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Academia Americana de Pediatria e Obesity Society contra estigmatização de crianças com excesso de peso

Academia Americana de Pediatria  e Obesity Society contra estigmatização de crianças com excesso de peso

 

 

A Academia Americana de Pediatria e a Obesity Society alertam para a estigmatização de crianças com obesidade e publicam suas recomendações para combatê-la. Segundo o documento, a estigmatização de pessoas com obesidade é generalizada e causa danos. As entidades alertam que, embora o estigma de peso seja muitas vezes propagado e tolerado na sociedade por causa de crenças de que motivarão as pessoas a perder peso, o que ocorre é que, ao invés de motivar mudanças positivas, esse estigma contribui para comportamentos como compulsão alimentar, isolamento social, prevenção de serviços de saúde, diminuição da atividade física e aumento do aumento de peso, que pioram a obesidade e criam obstáculos adicionais para a mudança de comportamento saudável. Além disso, as experiências de estigma de peso também prejudicam drasticamente a qualidade de vida, especialmente para os jovens. Os profissionais de saúde continuam buscando estratégias e recursos eficazes para enfrentar a epidemia de obesidade; no entanto, eles frequentemente exibem viés de peso e comportamentos estigmatizantes. A declaração lançada pelas duas entidades visa buscar aumentar a conscientização sobre a prevalência e os efeitos negativos do estigma em peso em pacientes pediátricos e suas famílias. São seis práticas clínicas e quatro recomendações de advocacy sobre o papel dos pediatras no tratamento do estigma de peso.

Recomendações

Aperfeiçoando a prática médica

A Academia Americana de Pediatria recomenda que os pediatras e profissionais de saúde que atendem crianças unam esforços para atenuar a estigmatização do peso em nível prático e além dele:

  • Modelo a Seguir >>> é importante para os pediatras e profissionais que realizam atendimento pediátrico no sistema de saúde sejam o exemplo de comportamento profissional para colegas, equipe e trainees, mostrando-se solidários e imparciais com crianças com obesidade e suas famílias. Esses esforços devem incluir a identificação e o reconhecimento da complexa etiologia da obesidade, incluído fatores genéticos e socioeconômicos, agente ambiental, ativos da comunidade, tradições culturais e familiares e escolhas individuais. Esse reconhecimento pode ajudar a afastar suposições e estereótipos que colocam a culpa e o julgamento exclusivamente nos indivíduos por terem excesso de peso ou dificuldades em obter perda de peso.
  • Linguagem e Escolha de Palavras >>> é importante que os pediatras e profissionais pediátricos utilizem linguagem delicada e sem estigmas na comunicação sobre peso com jovens, famílias e outros membros da equipe pediátrica. As palavras podem curar ou fazer mal, intencionalmente ou não. Evidências recentes mostram que palavras neutras como “peso” e “índice de massa corporal” são preferidas por adolescentes com sobrepeso e obesidade, enquanto termos como “obeso”, “extremamente obeso”, “gordo” ou “problema de peso” induzem a sentimentos de tristeza, constrangimento e vergonha se os pais usam essas palavras para descrever o peso corporal de seus filhos. Além disso, o uso da língua materna é um passo para auxiliar na redução do uso de uma linguagem potencialmente estigmatizada e nesse momento ela está surgindo como o padrão preferido para lidar com a obesidade assim como outras doenças e deficiências. A língua materna coloca o indivíduo antes da condição médica ou deficiência e envolve o uso de frases como “uma criança com obesidade” ao invés de “uma criança obesa”.
  • Documentação Clínica >>> a obesidade é um diagnóstico médico com reais consequências para a saúde, por isso é importante que as crianças e suas famílias compreendam os riscos de saúde atuais e futuros associados com a faixa de peso do paciente. Porém, isso deve ser enfrentado com equilíbrio, usando uma abordagem empática para que a informação seja transmitida e entendida de uma forma sensível e acolhedora. Utilizando mais termos neutros como “peso pouco saudável” e “peso muito pouco saudável”, ambos em aspectos clínicos, quando falar com os pacientes e com os membros da família, podem ajudar com esse trabalho. Registros de saúde eletrônicos e nomenclatura de codificação médica poderia considerar o uso dos termos “peso pouco saudável” e “peso muito pouco saudável” ao invés de “obesidade” e “obesidade mórbida” nas lista de problemas para suporte futuro ao uso de linguagem sensível ao paciente durante consultas médicas.
  • Aconselhamento de Mudança de Comportamento >>> além da escolha específica de palavras, é recomendado que a abordagem da mudança de comportamento empática com foco no paciente, tal como entrevista motivacional, seja usada como uma estrutura para auxiliar os pacientes e as famílias a realizar mudanças saudáveis. Por meio da entrevista motivacional, profissionais da área da saúde, de forma colaborativa, envolvem o paciente e/ou os pais para determinar seus objetivos e abordar obstáculos para se chegar a mudanças de comportamento de saúde contínua.
  • Ambiente Clínico >>> os pediatras devem criar um espaço clínico sem estigmas, receptivo e seguro para os jovens com obesidade e suas famílias. Para isso, é necessário criar um conjunto de práticas de apoio que recebam pacientes de diversos tamanhos corporais, da entrada da clínica até a sala de avaliação.
  • Avaliação de Saúde Comportamental >>> abordar o estigma do peso na prática clínica também requer que os pediatras não avaliem somente a parte física dos pacientes, mas também comorbidades emocionais e exposições negativas associadas com a obesidade, incluindo bullying, baixa auto-estima, desempenho escolar reduzido, depressão e ansiedade. Esses fatores são frequentemente negligenciados, mas podem ser sinais de que a criança está vivenciando bullying por conta do seu peso.

