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Aleitamento Protege de Risco de Sobrepeso e Obesidade

Aleitamento Protege de Risco de Sobrepeso e Obesidade

Por Cintia S. Castro

Consultoria: endocrinologista Zuleika Halpern, do Departamento de Obesidade Infantil da ABESO

Aos conhecidos benefícios do aleitamento à saúde da criança, como redução do risco de infecções, agora pode-se somar outro: a proteção contra a obesidade. Este foi o resultado de um trabalho de pesquisadores da USP intitulado Aleitamento materno, alimentação complementar, sobrepeso e obesidade em pré-escolares, publicado este ano na revista Scielo, de Saúde Pública.

As análises envolveram 566 crianças matriculadas em escolas particulares no município de São Paulo. Para a classificação do estado nutricional das crianças foram utilizados os valores do Índice de Massa Corporal, por idade. A prevalência de excesso de peso encontrada foi de 34,4% - considerada elevada para a faixa etária das crianças estudadas.

Os pesquisadores concluíram que a amamentação exclusiva por seis meses ou mais, e também o aleitamento materno prolongado por mais de dois anos de vida, funcionam como fatores de proteção contra sobrepeso e obesidade.

“Quanto à proteção do aleitamento materno por tempo mais prolongado (mais de 24 meses), é possível levantar a hipótese de que quanto maior a quantidade de leite materno recebido no início da vida, maior a proteção em relação ao sobrepeso e obesidade”, explicam os responsáveis pela pesquisa, no trabalho.

Introdução Precoce do Açúcar

O trabalho também mostra como a alimentação complementar continua sendo introduzida precocemente, apesar da reconhecida importância do aleitamento materno exclusivo até seis meses.

A endocrinologista Zuleika Halpern, do Departamento de Obesidade Infantil da ABESO, concorda com a pesquisa. “A introdução precoce de alimentos na dieta do lactente contribui para o aumento do aporte calórico e, assim, para o ganho de peso acima do esperado. Estudos apontam que isso pode interferir na regulação dos sinais de fome e saciedade, podendo favorecer a obesidade. E não podemos deixar de considerar que a amamentação é fundamental para o vínculo mãe e filho e, consequentemente, na formação do hábito alimentar da criança.”, afirma.

Os cientistas ainda chamam atenção para a introdução de alimentos calóricos na dieta das crianças pequenas, justamente em uma fase na qual elas estão formando seus hábitos e existe o risco de desenvolver obesidade.

“Preparações como leite com achocolatado, mingau, bolacha doce e
recheada agradam às crianças, levando-as ao consumo em grande quantidade, elevando assim o valor calórico total da dieta e o risco de sobrepeso e obesidade”, defendem os autores do estudo da USP.

A Dra. Zuleika Halpern ainda lembra que, com a entrada da mulher no mercado de trabalho e com o surgimento de substitutos do leite materno, a prática do aleitamento foi perdendo sua força. Ela observa um esforço, em várias frentes, no sentido de garantir o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de idade.

 

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