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ABESO Toma Posição sobre Intenção da Anvisa

ABESO Toma Posição sobre Intenção da Anvisa

ABESO Toma Posição sobre Intenção da Anvisa

No último dia 9, a Presidente da ABESO, Rosana Radominski, participou de reunião preparatória - convocada pela Anvisa, em Brasília – visando a  consulta pública sobre a retirada dos medicamentos antiobesidade, marcada para o próximo dia 23/02. A Agência de Vigilância Sanitária irá propor a retirada dos fármacos que atuam no sistema nervoso central: além da sibutramina, também os derivados de anfetamina (dietilpropiona, femproporex e mazindol).

De acordo com o Superintendente da Anvisa, Dirceu Barbano, a  Agência tem em mãos dois pareceres do seu setor de Farmacovigilância que indicariam que o uso de tais medicamentos  não seriam eficazes no tratamento da obesidade, sendo os riscos maiores que o benefício. Ele alegou, ainda, que a Anvisa possui dados “sigilosos” do FDA (agência norte-americana que regula os medicamentos), reforçando tal atitude.

O encontro, convocado pelo Superintende da Agência de Vigilância Sanitária, teve a participação de diversas entidades interessadas no assunto: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (da qual a ABESO é Departamento de Obesidade), AMB, CFM, ABIMA e Ministério da Saúde.

Posição da ABESO

A propósito do que foi discutido na reunião do último dia 09/02, a ABESO divulga sua posição:

Obesidade Não É Doença!

Esta não é minha opinião, mas de certos setores do Governo Federal. Dia 23 de fevereiro próximo haverá uma audiência pública, em Brasília, quando a Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) vai sugerir a retirada da maioria dos medicamentos antiobesidade do mercado brasileiro. Sob a alegação de que os medicamentos não reduzem o peso; os efeitos colaterais suplantam os eventuais benefícios; e, ainda, que o seu uso durante todos esses anos não ajudou a reduzir o aumento de prevalência da obesidade, vão propor a suspensão da comercialização de todos os medicamentos utilizados para o tratamento de obesidade que agem em sistema nervoso central. 

Ações governamentais para a prevenção da obesidade são indispensáveis para conter o avanço desta epidemia, mas mesmo os melhores planos internacionais têm falhado em mostrar resultados satisfatórios em longo prazo. A disponibilização de drogas para o controle das comorbidezes da obesidade (diabetes, hipertensão e dislipidemias) nas redes públicas é dever do governo, mas não controla a causa.  As mudanças de estilo de vida, alimentação e atividade física são os pilares de um bom tratamento da obesidade, mas nem sempre são suficientes para evitar a progressão da doença. O uso criterioso de medicações antiobesidade claramente contribui para a melhora da saúde dos pacientes, auxiliando-os na perda de peso, reduzindo o aparecimento das complicações. Com a suspensão destes medicamentos, os custos da saúde para o governo vão aumentar exponencialmente, num futuro muito próximo. Além da necessidade de aumentar a oferta de medicamentos para as complicações da obesidade, o Ministério da Saúde vai ter que arcar com o custo de cirurgias bariátricas que, certamente, terão seu leque de indicações ampliado, além de controlar o surgimento de um número absurdo dos tratamentos alternativos ineficazes que irão fatalmente aparecer e complicar ainda mais a vida do doente.

Todos nós sonhamos com um medicamento ideal.  Todos os medicamentos têm eventos adversos. Os pacientes respondem de forma diferente a um mesmo tratamento. Um fármaco pode ser indicado para um grupo de pacientes, mas não para outro. Os medicamentos antiobesidade atuais não são exceção. Torcemos por novas opções, mas não teremos alternativas em médio prazo.

Com o intuito de nortear com seriedade, responsabilidade e conhecimento o tratamento da obesidade, a Associação para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), após estudos exaustivos de toda literatura disponível sobre medicamentos antiobesidade e troca de experiências, atualizaram as Diretrizes para o Tratamento Medicamentoso da Obesidade e do Sobrepeso, aprovadas pela Associação Médica Brasileira (AMB) - após serem criteriosamente analisadas pela Comissão de Diretrizes , composta por membros altamente treinados em Medicina baseada em evidências. Acreditamos firmemente que os medicamentos antiobesidade são necessários, seguros quando bem indicados, e a sua suspensão representará um grande retrocesso no tratamento da obesidade no Brasil.

A ABESO e a SBEM estarão com seus representantes presentes na reunião do dia 23, para defender esta posição. 

Dra. Rosana Bento Radominski
Presidente da ABESO


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