 

Lutando Contra o Estigma do Peso

Criar um ambiente saudável no qual os pacientes vivem é fundamental para tratar e prevenir a obesidade. Como parte desses esforços, é importante promover um ambiente que apoie e capacite os jovens e familiares para serem saudáveis ao invés de reforçar a vergonha social ou o preconceito direcionado para aqueles com obesidade. Dessa forma, os pediatras podem ser importantes defensores na redução do estigma do peso de várias maneiras:

  • Escolas >>> Pediatras podem trabalhar com as escolas para garantir políticas anti-bullying, incluindo proteções para os alunos que sofrem bullying em relação ao peso. Visto que o trabalho anti-bullying com o peso é muitas vezes inexistente nas políticas escolares, trabalhos de defesa por profissionais de saúde podem exercer um papel importante na redução desse tipo de bullying.
  • Mídia Dirigida aos Jovens >>> é importante que os pediatras e profissionais pediátricos defendam uma imagem responsável e de respeito dos indivíduos com obesidade na mídia. Expressando-se claramente (por exemplo, opiniões e comentários, cartas aos editores, apresentações profissionais ou comentários nas redes sociais) contra imagens estigmatizadas na mídia, os pediatras podem ajudar a aumentar a conscientização do preconceito contra o peso, que pode ser prejudicial principalmente para crianças e reforçar o crescimento do preconceito social.
  • Fornecedor de Treinamento >>> é importante que os pediatras e entidade profissionais continuem a defender a inclusão de treinamento para enfrentar o estigma do peso em faculdades de medicina, no currículo de residência e por meio de programas de educação continuada para médicos e profissionais de saúde.
  • Pais >>> é importante que os pediatras e profissionais pediátricos trabalhem para capacitar famílias e pacientes para lidar e enfrentar o estigma do peso nas escolas, comunidades e em suas casas. Os pediatras podem encorajar os pais dos pacientes a conversar efetivamente com os professores e a equipe administrativa da escola dos seus filhos para garantir que o planejamento esteja preparado para abordar a vitimização do peso nas instituições. Os pais devem também ser questionados a considerar um possível estigma de peso em casa, onde amigos e familiares podem ser a origem disso. Por fim, devido às taxas de obesidade serem maiores em comunidades sócio-economicamente ameaçadas e em comunidades negras, o estigma adicional atribuído a raça, situação socioeconômica e sexo podem compor o preconceito contra o peso vivenciado por alguns indivíduos, famílias e comunidades.
     

Conclusões

A obesidade é uma doença difícil de ser tratada. Muitos fatores estão em jogo e muitos deles são difíceis de efetivamente se avaliar durante uma consulta de curta duração. Os desafios que os profissionais de saúde podem enfrentar quanto à obesidade podem afetar interações com os pacientes e involuntariamente transmitir preconceito, culpa ou julgamento na tentativa de aumentar a motivação para mudança do paciente. Infelizmente, evidências mostram que essas abordagens provavelmente mais prejudicam do que melhoram comportamentos de saúde e resultados com peso. Além disso, o sofrimento emocional vivenciado por pacientes que se sentem estigmatizados pode reduzir a probabilidade de retorno em consultas futuras.

Um sistema de saúde, uma comunidade e ambientes educacionais acolhedores podem ser motivo de força para os pacientes; entretanto, atualmente, muitos desses ambientes contribuem em oposição a correção e tratamento aos danos do estigma do peso. Portanto, os profissionais pediátricos podem exercer um papel importante trabalhando para enfrentar a estigmatização das pessoas com obesidade e aumentar a conscientização de que estigmatizar a obesidade não a reduz e nem reforça comportamentos saudáveis. Examinando seus próprios preconceitos com o peso, modelando uma comunicação e comportamento sensíveis para crianças e famílias com obesidade e tomando medidas para abordar o estigma do peso com a equipe, nos ambientes clínicos e nas comunidades em geral, os profissionais da pediatria podem fazer mudanças significativas nos cuidados de crianças com obesidade. Com esses esforços combinados para reduzir o estigma do peso, intervenções podem de fato ajudar a capacitar os pacientes para melhorar seus problemas de saúde relacionados com excesso de peso.

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