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A asma infantil pode contribuir para a obesidade infantil

A asma infantil pode contribuir para a obesidade infantil

A asma afeta milhões de crianças nos Estados Unidos, assim como a obesidade. Um novo estudo pode ter encontrado uma ligação entre os dois

Estima-se que a asma afete cerca de 1 em cada 10 crianças dos EUA. Já a obesidade infantil, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, 12,7 milhões de crianças estão obesas

A obesidade infantil e a asma são frequentemente encontradas em conjunto, mas as pesquisas realizadas até então não foram conclusivas sobre se a asma contribui realmente para a epidemia de obesidade infantil. Uma nova pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia (USC), em Los Angeles pretende preencher esta lacuna de investigação por meio da análise dos efeitos da asma e medicação para a asma na obesidade infantil.

Os achados foram publicados no American Journal of Respiratory and Critical Care.

Os pesquisadores examinaram os registros médicos de 2.171 crianças não obesas entre 5-8 anos de idade. Essas crianças foram inscritas no Southern California Children's Health Study (CHS) e foram clinicamente seguidas por 10 anos. CHS é um estudo em grande escala, de longo prazo e detalhado sobre os efeitos duradouros da poluição do ar sobre a saúde respiratória e metabólica das crianças.

Os pesquisadores da USC examinaram 10 anos de dados coletados na CHS e também realizaram uma análise de replicação em uma amostra independente de 2.684 crianças do CHS. Esta última coorte foi seguida a partir da idade média de 9,7 anos para 17,8 anos. Durante esse período, os pesquisadores mediram a altura e o peso das crianças anualmente, classificando-as em normais, com excesso de peso e obesas. As crianças foram consideradas com sobrepeso ou com obesidade quando seu índice de massa corporal (IMC) estava em ou acima do percentil 85 e 95, respectivamente, em comparação com os padrões de IMC estabelecidos pelo CDC.

A equipe avaliou a asma das crianças usando o diagnóstico médico como relatado pelas crianças ou por seus pais. Os pais também preencheram questionários complexos sobre fatores sociodemográficos e exposição ao tabagismo em casa ou no útero, bem como padrões de atividade física e história de doença respiratória. Os cientistas usaram a regressão de Cox para avaliar as associações entre a asma e a incidência de obesidade durante o período de acompanhamento.

No início do estudo, mais de 18% das crianças estavam acima do peso e mais de 13% tinham sido diagnosticadas com asma. Durante o período de acompanhamento, 15,8% das crianças desenvolveram obesidade. Após os ajustes estatísticos, os pesquisadores descobriram que a asma na primeira infância contribuiu para o desenvolvimento da obesidade nos anos subseqüentes, principalmente durante a primeira infância e adolescência.

Em comparação com crianças sem obesidade e sem asma, as crianças sem obesidade e com asma tiveram 51% mais probabilidade de desenvolver obesidade durante o seguimento. Os resultados permaneceram os mesmos após ajustes sociodemográficos e ajustes para outras variáveis.

Além disso, crianças com história de sibilância estavam em um risco 42% maior de desenvolver obesidade.

Quanto à relação entre o uso de medicamentos contra a asma e a obesidade, os pesquisadores fizeram outra descoberta interessante. Eles descobriram que o uso de medicamentos de resgate de asma, como um inalador de asma, reduziu significativamente o risco de obesidade. Estes resultados foram independentes da atividade física.

Os autores observam que este é um dos poucos estudos a ligar a asma no início de vida com um risco aumentado de desenvolver obesidade.

Algumas das limitações do estudo incluem o fato de que a informação foi auto-relatada e que os cientistas não tiveram acesso a informações suficientes sobre dieta ou padrões de atividade física.

O estudo aqui.

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