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Anorexígenos: Mais Ciência e Menos “Torcida” na Audiência do Senado

Anorexígenos: Mais Ciência e Menos “Torcida” na Audiência do Senado

Anorexígenos: Mais Ciência e Menos “Torcida” na Audiência do Senado

Com a participação de parlamentares, representantes da ABESO e de várias sociedades médicas, aconteceu, na manhã de hoje (7 de junho), em Brasília, a segunda audiência pública realizada na CDH do Senado sobre a proposta da Anvisa de retirada do mercado brasileiro da sibutramina e dos anorexígenos.

A reunião foi presidida pelo senador Paulo Paim, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Discussão Científica
Para o vice-presidente da ABESO eleito para o biênio 2013/2014, o Dr. João Eduardo Salles - que participou do debate em nome da entidade e também representando a SBEM - a audiência de hoje teve um caráter mais científico do que os debates anteriores, sem o clima de “torcida” contra ou a favor dos medicamentos.  

- A obesidade foi tratada como um problema de saúde pública, e não mais como de enfermidade temporária, conforme sempre preconizamos. Acredito que a Anvisa está mais aberta ao diálogo e a discussões técnicas, e que a decisão da agência será tomada com base mais científica - analisa. 

A vice-presidente da ABESO, Dra. Leila Araújo, concorda com a avaliação positiva de João Salles. “A grande maioria dos debatedores da mesa foi favorável à manutenção dos fármacos”, avalia.

Além do Dr. João Salles, compuseram a mesa o presidente da Anvisa, Dirceu Brás Barbano; o presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, Paulo Giorelli; e o presidente do Conselho Federal de Medicina, o Dr. Desiré Carlos Callegari – além de representantes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (Geniberto Paiva Campos) e da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (Antonio Carlos Lopes).

Alarme
O senador Paulo Paim abriu o debate citando os dados alarmantes que colocam o Brasil na lista dos países mais obesos do mundo. “De acordo com o IBGE, mais da metade da população brasileira está acima do peso”, lembrou.

A necessidade de o Estado brasileiro fazer frente à epidemia de obesidade de maneira responsável foi citada pelo presidente da Anvisa. Ele adiantou que o governo federal deve anunciar, nas próximas semanas, um “programa extenso” de combate ao problema. A sociedade precisa ter a mais absoluta confiança na decisão sobre a manutenção ou a retirada dos fármacos, afirmou.

- Esses produtos são eficazes e seguros? É uma resposta que a sociedade precisa ter – disse Dirceu Barbano.

Ele voltou a defender a proposta da agência de retirada dos medicamentos, a partir do parecer de duas câmaras técnicas, e afirmou que, ao longo dos últimos meses, ouviu “argumentos em clima de guerra” que desqualificavam o trabalho da equipe técnica da agência. Ele frisou que a entidade não tem nenhum preconceito contra a população com excesso de peso.

- Afirmar que essa decisão constitui um preconceito contra os obesos é de uma irresponsabilidade tremenda. Isso gera uma posição antagônica com a sociedade – ressaltou.

Gráficos
O endocrinologista João Salles, da ABESO, mostrou ao público presente os motivos que levam a entidade a se manifestar a favor da manutenção dos fármacos no mercado, exibindo um gráfico com os resultados do estudo SCOUT. Pacientes com risco cardiovascular foram arrolados no trabalho, porém integram categorias que já são contraindicadas na bula da sibutramina, lembrou.

- O gráfico mostra que não houve aumento da mortalidade, e sim um risco maior de um novo evento cardiovascular nos pacientes que já tinham tal propensão. Sinceramente, não sei responder por que motivo a agência europeia retirou a sibutramina do mercado – analisou o especialista, que também estava representando a SBEM.

O Dr. João Salles afirmou que acredita numa decisão do governo brasileiro em dar um passo “inédito no mundo e manter os medicamentos no mercado” e que não quer desqualificar o SCOUT, mas sim “dissecá-lo”, para ir “além da conclusão”.

- Precisamos é de uma educação médica para uma prescrição adequada desse produto – finalizou o especialista, que ainda sugeriu que o governo brasileiro patrocine estudos com derivados de anfetamina para avaliar a segurança das substâncias.

Esta foi a última audiência pública sobre inibidores de apetite antes do painel técnico da Anvisa - da qual pode sair uma decisão definitiva sobre o assunto - marcada para o próximo dia 14 de junho, em Brasília. Cerca de 30 entidades médicas devem participar do evento.

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