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Alimentação Nada Saudável

Alimentação Nada Saudável

Alimentação Nada Saudável
Por Beth Santos

Estudo inédito da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) concluiu que a alimentação das crianças brasileiras com até dois anos de idade contêm cada vez mais alimentos industrializados – ricos em gorduras e açúcares - e menores porções de alimentos saudáveis, como leite materno, frutas, legumes, cereais e hortaliças.

Dados da pesquisa encabeçada pela nutricionista Maysa Helena A. Toloni mostram que, entre as famílias com baixa escolaridade, 67% dos bebês já haviam experimentado alimentos que não devem ser incluídos em nenhuma dieta saudável, como macarrão instantâneo, açúcar refinado, suco de fruta artificial, salgadinhos e embutidos.

Os resultados da pesquisa, feita com 270 pais de crianças pequenas, é bastante preocupante, considerando que a obesidade infantil no Brasil já é considerada um problema de saúde pública: cerca de 10% das crianças e 20% dos adolescentes apresentam excesso de peso.

Açúcar, Refrigerantes Etc
O estudo feito na Unifesp revelou que 31% dos pais afirmaram ter oferecido açúcar ao filho em idade inferior aos três meses de vida; 49% ofereceram chás; 18% ofereceram mel. Até os doze meses, 87% das crianças já haviam provado o açúcar, 88%, o chá; 73%, o mel.

A introdução extremamente precoce dos refrigerantes na alimentação dos bebês também chamou atenção. Entre o primeiro e o sexto mês de vida, 12% delas já experimentaram, subindo o índice para 20% até os nove meses. No primeiro ano de vida, 56,5% delas já tiveram o refrigerante incluído no cardápio.

Exemplo Familiar
A Dra. Fernanda Pisciolaro, membro do Departamento de Obesidade Infantil da ABESO, lembra que o cuidado com a boa alimentação deve envolver toda a família. “As crianças recebem os alimentos que lhes são oferecidos e aprendem a fazer escolhas alimentares por observação dos familiares. Assim, famílias com bons hábitos alimentares educam o consumo alimentar de forma natural”. Em contrapartida, segundo a especialista, “famílias com alto consumo de alimentos industrializados e baixa ingestão de frutas e vegetais terão mais dificuldades em introduzir tais alimentos para as crianças”.

Para a Dra. Fernanda Pisciolaro, “a pesquisa revela um dado importante para a etiologia e prevenção da obesidade e de outras doenças crônico não transmissíveis que são passíveis de modificação. As questões culturais exercem grande influência nas escolhas alimentares, que atualmente têm sido refletidas na supervalorização do produto industrializado, em detrimento ao caseiro”. Segundo ela, são necessárias políticas públicas e orientações mais efetivas sobre a importância da não introdução precoce de produtos industrializados na alimentação dos bebês, assim como da importância do aleitamento materno exclusivo com introdução gradual de alimentos adequados à idade”.

 

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