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A obesidade e o câncer de mama

A obesidade e o câncer de mama

Estudo publicado na revista Breast Cancer Research rediscute como a obesidade pode interferir negativamente no prognóstico do câncer de mama, especialmente em mulheres na pós-menopausa.

Em Obesity promotes the expansion of metastasis-initiating cells in breast cancer, os pesquisadores da University of Fribourg, na Suíça, liderados pela Dra. Mélanie Bousquenaud, do Departamento de Oncologia, Microbiologia e Imunologia da Faculdade de Ciência e Medicina, revelam que as pacientes com obesidade estão mais propensas a apresentar metástases.

Os pesquisadores explicam que a obesidade, que afeta mais de meio bilhão de adultos em todo o mundo, é um fator de risco bem conhecido para muitos tipos de câncer, incluindo o de mama.

As complicações sistêmicas derivadas da obesidade, incluindo inflamação, resistência à insulina e hiperglicemia, já têm sido exploradas como potenciais causadores ou contribuintes para o aumento do risco e progressão do câncer de mama. No entanto, os mecanismos responsáveis por esta associação em pacientes, especialmente na pós-menopausa, ainda não estão claros, em parte devido à ampla gama de condições associadas à obesidade.

 

Obesidade e metástase

A metástase depende tanto de fatores extrínsecos como intrínsecos das células tumorais. Recentemente, um estudo identificou que, em pacientes com obesidade, as metástases ocorrem por dois mecanismos extrínsecos de células tumorais independentes.

Em busca de compreender os mecanismos moleculares que vinculam a obesidade ao mau prognóstico no câncer de mama na pós-menopausa, os pesquisadores criaram um modelo de camundongo e passaram a investigar os efeitos da obesidade no crescimento do tumor primário e na progressão metastática espontânea. Os resultados confirmaram o aumento da formação de metástases.

Para os pesquisadores, a ligação entre a obesidade e desfechos ruins em pacientes com câncer de mama permanece pouco compreendida, principalmente devido à falta de estudos experimentais baseados em modelos de camundongos de metástase que explorem toda a cascata metastática.

Ao longo do estudo, também foi observado que as pacientes com câncer da mama com excesso de peso e obesas apresentavam maior risco de recorrência e resistência à terapêutica, independentemente de estarem antes ou após a menopausa.

 

Estrogênio e menopausa

A produção local de estrogênio também tem sido associada ao aumento do risco de câncer de mama e contribui para a sua progressão na pós-menopausa, já que, nesta fase, a produção de estrogênio ocorre, principalmente, no tecido adiposo.

Após a conclusão do estudo, os pesquisadores descobriram que a redução da vascularização nos tumores primários dos camundongos com obesidade na pós-menopausa desencadeou hipóxia, infiltração de neutrófilos e transição epitélio-mesênquima, levando à expansão de tumores do tipo triplo negativo e a um aumento de células iniciadoras de metástase.

Esses resultados fornecem uma explicação para a maior incidência de metástase e de tumores triplo negativos em pacientes obesas com câncer de mama, desafiando o fato de que fatores extrínsecos de células tumorais no local secundário sejam clinicamente relevantes.

 

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