gostam de escutar histórias, e em geral não gostam de ler. Por isso desenvolvemos um drama, com mensagens básicas do diabetes”, explicou Caballero.

O braço nutricional do programa envolveu ainda a seleção de 25 famílias de pacientes diabéticos, que receberam a quantia de 50 dólares em dinheiro para a compra de alimentos em supermercado. Na primeira compra, sem supervisão, as famílias compraram em média 46.500 calorias em alimentos. “O que é uma quantidae exagerada para o valor em dinheiro”, avaliou o médico. Numa seguda ida ao mercado, sob orientação de nutricionistas, as compras se tornaram mais equilibradas. “Ensinamos que é possível comer melhor sem gastar mais dinheiro”.

Caballero ainda apresentou um estudo que comprova sua recomendação: prevenir o diabetes é mais importante e custa menos do que tratar suas consequências nefastas. Uma pesquisa realizada com mais de 3 mil pessoas propensas ao desenvolvimento de diabetes (com resistência à insluina) reuniu quatro grupos de estudo. O primeiro propôs tratamento com troglitazona, o segundo com placebo, o terceiro com metiformina e o quarto apenas mudanças no estilo de vida com a meta de emagrecer 5% do peso. Os resultados: as pessoas que mudaram estilo de vida diminuíram em 58% o risco de desenvolver diabetes, enquanto que esta porcentagem caiu para 31% no grupo tratado com metiformina. “Concluímos que as mudanças de estilo de vida são fundamentais, e a combinação com medicamentos também é necessária, em alguns casos”, concluiu.

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